quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

'E assim nasceu o menino'






"Quero tornar-me aquilo que sou: uma criança feita de luz." - Mansfield , Katherine


Se por entre palavras e linhas tanto digo, não é menos verdade que quase a beirar o final de mais um ano e já que celebramos o nascimento do menino, este texto é para ti.
Viver é uma viagem que nos leva ao encontro de alguém, a vida levou-me ao teu encontro, ao teu abraço, ao teu beijo, ao nosso entrelaçar de dedos e conversas que só nós percebemos.
O amor não se explica, o amor sente-se, sente-se no pulsar do coração que bombeia o sangue que mantém o corpo quente. 

Nunca será demais dizer o quanto te amo, o quanto gosto de ti. Fica mais um pouco junto a mim, para quê partir quando ainda há tanto por fazer.
Vives dentro de mim, hoje percebo que sempre viveste e que a vida... sim, a vida, encarregou-se de te materializar nesse corpo. Um corpo de homem-menino que apesar de todos os percalços e desilusões continua a acreditar que os sonhos comandam a vida. 
Este natal e, toda a minha vida, a única coisa que verdadeiramente posso partilhar contigo sou eu mesma. Vamos partilhar sonhos, planos, carinhos, escolhas e, fundamentalmente, amor! 
E nasceu o menino, um dia ele nasceu e ao mundo cor deu. Obrigada, Fernando! Obrigada por seres quem és! Obrigada por seres um dos pilares que dá ímpeto à minha força de viver. Obrigada, obrigada por um dia teres aberto a porta das oportunidades que somente o amor nos confere. 
Se viver é tudo isto e muito mais, sinto-me feliz porque vivi puramente aquilo que o comum dos mortais consegue viver.


Feliz Natal, meu amor para sempre e de sempre!


Alexandra 






segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

'Feliz Natal'







"Deus concedeu-nos o dom de viver; compete-nos a nós viver bem." Voltaire



Sabe bem viver quando viver significa respeito por todas as criaturas deste mundo que nos envolve e que seria um tanto ou quanto melhor caso os afectos fossem valorizados. A vida é um dom que desperdiçamos ao longo dos anos através de situações de desgaste e palavras proferidas ao vento que ferem e separam laços que somente Deus teria capacidade de quebrar.
Será que vivemos bem? Quantas vezes ao longo de um ano paramos para reflectir sobre cada evento que acontece no dia-a-dia? Dizemos aos outros que os amamos? Que temos saudades? Abraçamos e beijamos como seria desejável?
Fala-se muito de e sobre o natal, mas até que ponto o simbolismo deste é vivido e sentido no coração?
O esquecimento puro e duro é algo que assola a sociedade contemporânea. Uma pressa desmedida de viver que contorna estágios importantes à edificação da identidade individual, a identidade que todos temos ou que pelo menos deveríamos ter.
Perde-se demasiado tempo pelos meandros do julgamento, não se olha nos olhos, olha-se o chão. A inocência, que é feito dela? As crianças de hoje será que ainda são inocentes?
É fácil olhar para longe sem responder às necessidades imediatas e não imediatas do que existe por perto. Criam-se realidades paralelas, escapes fugazes que ao primeiro abanão caem por terra, atrai-se o passado e deste comodismo recambolesco não se avança. Algures há, uma qualquer lembrança, de que no dia 25 de Dezembro todos os esforços devem ser feitos como compensação dos 365 dias marcados por ausências e desencontros.
Estamos longe, caminhámos para lá de longe do verdadeiro significado do natal. Esquecemos inadvertidamente que o natal simboliza o nosso próprio nascimento, o inicio da nossa própria vida.
As provas e os contratempos servem para testar os alicerces da nossa "casa". Não, a vida não espera de nós acomodação ou paragem no tempo, espera que nunca esqueçamos quem partiu, espera que choremos por eles e por nós... espera que sejamos genuinamente felizes. Saber viver implica ter fé e confiança, apenas isso.


Desejo-vos um feliz Natal e um próspero ano 2014!


Um beijo e um abraço fraterno a tod@s!


