sábado, 29 de setembro de 2012

*Reflectir Portugal em Português*








Não esperem da minha parte respostas, esperem perguntas... aliás acho redutor e incapacitante quando esperamos que o outro ou os outros respondam as nossas perguntas... perguntas essas que tantas vezes nem nossas são, mas as tomamos como tal.
Primeira pergunta: porque razão numa manifestação que supostamente é do povo, tem de existir um iluminado armado em pastor que fala para o rebanho? "Pastor" esse que vem com um discurso preparado e em papel... sendo tão iluminados não sabem falar com consciência e convicção?

Nasci dez anos pós 25 de Abril, onde está o legado que a revolução deixou no povo, no país? Creio que, actualmente, pretendem fazer um novo 25 de Abril, mas temos logo de partida um enorme problema... o mesmo em 1974 foi levado a cabo por indivíduos com convicções, pensamentos próprios... paixão pela nação e pela nação entraram em acção. Temos disso hoje? Pessoas que se movem por paixão ao nacionalismo e à pátria? Podemos até ter, mas tal como aconteceu há 38 anos alguém sempre irá reclamar algo como seu, quando em nada contribuiu para o resultado final... hipocrisia? Não, esperteza dos incultos! Incultos porque permanecem na sombra de quem dá a cara, porque apontam o dedo em vários sentidos e direcções... lançando a confusão e pondo o rabo de fora, porque sabem que alguém fará o que eles idealizam. 

Segunda pergunta: quem é o povo Português? O que é nacionalidade e pátria?

Terceira pergunta: manifestações apenas devem ser feitas quando a população anda com os "calos" apertados financeiramente? Leva-me a crer que só se vive bem no tempo das vacas gordas e chora-se quando a teta seca... A teta seca porque os problemas quando surgem por mais pequenos que sejam ou são colocados debaixo do tapete, ou tapados com a peneira e assim o lixo se amontoa até que... não se aguenta mais!

Quarta pergunta: Será que alguém já parou para pensar que aquilo que a Europa vive já viveu antes da I e II Guerra Mundial? (Para quem não sabe informe-se) 

Quinta pergunta: Governo, políticos e partidos servem para seguir a ideologia que juraram cumprir, respeitar os interesses da nação a que pertencem... ou para indignificar toda a sociedade e um país?

Sexta pergunta: até cada ponto cada português foi responsável pela sua situação individual e pela global de toda a nação? Ouvi durante anos expressões como: "De que interessa falar se nada vamos mudar" ; "Estou fart@ desta merda - o senhor@ queria dizer algo? - ah não, está tudo bem!" ; "Tu não vais mudar nada, por isso, cala-te" ; "É aquilo que temos e nada mais podemos fazer" ... são apenas exemplos de maneiras de pensar redutoras que levaram o país a este descalabro.

sétima pergunta: onde ficou aquele hábito que os nossos pais e avós tinham "amealhar" para mais tarde ter com o que governar a casa? Na actualidade gastamos, gastamos, gastamos... e juntar? Podem dizer, mas achas que agora dá para juntar? - eu respondo: quem falou agora? Juntar leva anos e todos os dias podemos contribuir para esse juntar. Ainda assim, penso que durante muitos anos o medo de se voltar a viver com poucas condições de vida  fez com que as pessoas tentassem ao máximo cumprir sonhos, nem que isso representasse o seu endividamento. 

oitava pergunta: os milionários salários de directores de empresas publicas e privadas, motoristas de ministros, dirigentes de sindicatos que tanto rogam em prol do seus trabalhadores e outros valores astronómicos que todos os dias encabeçam os jornais portugueses são da responsabilidade de quem? Do Governo, apenas? 

nona pergunta: O que é a república? Por quem foi implantada a república? Pelo povo? Façam uma pesquisa e vejam os nomes de quem em "nome do povo" o fez... José Relvas é um desses nomes! E posso dizer, José Relvas era um burguês rural que desejava ter a ostentação da burguesia da corte portuguesa e citadina! Não se enganem, nem se iludam. O povo português sempre foi uma marioneta nas mãos daqueles que desejavam e queriam poder. 

décima pergunta: já alguém leu ou estudou a constituição francesa e a declaração dos direitos humanos? Convinha que também dessem uma olhadela, não perdiam nada e sempre ficavam mais cultos! 

