domingo, 3 de fevereiro de 2013

*Bebe, mas não bebas a vida*






"O vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente a uma agradável alegria.” Sócrates [470-399 a.C.] – Filósofo grego



Já passou mais de uma semana desde a última vez que publiquei algo neste meu espaço, não que tenha parado de escrever, simplesmente é bom fazer uma paragem geral de vez em quando e aproveitar outras coisas... as coisas simples e boas da vida.

Quero hoje "falar" sem ferir susceptibilidades sobre uma realidade que está a tomar proporções descontroladas sobretudo junto da população jovem, o alcoolismo.
Infelizmente, através das últimas noticias que tem saído sobre este tema, compreendo que a sociedade civil Portuguesa ainda não está devidamente informada sobre os perigos que o consumo de álcool "oferece" aos jovens, entre os quais: perturbação no desenvolvimento físico, diminuição na capacidade de concentração, desempenho de tarefas, enfraquecimento do cérebro, entre outras consequências que surgirão a longo prazo.

Por alcoolismo compreendemos, o consumo excessivo e constante de bebidas alcoólicas    cujo comportamento interfere negativamente em todas as esferas da vida de um indivíduo. Sendo, por isso, considerado um vicio passível de ser tratado.

Esta realidade existiu na minha família terminando em mortes por cancro após anos de consumo desmedido de bebidas alcoólicas. 
Todos nós sabemos que faz bem à saúde beber vinho tinto às refeições, mas um garrafão de 5litros?! Uma caneca de vinho ao pequeno almoço?! ou aguardente para substituir refeições?! Não, não creio que seja esse o caminho nem de perto, nem de longe, mas era isto mesmo que o meu bisavô paterno fazia. Ao almoço, ao jantar, bebia sempre um garrafão de 5 litros de vinho tinto e de Inverno aquecia o mesmo num dos tachos de cobre que hoje ainda temos. Faleceu aos 75 anos vitima de avc e comprometimento do fígado. 
O meu avô paterno, genro do bisavô de que falo, por causa do álcool em excesso colocava a minha avó e o meu pai a dormir na rua, além das tareias que lhes dava sem razão aparente. Faleceu com 79 anos vítima de cancro do cólon com fígado totalmente destruído e sim, ele pertencia àquela geração criada com sopas de cavalo cansado, tal como bebia pela manhã uma caneca de vinho tinto. 

É fácil reconhecer quem bebe por prazer, para esquecer ou por vicio... é fácil identificar um homem ou mulher dependente do álcool. Acho que na grande maioria dos casos devemos usar esta expressão "Não julgues alguém pela capa, quando desconheces o conteúdo das suas páginas".
Lanço a pergunta, o que leva tantos jovens na actualidade a beberem descontroladamente? Será que ainda andamos com a velha teoria de que se não beberes até cair de cu não és homem? Ou será que estes mesmos jovens encontram através do álcool aquilo que não têm em casa? (Atenção, aceitação, carinho)
Custa-me a acreditar que uma sociedade que se diz tão evoluída continue a fazer vista grossa a um flagelo existente em tantas casas Portuguesas, mas como em tudo, só quem passa por "elas" é que consegue dar o devido valor.

Jovens, adultos, todos aqueles que ficam dependentes deste vício sofrem e com eles todos os que os amam... mas ainda há quem goze, quem se aproveite da situação. Costumo dizer se temos de apanhar uma "piela" que a apanhemos em casa, pelo menos assim sabemos onde estamos e a paragem mais certa é sem dúvida o vale dos lençóis para somente acordar no outro dia de manhã. 

Já alguma vez me embebedei? Não e raramente toco numa pinga de álcool que seja, quanto muito bebo esporadicamente um copo de vinho à refeição para saborear e acompanhar o Fernando. 
Penso que devíamos estar, ser mais atentos às necessidades daqueles que nos são próximos. Devemos dar um pouco mais de nós e sendo a vida uma escolha, abrir os braços para um abraço sincero devia ser uma dessas escolhas. Não fico feliz de olhar em volta e ver toda uma realidade em ruínas onde temos PESSOAS que se afogam no tempo, em depressões, em mágoas, em álcool... pergunto: porque nos passa tudo isto ao lado? Detesto quando dão a entender que alguém é bêbado ou o/a chamam literalmente em alto e bom som o tal nome. E que tal, que tal parar para pensar, sentir um pouco aquilo que se passa com o outro?

Vou terminar por aqui reforçando a ideia de que faz falta pessoas mais esclarecidas, mais companheiras e pouco julgadoras. 


Bom domingo a todos!