Alexandra Martinho









sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

'Uma estúpida realidade de valores invertidos'





Numa altura em que tanto se fala do despertar da consciência humana, olho em redor, e vislumbro aquilo a que denomino de uma estúpida realidade de valores invertidos onde inadvertidamente saltam-se importantes etapas do amadurecimento da inteligência emocional de cada um. 
Por aí encontrei a imagem que ilustra o texto de hoje e que nos coloca a seguinte questão: Porque razão os relacionamentos terminam tão cedo? A resposta é desconfortável para a grande maioria, mas não será que além da concórdia podemos juntar uns outros quantos itens para complementar?
Manter um relacionamento é um "exercício" que requer esforço? Com o evoluir dos tempos e da sociedade o desenvolvimento individual e psíquico é muitas das vezes coagido pela força das massas. Queiramos ou não, o namoro é uma fase importante da vida onde através do outro nos descobrimos. Mas será vivida de forma correcta? E o casamento? Porque razão a palavra misogamia* está cada vez mais presente na nossa vida, no nosso vocabulário?
Estar com alguém, estabelecer laços íntimos com outra pessoa é dos acontecimentos mais gratificantes que ocorrem e com ele crescemos, cometemos erros, viramos páginas da nossa vida escritas com uma caneta partilhada.

Namorar não é morar de imediato sob o mesmo tecto, é conhecer o outro lentamente sem ter pressa de conhecer. Namorar é ter espaço de após uma discussão, ir cada um para sua casa, arrefecer os ânimos para mais tarde conversar restabelecendo o vínculo que por horas ficou suspenso. 
Que aconteceu à inocência do namoro? Onde ficou a descoberta do casamento? Vive-se tudo fora do tempo, confundem-se as águas e depois falam de rotina, de infidelidade. Não sabem viver, não sabem estar, querem tudo para o ontem e saltam... saltam de relacionamento em relacionamento por medo e auto-desconhecimento.

Defendem por aí que namoros longos originam divórcios prematuros, porém não é o tempo de namoro que dita o fim de um relacionamento, mas sim, a falta de um projecto de vida que norteie a vida do casal. 
Amar alguém para e além de nós é um treino constante às nossas capacidades e faculdades que se debatem numa convivência diária com defeitos, virtudes e manias que não as nossas. (Convém não esquecer as negociações e cedências.)

E quanto ao casamento... esqueçam a cerimónia, o contrato, o vestido, o fraque, os convidados e centrem-se na união, abram portas ao que realmente importa e que é tão somente o afecto, o laço, o projecto. 
Tenho esperança que um dia a frieza seja invertida e, por sinal, haja mais confiança e paciência para "dançar o tango"!

Termino com esta questão: Até que ponto a fuga de um compromisso não guarda em si o medo de ser magoado/a ou simplesmente, falta de amor? De um membro ou de ambos.

Votos de um bom fim-de-semana!



Alexandra






misogamia* aversão ao casamento 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Porque não regressar?






A necessidade de ausência tem sido algo marcante nestas últimas semanas e acredito que a época que se aproxima reabriu a "ferida fresca" que teima em não sarar. A saudade, quantas saudades sinto algures no interior do meu coração. Gostava de poder dizer que estou bem, mas porque raio tenho fingir o que não sinto? Nas horas "mortas", momento em que agora escrevo, surge o espaço, o tempo vindo do além  em que disseco lentamente as diversas esferas da minha vida e é um facto... há muito que concertar, muito para deixar simplesmente repousar e porque não até chorar.

Para terminar deixo uma música que sempre gostei de ouvir, tem algo de especial que somente aos meus botões quero explicar.
Espero-vos bem, quero-vos bem!


Beijinho,


Alexandra 




sexta-feira, 22 de novembro de 2013

'O Espelho da vida'











A vida é um espelho que reflecte a todo o instante o lado puro ou sombrio daquilo que vivemos internamente. As situações exteriores que se desenrolam e que constituem o nosso campo de vivências são projecções recalcadas do nosso inconsciente, materializadas através de emoções ou pessoas. 
Ao sermos dotados de intuição e inteligência, será que observamos os diversos eventos da vida por que passamos com a devida atenção? O que aprendemos? Até que ponto não embrulhamos passado e presente?
O ser humano tem a inata capacidade de se auto-vitimar e acomodar perante o que lhe acontece, age quase que de forma despreocupada e negligente até ao momento em que o "deixa andar" deixa de funcionar.

