terça-feira, 2 de outubro de 2012

*E se eu te disser...adeus?*






O tempo passa velozmente por entre nós deixando marcas, deixando o rosto cansado... para onde foi o semblante de outros tempos que luz irradiava, que beleza transparecia? E se um dia eu te dissesse tudo aquilo que nunca disse, as palavras que sempre omiti, o desejo de dizer que te amava... como seria? 
E se eu te dissesse que tinha medo de te perder? E se eu te dissesse no meio de tudo, no meio de nada e do nada, adeus?
O tempo passa e não mais volta atrás, tantas vezes sinto no meu coração as lembranças guardadas de um sorriso que não mais consigo avistar. Por ti, em ti... do que me lembro... esqueci! Não recordo o teu rosto e sinto o meu corpo dormente, porque teus beijos... ah teus beijos, nem sequer me lembro. 
Naquele tempo se soubesses, se soubesses o quanto eu te queria e o quanto te queria dar, jamais terias permitido que te dissesse adeus! Mas também tu, também tu estavas mergulhado em ti, no teu mundo e para mim afinal eras miragem.
Se ao mundo cantasse todos os versos que um dia compus, todas as prosas que cuidei como rosas, não aceitariam as paredes de uma casa vazia o meu adeus... não, não aceitariam.

É disto que tantas vezes tenho medo, do adeus! De fechar os olhos e embarcar no barco da eternidade, uma viagem de ida apenas... com paragens em lugares incertos, remotos de toda uma realidade que fazia sangue e perturbava o meu iluminado ser.
Adeus... não haverá palavra mais cruel que adeus? Adeus aos beijos de língua, adeus à companhia, adeus ao calor do corpo que me aquecia nas noites frias... adeus às palavras sãs que no meio de tanta loucura eram o único porto de sanidade. 

Adeus... e se eu te disser adeus? Que resta de mim? Que resta do mundo? Onde está aquele jardim? aquele onde me perdia em brincadeiras sem fim, somente porque sabia que te virias juntar a mim.
Eu queria amar, queria-te amar, dar talvez este mundo e o outro e com a minha mão tudo parar somente para te ver passar. Queres que te diga? Que te confesse? Confessei tantas vezes ao teu ouvido que não mais preciso dizer... nada confessar! 
E se eu te disser... adeus? Se algum dia eu disser adeus nesse mesmo instante no chão me deitarei... sabes?! Ouvirei o chamamento do céu, porque "ele" sabe que dei o meu melhor e eis que chega nesse instante... a hora da batalha deixar, de regressar à minha verdadeira causa... iluminar-te e ser a estrela... a estrela da tua vida que nada no céu como sereia. 
Mesmo que as melodias parem de tocar, acredita eu continuarei a ouvir a verdadeira canção, aquela que apenas existe aqui, no meu coração!




(I Look To You - Nova Versão que é para mim apaixonante.)


Alexandra Martinho

11 comentários:

  1. A palavra 'adeus' é demasiado forte. Nunca a uso. Prefiro um 'xau', um 'inté', um 'até mais'... agora 'adeus' pode ser profundamente triste, pode ser irreversível, pode ser para sempre.

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    1. Um adeus não tem de ser triste, forte talvez... um adeus, nunca é eterno... depois do julgamento nos voltaremos a encontrar!

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    2. Ui, não me digas que tu acreditas nesse julgamento? ;)

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    3. Acredito que todos nos iremos encontrar uma vez mais... aliás, se Jesus ressuscitou dos mortos e está sentado à direita do pai, porque razão não devo acreditar? 

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    4. Aliás, Fire, não sei se ouviste a música mas o texto que escrevi não pode ser separado da mesma. "I look to you" significa, com fé eu tenho esperança, eu olho para qualquer pessoa e por debaixo da capa que ela usa... vejo um ser iluminado e repleto de amor para dar! 

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  2. Pensa que no término de um adeus nasce sempre um olá!
    Um ciclo que termina inicia outro e a vida renasce e nos mudamos, evoluímos e crescemos.

    Beijo

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    1. Quando ouvi a música que acompanha o texto, foram as palavras que senti que devia escrever!

      beijo

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  3. Excelente texto, Alexandra!
    Parabéns pelo mesmo.

    Vídeo com duas vozes extraordinárias.
    :)

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    1. Quando ontem vi a noticia de que esta música seria lançada no novo álbum da Whitney... decidi ouvir e o resultado foi esse texto!

      obrigada e ainda bem que tem gostado! :)

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    2. Gosto das coisas boas, Alexandra.

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  4. Não gosto de adeus, prefiro um até já. Adeus parece-me tão definitivo, e tão doloroso. Não gosto de partidas, despedidas..prefiro presenças.

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)