terça-feira, 25 de setembro de 2012

*Como uma caranguejo*








Tenho dias assim, dias em que me sinto uma verdadeira caranguejo que corre para o refugio e sossego da sua concha. Como vejo o mundo? Pelas as emoções que os meus olhos captam, o de bom e mau, consigo intuir, sentir na pele e sim, como mulher sou extremamente emocional o que me confere altos níveis de stress que extravaso através da escrita, das artes, do exercício físico. 
O mundo simboliza o meu habitat, mas aqueles que amo são o alicerce que permite a continuação da minha caminhada... a eles sou devota, tratando-os com toda a minha dedicação e serenidade.
A vida para mim sem emoção, sem paixão, sem amor não tem sentido, não faz sentido continuar algo quando aquilo que se faz, se faz apenas por fazer.
Rostos são o que mais por aí se vê, mas rostos iluminados de vida e alegria, são poucos, muitos poucos. Que pensar disto? Não sei, sei que quando olho para o meu país vejo tristeza, vejo demasiado oportunismo, de oradores, de políticos, de intelectuais que usam e abusam de dons a eles atribuídos para que os saibam usar em prol da sabedoria que une e traz felicidade... e o que fazem? NADA!
Cansei, tornou-se cansativa tanta noticia que apenas destrói e nada constrói, não há animo como se a própria esperança tivesse sido aniquilada.
O que me ofende? A falta de afecto, a frieza, a insensibilidade emocional, a gozação, o desprendimento... mas acima de tudo falta de amor próprio. Encontro-me, hoje, num profundo momento de nostalgia, introspecção e ainda bem que sou assim... caso contrário já não estaria neste universo terreno. Aqui, estou dentro da minha concha a escrever e a ouvir a minha música tão sentimental, mas que tão bem me faz. Faço da minha timidez a manta que me aquece de toda a frieza humana, no quente medito, escrevo, penso, mesmo que isso signifique mergulhar no passado e uma vez mais me magoar... não tenho medo... Sabem, não tenho medo de ser feliz. Não tenho medo de acreditar, de sentir que tudo é uma possibilidade que existe nada inatingível. 
Da solidão à incompreensão prefiro a solidão, odeio quando não interpretam correctamente as minhas palavras, entristece-me quando ficam cegos pela mágoa e perdem a razão deixando e fechando a porta à felicidade. Na vida existem poucas oportunidades, mas as que existem são mais preciosas que ouro. Recordações? Muitas e todas guardadas, ainda hoje guardo completamente secas as primeiras rosas vermelhas que me ofereceram... a isto chamo de meu tesouro.
Tenho sonhos, vários, mas o principal ser mãe e com ele uma casa simples feita por mim, pelo meu marido com e para os meus filhos... com luxo? Não! Aliás não me importo de dormir no chão em um colchão se tiver a felicidade de ter a família com que sempre sonhei. Para muitos o que pode ser considerado sacrifício, é simplicidade e entendimento das coisas como elas são. Não gosto de dar passos maiores que as pernas e elas são longas, por isso, de um colchão a um quarto de luxo todo xpto prefiro ter o colchão, os meus filhos e umas noites mal dormidas. E creio se já fui abençoada com tanto, serei abençoada com uma criança que se for como eu de acomodados terão pouco... proteger? Protejo com unhas e dentes quem amo, onde cada ameaça terá a sua devida retribuição nunca na mesma linguagem, sempre e somente com educação ou até não. 
Magoada? Tantas vezes, sobretudo quando me falam em um tom que a mim provoca estranheza e despertar de emoções que não gosto de sentir. 
Tímida, sossegada, caseira, rotulada tantas vezes de múmia por não apreciar muito a vida nocturna em discotecas e afins... azar de quem um dia esse rótulo me colocou; prefiro um bom cinema, uma boa conversa em um bar com música calma rodeada de amigos verdadeiros. Soluções? Encontro-as eu... Desabafos? Adoro, não para que me digam o que fazer, apenas para eu saber que posso contigo e com o teu abraço! 
Ferver em pouca água? Longe disso, digo apenas aquilo que ninguém gosta de ouvir... a verdade que todos temem mas que com elegância eu digo...
A minha concha?! Adoro-a, sem ela não teria sobrevivido, sem ela hoje não seria capaz de escolher e crivar quem quero e desejo que fique na minha vida. No meu espaço só entra quem eu quero, o meu corpo é apenas para um homem, a minha alma será eternamente minha... o meu espirito ficará para sempre entre aqueles que me conheceram... o meu nome? Alexandra e sabem quem o pôs e porquê? Bem, quando nasci tinha 55 cm, e quase 5 quilos... a médica disse que miúda enorme e que olhos tão lindos parecem faróis. E naquele instante quando senti a minha mãe, quando toquei nela relatos desse momento dizem que eu toquei nela como se a protegesse e assim surgiu o meu nome: Alexandra, defensora da humanidade! Sim, é este o significado do meu nome e assenta-me que nem uma luva.
Gosto do abraço quente do homem que me seduz, gosto dos beijos molhados, do beijo de selinho, gosto da sensação de amar, gosto de ter paixão por tudo aquilo que faço, gosto de desencadear sorrisos... gosto de ser eu, gosto de ser mulher, gosto de ti, gosto de mim, gosto de nós. O que eu sou jamais um dia voltarei a ser, porque amanhã serei bem melhor do que fui hoje e se me deres uma flor com uma quadra sentida que revela todo o teu amor por mim, eu te darei a felicidade de viver para sempre junto a ti. 