Vejamos este exemplo: Como são as nossas relações com figuras de autoridade? Não será que elas espelham a nossa autoridade interna e primeiros contactos com figuras de autoridade? Como nos relacionamos com os nossos parceiros amorosos e sexuais? Até que ponto não são eles o espelho das nossas visões infantis de relacionamentos íntimos observados através dos nossos pais?

São estas e outras questões que raramente nos propomos a formular, continuamos a brincar com a vida e não nos dispomos a olhar com humildade para o espelho que temos diante dos olhos todos os dias.

Somos cegos, cegos de nós mesmos e negligenciamos as diferentes partes que perfazem o nosso todo.

Um beijinho e um bom fim-de-semana a todos!





Alexandra

sábado, 16 de novembro de 2013

'Rame-rame do Costume'






Por aí algo se perde, qualquer coisa que fica por dizer, por fazer e parecendo que não, lentamente, o coração entra num labirinto que o afasta do verdadeiro lar.
Não existem minutos, suficientes, para que os olhos observem sossegadamente aquilo que os cerca, não há tempo ... o vazio que turva o sentimento, o costume de estar acostumado ao rame-rame com que se blinda a vida. Tudo parece enfadonho e os rostos que não mais se olham são os mesmos que tarde ou cedo para sempre se afastam. 
Qualquer coisa de estúpido, de infame acalenta a civilização das ruínas onde a mais mortífera das doenças lentamente seca a alma. 
No rame-rame do costume todos fazem o mesmo, praticam e conjugam alegremente o verbo derrotar porque tudo é uma questão de competição.
Esqueceram a finalidade, deixaram de questionar, caminham... simplesmente caminham por aí como autênticos moribundos.

Recusar a mudança é esquecer a finalidade de viver. Esquecer de olhar e alimentar o sorriso de quem se ama é entrar nas sombras da falsa garantia de que tudo está garantido. 
Olha... um simples olhar basta para purificar a tua vida. Não esqueças quem te ama, olha-a nos olhos porque a pessoa que um dia amaste ainda existe. Observa atentamente cada evento que vivencias e não chores pelo que já não tens porque poderás vir a chorar por aquilo que acabaste de perder de tanto chorares pelo que já foi e não te pertence mais.
O diluvio ao homem retirou aquilo que este pensava ser seu, mostrou que humildade e coragem são ferramentas necessárias e próprias da finalidade de manter presente aquilo que é fundamental, um coração purificado e livre.


Um beijinho e um bom fim-de-semana a todos!









Alexandra


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

'Reflexão E Ponderação: O Melhor Caminho'







Algo paira no ar e não é de hoje, nem de agora que o sinto. Os acontecimentos externos são como uma flor, acontecem no tempo certo, na medida certa para algo transmitir. Quem com eles algo aprende evolui, quem não aprende na teia se prende. 
Uma quanta tristeza invadiu o meu coração e, sinto, sinto que é tempo de quietude, contemplação e espera. 
Volto-me para dentro, uma viagem ao centro de mim, ao espaço solitário onde tudo penso, onde tudo acontece. Faz sentido parar para observar, sair desta pele e com um novo olhar observar cada situação... perguntar ao céu - vale a pena o desgaste?
Como anteriormente escrevi, gosto de ter tempo para ter tempo para mim, algo que desapareceu nos últimos tempos e faz-me falta.
Dentro do meu peito, somente neste peito tenho as respostas.



Quero a todos desejar um bom fim-de-semana!