A minha mãe costuma dizer que eu a continuar assim vou presa... felizmente sou uma mulher esclarecida, que desde sempre adora colocar a luz do conhecimento geral as evidencias e questionar ate a exaustão, pontas soltas e rabos escondidos que teimam em atirar areia para os olhos daqueles que não tem medo de "bufas mal cheirosas".
Se olharmos com clareza e análise, com olho clinico veremos que os serviços públicos no nosso pais não funcionam... para realizarmos algo, seja profissionalmente, educacionalmente ou até a nível de saúde temos de recorrer ao sector privado. As coisas simplesmente não funcionam, vamos a uma repartição de finanças, gabinete do ministério da agricultura ou outro órgão qualquer e despacham-nos com uma pinta do caraças porque a hora de almoço está próxima. Querem com razão governos e políticas administrativas coerentes... mas como se pouco são os cidadãos politicamente correctos? Seriedade e compromisso é "coisa" que se ouve de vez em quando, mas do ouvir ao fazer, vai uma grande diferença.
Quando estudei no ensino superior não foram poucas as vezes em que "bati de frente" com professores ou outros que sabiam de toda a merda que existia, mas ignoravam porque tinham o cu cheio e nós estávamos lá a desembolsar 1000 euros todos os anos só para propinas... hoje passados 5 anos, aqueles que baixavam a cabeça e me deixavam falar sozinha porque não passavam de cobardes dizem: tinhas razão! Mas dizem porque estão no desemprego... é triste, ridículo... mas o irónico é que mesmo sozinha mudei muita coisa... mas mesmo mudando para melhor eram contra mim... é por estas e por outras que tantas vezes me apetece esmurrar a cara desses e dessas merdas que se andam por aí a pavonear como se fossem barbies e ken's do Samouco.

Para mim, Portugal é a minha terra, a minha nação... nela tenho o meu espaço, os meus direitos e deveres e por eles sozinha ou não continuarei a debater!


Deixo um vídeo que gostei de ver!




Alexandra Martinho

9 comentários:

  1. Um texto pleno de pertinência!!!
    Palavras certas, ideias correctas.
    Quem mudou Portugal?
    Who cares?

    Mania do português medíocre: queixar-se apenas quando sentem os calos apertados.
    E que tal as chamadas medidas preventivas?

    Bom fim de semana.

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    1. É verdade, sim senhora! Não gosto muito de queixumes, tenho por norma não deixar acumular problemas e dei um exemplo: ensino superior em que se faz tanta porcaria e nunca ninguém diz nada... até metem nojo! Andámos década a empurrar problemas para debaixo do tapete e agora que o "people" acordou vem os pobres desgraçados dos "iluminados" dizer que isto tem mudar... então já tem o rabo cheio demais não é? pois é... tenho pena é daqueles que trabalham de sol a sol e ainda tem de levar com a porcaria dos outros!

      Beijo e bom fim de semana!

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  2. Venho agradecer sua visita ao meu blogue e seu comentário.
    No seu não há seguidores, eu não vi.Também tenho num dos
    meus blogues este vídeo.
    Virei sempre que possa.
    Beijinhos
    Irene Alves

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    1. Obrigada, Irene! Já expliquei no seu blog como pode seguir o meu! Está meio que escondido... mas está lá... no canto superior esquerdo :D

      beijinhos

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  3. Ó mulher, estás zangada com alguém? Partiste algum prato ao lavar a loiça?

    A tua explosão tem mais perguntas que os testes que costumo dar aos meus alunos. A diferença? Eles não respondem tão bem!!!:)

    Olha, tens razão. Algumas coisas já eu as escrevi. Já ninguém se lembra do que esteve na origem das primeira e da segunda guerra mundial. Do caos social que então se vivia. mas olha que já nessa altura também havia Pastores no meio das manifestações. Tal como hoje. O povo português foi e será sempre uma marioneta não mãos e mentes de uns poucos iluminados.

    Mas Alexandra, para se fazer uma revolução, seja porque motivo for, terá que haver sempre um chefe. Senão era uma anarquia:) Mas também tens razão que esse chefe terá que ter convicções, amor pela causa! Assim se fará o País....tenhamos esperança (eu não tenho nenhuma!!!!)

    Beijo

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    1. JP,

      eu zangada? Nah! Simplesmente gosto de interrogar, de fazer pensar... mas respostas não dou! Para mim aqueles que se intitulam de líderes não o são, são apenas individuos que usam as necessidades da população para encher bolsos e ganhar relevo perante a sociedade! Foram alías estes "queridos pastores" que em outros tempos levaram à I e II Guerra Mundial!

      Beijinhos

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  4. Em relação às tuas questões, confesso que na minha opinião a base de muitos dos problemas que estamos a viver hoje em dia como sociedade tem a sua origem naquilo que é o modelo do sistema financeiro.

    Em resumo, sendo o dinheiro criado (a partir do nada), sob a forma de dívida, faz com que aos poucos os países fiquem cada vez mais e mais endividados, e logo à merce de quem tem o poder de criar dinheiro, é para mim uma bomba relógio. Uma das bases do modelo é a de que o dinheiro que existe a cada momento é inferior ao total de dívida (na prática o dinheiro é dívida à qual é acrescentado um juro que faz com que o total de dívida seja superior ao total de dinheiro existente), obrigando a que que para se poderem ir pagando as dívidas tem de se estar constantemente a emitir mais dinheiro, que por sua vez sendo novamente emitido sob a forma de dívida faz com que esta vá aumentando cada vez mais e mais, fazendo com que esta relação de dependência entre quem empresta (ou cria dinheiro) e quem pede emprestado vá aumentando cada vez mais e mais, acabando estes por ficar na mão dos primeiros, e aí este poder económico acaba por se sobrepor ao poder politico (reconhecem esta realidade de algum lado?). Isto até ao dia em começa a ser impossível manter o ciclo e a bolha explode.

    Nós metemo-nos a jeito para estar na linha da frente do rastilho...

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)