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terça-feira, 2 de outubro de 2012

*O Amor e suas (des)complicações*





Dias há na minha vida que gosto de escrever sobre afectos, compaixão, sedução, enamoramento, amor... no fim de contas grande parte daquilo que escrevo é sobre amor. Hoje é mais um desses dias, com a leve diferença de que escreverei sobre as (des)complicações do dito cujo, o amor!
No passado mês de Setembro escrevi um post que dava conta de algo que estava a acontecer nas ruas de Lisboa... a história de um rapaz que andava em busca da sua princesa, princesa essa com o nome de "Diana". De manhã tive conhecimento de que toda esta história não passou de uma campanha publicitária promovida pela cacharel. Como eu, milhares de pessoas apoiaram divulgando a história nos mais variados meios de comunicação social, mas... nem tudo é mau! Embora tenha sido um esquema e uma história com enredos publicitários a uma marca de perfumes, é de realçar que o povo português não ficou indiferente e sim, ainda acreditam no amor ou no sentimento que une duas pessoas. Mas não podemos esquecer que esses milhares de Portugueses, hoje, devem sentir não somente frustração como enganados... adiante...

Li há dias por aqui o relato de uma profissional de saúde que dava conta de uma realidade que ganha cada vez mais terreno, mas quer me parecer que anda tudo cego e a necessitar de uma valente esfrega no pêlo à moda antiga. Estou a falar de tentativas de suicídio junto de adolescentes e de jovens adultos que não aguentando pressões e desgostos amorosos, encontram como resolução a morte, ou pelo menos a tentativa de a essa solução chegar... e quem não chega ou escapa ileso ou fica um dependente para o resto da vida!
Falando de amor, que exemplos tiveram estes jovens ou adultos em casa sobre aquilo que eram ou são relações amorosas? Onde estão os pais e as mães que os educam sem nunca perceber que o filho ou a filha não está bem? Que raio de amor é este, que se vive nos dias de hoje, levando ao suicídio, ao homicídio, a violência, ao ciúme, a possessividade? 

Não, para mim isto não é amor... é uma patologia com origens na infância, em vivências passadas. Se as pessoas na generalidade tivessem conhecimento de que os nossos filhos vivem o amor e relacionamentos amorosos ou sociais segundo os comportamentos que observaram em nós, tenho certeza que a grande maioria dos problemas com que a nossa sociedade se defronta seriam erradicados. Nós enquanto seres humanos somos um composto e um mundo em constante mudança, mas os nossos valores, crenças e atitudes são sempre baseadas nas primeiras informações que recebíamos vindas do ambiente exterior e próximo a nós.
Sei, sei que pode parecer confuso, mas esta é a verdade. O amor não é complicado, nós é que muitas das vezes o complicamos quando andamos de relação em relação sem tirar um tempo para nós, para sarar feridas, para lentamente acordar para a vida e aí sim, viver o amor como ele merece ser vivido... com entrega absoluta!

Uma grande amiga minha, enquanto falávamos sobre toda esta temática, que agora escrevo, disse: "...Tudo isto se reflete na necessidade de nos aprofundarmos cada vez mais na nossa essencia seja pela vertente que for e muitas vezes estas pessoas estão sozinhas..Não têm a fortuna de ter uma Alexandra Martinho na vida delas. "

Ela focou o fundamental, aquilo que tanto procuramos no exterior, está exclusivamente dentro de nós. Só quando aprendemos a amar quem somos é que iremos amar e ter aptidão para receber na nossa vida outra pessoa. Ok, eu confesso, fiquei com as maçãs do rosto vermelhas por ter recebido este elogio sincero. 
Tantas vezes eu digo, existem inúmeras diferenças entre homens e mulheres, diferenças essas que vão desde a maneira de sentir à maneira de estar, mas todos e ambos são seres humanos com uma enorme necessidade de dar e receber amor. Complica-se aquilo que não é complicado e acreditem que seria uma maravilha caso pudéssemos voltar à estaca zero, sem bagagem seria tudo mais fácil (ou não, dependendo das perspectivas, embora eu ache que sim). 

Já me disseram que não entendiam porque razão uma pessoa tão jovem como eu, se debatia e falava destas questões... bem, segundo a minha perspectiva é importante que alguém fale, mas mais do que falar é importante que se aja em conformidade com aquilo em que se acredita... e eu acredito, acredito que respeitadas diferenças, que com o devido acompanhamento de crianças, com períodos de luto respeitados, que com mudança de consciência e valores... nós podemos melhorar a nossa vida, vivendo a mesma com realização e felicidade, não sendo preciso muito apenas amor.

Amor não é egoísmo, não é abrir pernas, não é traição, não é ciúme, não é humilhação, não é controlo... amor é a liberdade de se ser quem é num compromisso assumido, onde a partilha quebra a barreira da vergonha, do egoísmo... abrindo espaço ao afastamento para introspecção sempre que necessário. Amar é estar na plenitude da vida, com a certeza de que eu sou aquilo que pretendo atrair para mim... o melhor e nunca o pior. Posto isto termino dizendo, os nossos filhos são o espelho daquilo que nós somos... tomem sempre atenção porque transmitem sinais de ajuda, ajudem-nos antes que um dia venham a dizer: cheguei tarde demais! (Des)compliquem, não compliquem o que é puro e tão nosso! Iluminem e iluminem-se! Vamos preparar os nossos filhos para a vida e não somente para receber e dar valor a coisas materiais.





Beijinhos

Alexandra Martinho




3 comentários:

  1. Parecer: descomplique-se com efeitos imediatos.

    ;)

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  2. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor. (Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 13)

    PS. Eu falei dessa cena do perfume no meu blogue e falei de ti. :)

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  3. Estou a ouvir esta musica e a ler as tuas palavras e estou arrepiada.
    Não preparamos as crianças para o não, para a rejeição, para os insucessos, para as recusas. A vida são mais nãos que tudo o resto. Dizer não, recusar, também é preparar e ensinar para a vida.

    Beijo*

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