Alexandra

domingo, 27 de outubro de 2013

'O tempo tudo transforma'






O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos."Boileau , Nicolas



Poderia responder a cada comentário de felicitações pelo meu aniversário mas, confesso, que prefiro escrever algo que vá mais além que um simples agradecimento.
Necessito ter o tempo de ter tempo e somente dessa forma faz sentido viver, pelo menos, para mim! Como já havia dito encaro os meus recentes vinte e nove anos como o ano da resolução de assuntos pendentes que não posso, nem quero continuar a carregar na minha vida. 
Sei o que vivi, o que cresci e aprendi nesta última década. Doeu, uma dor que originou bagagem que não arrumo ou deixo por aí ao desbarato porque sem ela nada sou. 
Gosto de passar por aqui e escrever, deixar algo que não seja apenas uma palavra bonita. É necessário sumo, faz falta sumo, sumo coerente e devidamente fundamentado porque de balelas está o mundo cheio.
Se perguntarem: estás cansada? Estou bastante e nos últimos dias o meu cérebro tem vindo a acusar desgaste com alguma perda de memória e desatenção. Problemático? Talvez! Sei, no entanto, que ainda não é tempo para descansar porque a realização de sonhos, dos meus sonhos depende de mim. 
O amanhã não chegaria para escrever tudo aquilo que necessito, é muito ou talvez nada... mas o valor... não há valor que pague aquilo que mora dentro do meu coração.
Faz sentido viver quando não deixamos de seguir o rumo, quando não perdemos o trilho da nossa jornada. 
Chegou a hora, o momento certo de olhar para trás e analisar tudo aquilo que foi construído... é o momento, o momento da Alexandra.

Obrigada meus queridos e queridas pela vossa amabilidade e pelas recordações que deixaram num dia que não vou esquecer.


Um bom domingo para todos!


Alexandra






(Tinha saudades de ouvir esta banda)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

'Hoje é o meu dia com 29 primaveras à Mistura'








“Chegamos exactamente onde precisamos chegar, porque a Mão de Deus guia sempre aquele que segue seu caminho com fé.” (Paulo Coelho)


A cada aniversário há um novo ciclo de vida que se inicia, um momento de paragem e reflexão que nos incita a caminhar por caminhos tantas vezes sinuosos da nossa própria descoberta.
É o meu dia, o meu aniversário, um aniversário marcado pela ausência de quem partiu sem aviso prévio. Marcado pela certeza de que para o ano serão trinta, porque hoje, hoje são vinte e nove... o vinte que resta dos vintes. Marcado pela ternura de sentir que hoje tenho por perto quem amo.
Olho para trás e sorrio, descubro que cheguei onde precisava chegar e que as vitórias não ficam por aqui. Os sonhos não morreram, a realidade existe, a fé é a esperança em forma de tocha que ilumina o caminho em dias sombrios.
Sinto a vontade de chorar e olho o céu, há uma estrela que brilha ali perto com uma luz familiar. Conheço-a, sem sombra de dúvidas que a conheço e neste conhecimento profundo quem me dera poder abraçá-la. 
Estou bem, a Alexandra criança ainda existe, a Alexandra mulher vive e a guerreira lava a  armadura no rio sem qualquer tipo de pudor... é tempo de descansar, tempo de aproveitar o dia e viver.

Tudo tem um propósito, um sitio e uma hora certa para acontecer e tudo acontece porque assim tem de ser. 
Gosto de caminhar na vida, de sentir a vida em mim e ela bem o sabe. Quero deixar para todos um beijo, um abraço e vamos fazer dos obstáculos os degraus necessários para atingir o sucesso.


Uma boa semana para todos e um maravilhoso dia para mim,


Alexandra Martinho











quarta-feira, 9 de outubro de 2013

'Pensamentos no mundo dos esquecidos'








"O espírito mais penetrante precisa da ajuda do tempo para garantir por segundos pensamentos a justiça dos primeiros."


Gosto de me passear por entre espaços, sítios que transmitem paz. Ontem foi o dia. 
Numa altura em que caminho a passos largos para mais um aniversário necessito parar e observar atentamente a minha vida. O que deve ficar, o que deve partir? Que ganhos, que perdas?
Caminhei... sozinha no pensamento, acompanhada em corpo presente e era mística a sensação que sentia. Leveza no peito, certeza de um adeus para breve. Estranho? Talvez! Tantas são as vezes em que sinto a minha alma idosa, tão vivida num curto espaço de tempo e eu, eu que tanto aprecio aquilo que o tempo oferece. É altura de rever os apontamentos, seguir a continuação dos trilhos do meu destino, olhar pelos profundos desejos de uma alma que parece ser idosa. 

