domingo, 4 de novembro de 2012

*Lágrimas de mulher part. II*





(D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen)



Como "disse" no meu último post iria falar de duas mulheres da história do nosso País que muito admiro.
Dei a conhecer um pouco da última rainha de Portugal, D. Amélia, e agora darei a conhecer aquela que para o povo Português ficou como, "o Anjo"!

Falo-vos da rainha D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen, nascida em 1837, na Alemanha e que foi consorte do rei D.Pedro V de Portugal, "O Esperançoso". 
Amada ainda hoje pelo povo alemão, país no qual tem uma estatua onde lhe deixam flores e poemas... era um ser doce, preocupada com as necessidades alheias, sentido em si a verdadeira missão de ajudar o outro. Recebeu uma educação esmerada e católica, nunca sonhando que algum dia viria a viver num país como Portugal. 
A Rainha Vitória de Inglaterra conhecendo D. Pedro e D.Estefânia foi como que o cupido para este relacionamento e posterior casamento, tendo tratado das negociações para que o laço se desse.

D. Estefânia era mulher devota a Deus, que considerava o casamento a fusão de almas gémeas. Além de possuir um enorme senso de estado e humildade que deixou D.Pedro encantado pela correspondência que iam trocando.
D Pedro, um jovem príncipe bastante viajado e preocupado com as necessidades do seu povo, tendo inclusive colocado uma caixa verde na porta do palácio onde povo poderia deixar as suas queixas, considerava as mulheres da sua época futeis, sem sentimentos, demasiadamente preocupadas com a vaidade e não com o interior. 

Na correspondência que trocava D. Estefânia ele sentiu que era ela a tal, a mulher que há tanto esperava, somente ela o compreendia... muito além de Alexandre herculano que tinha sido seu tutor! 

Em Abril de 1958 dá-se o casamento por protocolo e em Maio do mesmo ano, D. Estefânia chega ao nosso país na croveta "Bartolomeu Dias". Porém o tempo e a morte cedo viria separar estes dois seres que tanto se amavam. 
A 18 de Maio dá-se o casamento real na igreja de São Domingos, e quando o povo vislumbra D. Estefânia de mão dada com o rei exclama: "A Rainha vai morta, vai de capela!" e três gotas de sangue caem sobre o vestido branco e magnifico. 




(D. Pedro V e D. Estefânia)

D. Estefânia não suportara o peso do magnifico diadema de quatro mil diamantes que a fez sangrar da cabeça.

Esta mulher era feliz, tinha ao seu lado aquele que ela acreditava ser para toda a vida, a sua alma gémea enviada por Deus, o predestinado. Passaram dias magníficos em Sintra, uma lua de mel repleta de amor, em que tantas vezes foram avistados a passear pelos jardins de braço dado.
Ela era a força que D. Pedro necessitava, visitava hospitais, orfanatos e ficou extremamente angustiada com a falta de humanidade e condições em que os doentes estavam no hospital de São José e centros com condições salubres. Decide doar por inteiro o seu dote de casamento que serviria para construir o actual hospital D. Estefânia (último pedido antes de falecer), para remodelar outras tantas instituições e ajudar os carenciados.

Após um ano e dois meses de casada, aos 22 anos, o "Anjo", assim pelo povo chamada, voltou para Deus... vitima de difteria, doença contraída numa visita a vendas novas. Não deixou descendência e segundo consta, a autopsia revelou que ainda se encontrava virgem. Partiu deixando um rei que nunca mais seria o mesmo e um povo que nunca a esqueceria, o mesmo que exigiu a mudança de nome de hospital da bemposta para D. Estefânia.

D. Pedro morre dois anos depois vitima de febre tifóide, mergulhado num profundo desgosto de ter perdido o ser que tanto amava... o "Anjo"!

Termino com os olhos cheios de lágrimas, pois tirando alguns aspectos esta poderia e pode ser também a minha historia!

Bom Domingo a todos...


Alexandra Martinho








4 comentários:

  1. Alexandra?

    Estive a ler estes posts e sinto uma grande tristeza por aqui, sei que por vezes é preciso parar, mas...

    Abraço grande e aceitas um sorriso?

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    1. Não existe tristeza por aqui, Argos! Apenas verdade de que todos somos humanos e que amamos independentemente de condições sociais, estatutos, ou seja o que for!
      Foi com prazer que partilhei um pouco da nossa história, desta vez com os sentimentos que estas personagens sentiram...

      Abraço grande e sorriso aceite!

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  2. Uma vida rica e generosa numa mulher triste e parece-me bastante infeliz. Já conhecia a parte mais conhecida da história. que gostava de crianças, que se preocupava com os pobres, e que tinha doado as suas jóias para a construção do ainda hoje Hospital D. Estefânia, desconhecia que nunca tinha sido amada enquanto mulher, nem feliz.

    Não quero que esta seja a tua história, tens que ajudar-te a ti mesma a escrever outra. Vale?

    Beijo enorme, e um abraço grande, cheio de ternura.

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    1. AC,

      ela não foi infeliz muito pelo contrário... o amor que os unia não é este amor que tantos conhecem e falam... é muito mais profundo, muito mais puro... o amor deles era puro, cristalino... um amor espiritual que se consumava no físico... é assim o amor que sinto pelo homem que tenho na minha vida!

      Um beijinho grande!

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