E agora regresso à minha concha, quero dormir, sonhar, pensar que amanhã será isso mesmo... amanhã... que hoje foi mais um dia que ri, chorei, senti, dei, recebi. Quero apenas dizer do interior da minha concha vejo mais do que mundo, vejo o desejo da mudança que existe em mim!


Alexandra Martinho

6 comentários:

  1. "A vida para mim sem emoção, sem paixão, sem amor não tem sentido"

    Há dois tipos de pessoas, as que vivem e as que se limitam a respirar, viver é muito mais do que o contrário de estar morto ao contrário do que a outra dizia.

    Sabe muito bem ter uma concha...

    Beijo

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    1. Bem sabe a outra o que diz... lol

      Sou balança, com ascendente em caranguejo o que faz gostar muito da minha concha...


      beijo

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  2. Não me digas que és do signo do caranguejo? Não é que eu acredite nesse culto pagão (agora já não), mas que há coisas que parecem bater certo, lá parecem...

    Os nativos em caranguejo em regra são muito caseiros e sentimentais, que preza muito a estabilidade familiar e também emocional. E eu que o diga, pois o meu pai é caranguejo e é tal e qual como eu escrevi.

    E que bem que sabe um bom caranguejinho... infelizmente só como disso nos casamentos... e não são todos! :P

    Vá lá, ainda és uma rapariga "normal". Ou não quisesses tu ser mãe e ter uma família. Hoje já muitas nem pensam nisso, pois em primeiro lugar estão elas e só elas...

    É bom termos a nossa própria concha onde nos refugiarmos quando todo o mundo nos fecha as portas.

    Beijinhos.

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    1. Fire,

      sou balança com ascendente em caranguejo! Sou muito caseira e sentimental... para mim a família é tudo e necessito ter estabilidade emocional para por todo o meu poder intelectual em marcha... se tal não acontecer vou para dentro da concha, faço birra e de lá ninguém me tira! Quando faço birra, a birra está feita! 

      Sim, é esse o meu grande desejo, ser mãe... já me realizei em diversos níveis e agora está na hora de partir para estes outros grandes e trabalhosos projectos... quanto a elas, muita coisa mudou e em alguns casos de 8 passaram para 80... mas isso...

      Voltando à minha concha ela serve para eu me proteger quando sinto palavras mais ásperas... por vezes, gostava de mudar um pouco, não ser tão sentimental e emotiva... mas enfim! Sou como sou e somente a vida me poderá mudar...

      beijinho!

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  3. O refugio que sabemos recorrer faz falta para quando precisamos de recuperar forças.
    Sabes bem de que falo minha querida.

    Beijo

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    1. Olá Ruiva,

      sei sim! Felizmente tenho essa mais valia que me permite respirar e voltar tranquila... um beijo grande!

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)