Algures em pensamentos revisitei a música com que encerro este "curto" texto.






Num mundo de esquecidos, não esqueci, nem esqueço de ser menina para todo o sempre


Boa noite e excelente quinta-feira!


Alexandra





terça-feira, 1 de outubro de 2013

'Dia Mundial da Música' 








Eu Peneiro o Espírito e Crivo o Ritmo

Eu peneiro o espírito e crivo o ritmo 
Do sangue no amor, o movimento para fora 
O desabrigo completo. Peneiro os múltiplos 
Sentidos da palavra que sopra a sua voz 
Nos pulsos. Crivo a pulsação do canto 
E encontro 
O silêncio inigualável de quem escuta 

Eis porque as minhas entranhas vibram de modo igual 
Ao da cítara 

Eu peneiro as entranhas e encontro a dor 
De quem toca a cítara. A frágil raiz 
De quem criva horas e horas a vida e encontra 
A corda mais azul, a veia inesgotável 
De quem ama 
Encontro o silêncio nas entranhas de quem canta 

Eis porque o amor vibra no espírito de quem criva 

O músico incompleto peneira a ideia das formas 
Eu sopro a água viva. Crivo 
O sofrimento demorado do canto 
Encontro o mistério 
Da cítara 

Daniel Faria, in "Dos Líquidos"












Votos de continuação de uma excelente semana,


Alexandra

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

'Pensamentos meus com Música'








Porque os pensamentos são a força que dá corpo às palavras, nesta noite chuvosa que abre portas ao fim-de-semana, deixo-vos com estas escolhas musicais:





















Um excelente fim-de-semana a todos os que passam pelo "ouso escrever"!


Alexandra Martinho



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

'Chuvada'









Quantas palavras poderia dizer 
ao som da chuvada?
As linhas, a pena e eu no cimo da colina
à espera da alvorada.

O cântico dos pássaros entoam
nesta manhã que me brinda em lágrimas.
Que choro divino vislumbra meu olhar cansado,
sinto frescura na pele rasgada pelo passado.

Quantas palavras poderia dizer
ao som da chuvada?
Abraça-me amor do meu peito 
e deita-te comigo neste novo leito.

Ao som da chuvada quero que saibas
que meu beijo são palavras sagradas.
Nesta fria alvorada escrevo teu nome na terra molhada,
porque estas são palavras que digo ao som da chuvada.


Alexandra Martinho








quarta-feira, 25 de setembro de 2013

'I hope you find It'









A música ao longo de quase 29 anos tem estado presente na minha vida, nasci a ouvir música, morrerei com ela no meu coração. Quem conhece a Alexandra, inevitavelmente, sabe que de todos os artistas que ouço diariamente há uma que se destaca, Cher.
Aos 67 anos e com 50 de carreira, eis que surge a diva com o novo álbum "closer to the truth". Em Portugal associa-se o nome Cher ao "hit-single" Believe, desconhecendo-se quase por completo os programas de humor de grande sucesso da década de 70 ao lado de Sonny Bono, a era Rock dos anos 80 e a importante carreira de cinema que lhe concedeu um óscar para melhor actriz no filme "o feitiço da lua" em 1987.
Apesar de todos os altos e baixos e contra todas as expectativas e críticas, Cher, continua no activo preparando-se para em 2014 voltar à estrada com a tour "dressed to kill".
Penso que nesta mulher reside um exemplo de força que não deve passar despercebido, afinal, nunca devemos desistir dos nossos objectivos independentemente dos obstáculos ou vozes que se levantem contra nós.

Identifico-me com ela muitos aspectos, na irreverência, na reinvenção constante, na voz presente e de longo alcance... de ser quem é e de agir em consonância com os seus princípios/ideais.


Deixo-vos com o seu mais recente single, numa actuação ao vivo no programa da CBS - Late Show with David Letterman.




"If you are going to wait for someone to encourage you to do something, you just better give it up." Cher


Continuação de uma excelente semana a todos,


Alexandra Martinho

domingo, 22 de setembro de 2013

'Ouso Escrever - além da escrita, a mulher'







Por incrível que pareça faz hoje um ano que iniciei a minha viagem acompanhada de palavras pelo mundo da blogosfera. Escrevo por e com paixão, a mesma paixão com que vivo e sinto cada emoção na pele, na mente, no coração.
O "Ouso Escrever" não surgiu por brincadeira, mas sim, pela necessidade de dar asas e luz a uma parte de mim que durante anos esteve confinada a uma caneta e folhas de papel. Comprometi-me a escrever como sempre escrevi. Uma escrita repleta da doce agressividade que não falasse apenas de intimidade ou de coisas banais, que quebrasse as fronteiras do politicamente correcto e tocasse nos pontos essenciais para um novo despertar.
há um tempo para tudo, a altura certa para executar aquilo que nos dá prazer e isso não deixo em mãos alheias. Os últimos anos da minha vida foram difíceis de viver e quando todos pensaram que iria simplesmente desaparecer, eis que provo de que material é feita uma mulher, digna de ostentar honrosa designação - ser mulher.
Quando tomei consciência da minha singularidade e do quanto sou especial comecei a apreciar cada vez mais os momentos de solidão, introspecção e, com "eles", aplaudir calorosamente os frutos de decisões tomadas com consciência.
O amadurecimento afectivo e emocional assente numa postura "fria" alimentou a necessidade de elevação interior para enfrentar cuidadosamente cada desafio que vida me propõe. Equilíbrio da mente e do corpo.

Agradeço aos que ficaram, aos que partiram. Agradeço a todos os que têm feito do "ouso escrever" um espaço de partilha e aprendizagem.
Não estou de partida, ainda agora cheguei e como as palavras por hoje esgotaram-se... deixo-vos com a seguinte escolha musical:




pouco importa se tal melodia fez parte da banda sonora de uma novela, aqui, o importante são as emoções, os significados que os violinos e as vozes escondem. Esta música fala de mim, conta cada passo que dei, cada lágrima que chorei e sim, aos céus tantas vezes gritei quando senti desamparo e o corpo moribundo. Perto estarei de quem amo, para longe vou de quem deixou de amar. Não esqueço, nunca esqueço quem marcou a vida escrita nesta alma que nunca esteve adormecida.


Um beijo e um obrigada a todos deste coração para o vosso, coração!



Alexandra Martinho 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

'Síndrome de Peter Pan - O marasmo do prazer fútil e da terra do nunca'










Há cerca de trinta anos o psicólogo norte americano Dan Kiley identificou em contexto social o síndrome de Peter Pan ou, por outras palavras, o adulto que se quer eternamente jovem.
Todos nós conhecemos a história de Peter Pan e a terra do nunca. Sabemos que o seu maior desejo é a eterna juventude como tudo aquilo que ela simboliza, uma personagem e ideologia que em tudo contrasta com Wendy. 
Nos últimos cem anos sociedade e família têm sofrido derradeiras transformações, transformações essas que incitam à vivência de prazeres imediatos que provocam danos a longo prazo no corpo e na vida do indivíduo. Todos os dias os mass media através das múltiplas mensagens motivadoras e manipuladoras alimentam o desejo pela eterna juventude, um desejo exacerbado que repercute-se em comportamentos de risco, bebedeiras consecutivas, uso esporádico de drogas, noitadas sem fim e grupo de pares que levam sempre ao mesmo tipo de comportamentos. Tudo, mas sempre tudo em prol de uma reputação de "bon vivant et forever young"

Aplicamos o síndrome de Peter Pan a indivíduos do sexo masculino e feminino com mais de trinta ou quarenta anos que continuam a levar um estilo de vida próprio da adolescência. Extremamente vulneráveis e sensíveis a críticas possuem geralmente baixa auto-estima embora disfarçada. Viveram num ambiente familiar castrador e as primeiras amizades não foram de todo as mais aconselháveis para a construção de uma personalidade sã.
Abraçadas por um enorme vazio afectivo desde a infância continuam, agora, na idade adulta a sentirem-se desprotegidas e angustiadas quando a vida as desafia e lhes apresenta o desconhecido.

Falam da vida pessoal e profissional sem entenderem onde se situam as fronteiras entre público e privado. A insatisfação apesar de permanente é ladeada pela ausência da tomada de decisões para resolução de problemas. Querem tudo e nada fazem para alcançar esse tudo.
Embarcam e são facilmente influenciáveis pelas opiniões de terceiros, acham que a vida é para ser vivida sem limites ou reflexões. O compromisso, no verdadeiro sentido da palavra, é um obstáculo ao "ideal" de liberdade tal como, conversas sobre saídas nocturnas e directas são motivo de vangloriação social, afinal não podemos esquecer que quem não tem uma vida social muito activa é olhado de lado, considerado/a uma autentica múmia. (Ironia)

O presente texto não pretende ser uma critica destrutiva ou social, mas é importante que perante o caos que vivemos se pondere e reflicta sobre comportamentos, atitudes e palavras que vamos tendo ao longo da nossa vida. É imprescindível compreender que tudo tem um tempo certo e indicado para acontecer, que o corpo emana sinais, negligenciados, sempre que fazemos algo que nos desrespeita. 

Faz falta viver com paixão e respeito pelo ser, de parecer está o mundo farto e isso é visível a cada esquina, a cada rosto sisudo e carregado. As mentes adormeceram e as almas perderam-se.



"Viver é a coisa mais rara do mundo - a maioria das pessoas apenas existe."



Uma excelente quinta-feira a todos!


Alexandra Martinho


terça-feira, 17 de setembro de 2013

'A Grande barraca Nacional -  Leilão de objectos pertencentes à família Real Portuguesa sem conhecimento das autoridades nacionais"'





(estes são apenas alguns dos exemplares em leilão que podem ser encontrados aqui)




Aquando da queda da Monarquia a 5 de Outubro de 1910 grande parte do espólio pessoal/nacional da família real Portuguesa ficou espalhado pelos diversos países onde esta fixou residência após o exílio.
Como todos sabem ou pelo menos deveriam saber o Palácio Nacional da Ajuda outrora chamado de "A barraca real" alberga no seu interior diversas colecções (tapeçaria, faiança, mobiliário, fotografia, ourivesaria/joalharia, pintura e afins) algumas resgatadas em leilões internacionais e outras que haviam sido confiscadas e reunidas pela Primeira República e Estado Novo a todas as propriedades dos Bragança.

Hoje, enquanto todo um país se debate por questões políticas e futilidades adjacentes, vão a leilão inúmeras peças nacionais pertencentes à familia Real Portuguesa.  

Oriundas de coleccionadores privados (onde constam filhos e netos de empregados da Rainha D. Amélia) e da própria família real italiana de onde a Rainha Maria Pia era descendente, estas peças contam parte da existência de uma nação de que todos deviam ter orgulho. 

É impressionante verificar o esquecimento que paira neste pobre Portugal. Portugal está pobre, pobre de valores e de pessoas que se dignam a ser pessoas como manda a antiga lei. Muitos são os discursos, as filosofias, o "ai meu deus do céu" e poucas, muito poucas são as acções em prol da defesa dos nossos interesses. Interesses de todos!
Na esfera pessoal de cada um é a merda que vemos dia após dia, relacionamentos que fracassam, coscuvilhice sem fim e erros que se repetem vezes sem conta como autênticos padrões enraizados. 

Pena é o que sinto!

Os Portugueses gostam de levar no traseiro sem qualquer tipo de permissão ou lubrificação. É vergonhoso, para mim é vergonhoso assistir a todo este estado de passividade e inércia a que se sujeitam dia após dia. 

O poeta é um fingidor e os Portugueses têm alma de poeta, são grandes fingidores para o bem e para o mal. Está sempre tudo mal, mas está-se bem assim!


Alexandra Martinho




(Uma música que apenas diz o quanto estou farta de gente e coisas de merda)