Alexandra Martinho

14 comentários:

  1. Olá Alexandra,

    quando abordamos temas como este faz sempre falta testemunhos pessoais da realidade, porque uma coisa é aquilo que os estudos dizem, outra é aquilo que vivemos dia após dia.
    Sempre pensei para os meus botões que eras e és uma mulher com uma visão ampla e vivida da vida e eis que surge um exemplo. Sinto, porém, que tinhas mais para dizer, mas como sempre, os teus textos são para nos fazer reflectir!

    beijinhos e obrigada!

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  2. Escolheu um bom tema para retomar a actividade blogueira.

    Não me importando em ferir susceptibilidades, digo que uma das coisas que nunca entendi foi levar a cabo uma campanha anti-tabágica feroz e nada foi feito(ou quase) contra o alcoolismo.

    Devo dizer que bebo socialmente e que fumei desde os 18 anos, embora pouco - com execepção do período de divórcio.

    Desde há muitos anos, fumo muito ocasionalmente e nem sequer compro tabaco .

    Enfrentemos a verdade: se eu fumar um maço inteiro de tabaco, não corro o risco de entrar em violência nem de estampar um veículo motorizado contra seja o que for. Mas com o alcool isso já é possível e nem é necessário beber uma garrafa inteira seja qual seja a bebida.

    Se colocam nos maços de tabaco fotos chocantes, porque não as colocam também nas garrafas ?!

    Porquê então a diferença nos alertas?! Penso que existem interesses poderosos na raiz desta discrepância.

    Um bom domingo.

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  3. Não sendo um especialista na matéria, até porque sou abstémico, penso que o alcoolismo não é uma fraqueza de caracter, muito menos um vicio, mas sim uma doença grave.
    Beijinho e até breve!

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  4. Alexandra,

    È a minha primeira visita e gostei de ler este post, é uma chamada de atenção muito importante a ser feita.

    Parabéns.

    Ana

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  5. Oh não! Tinha escrito uma resposta tão linda e não foi enviada :(
    Cá vai a segunda tentativa.

    Eu costumo dizer que provo tudo e não bebo nada. Nunca apanhei uma bebedeira. Não vejo qual o objectivo disso.

    Quanto aos jovens, penso que o motivo que os leva a beber é que está falsamente instituído que se não beberem não se divertem. Infelizmente.
    Outros dos motivos penso que será para compensar a falta de carinho, atenção e compreensão que têm por parte dos pais, família e sociedade. Para além de a maior parte deles se sentirem sem rumo, completamente perdidos nesta vida. Não se conseguem encontrar e com o álcool e as drogas vão tapando "esse buraco" da pior forma.

    Beijinhos

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  6. O alcoolismo é uma doença. Assim sendo, estamos perante uj problema de saúde pública a que o SNS não dá resposta.

    Pertinente este texto. Beijo

    Laura

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  7. Olá Alexandra,

    Colocaste um dedo na ferida, será que vai doer?
    Não bebo, nunca bebi, mas uma coisa que me impressiona é o consumo de bebidas alcoólicas no meio estudantil.

    Abraço grande

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  8. Eu cedo me habituei a ver a bebida como algo malefica ,pois durante anos tive a presença do meu querido pai como uma pessoa que bebia mais que a conta ,pois sei todos os problemas que causava a quem o rodeava ,apesar de ser um pai presente ,nao nunca deixou de faltar aos seus compromissos por causa do alcool ,sempre cumpriu com as suas obrigaçoes .Quase todos os dias era uma bebedeira com ela tudo o que era mau ,pois o ser humano deixa de ter controlo sobre si proprio ,claro que um dia tomou vergonha e de um dia para o outro deixou de beber ate hoje ,com grande agrado de todos nos e dou-lhe os parabens porque apesar do vicio foi mais forte que tudo .Apesar de saber que a bebida so faz mal a quem nao se controla ,mas devido a tudo por que passei talves nunca va beber alcool ,porque acima de tudo sei que passo bem sem beber ,mas se bebe-se saberia quais seriam os meus limites ,tudo o que e em excesso faz mal por isso e preciso acima de tudo ter controlo e ter consciencia de dizer basta .Beijinhos Alexandra

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  9. Ninguém é alguém para julgar.

    Beijinhos com votos de uma boa semana, Alexandra.

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  10. Felizmente não há hábitos de bebida na minha família, mas reconheço que deve ser um vício terrível.
    Nos jovens ainda é mais lamentável.

    Beijinho e boa semana

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  11. O alcoolismo é, realmente, um grave problema, mas combate-se através da educação e não aumentando o seu preço, pois iso é varrer o lixo para debaixo do tapete. Digo eu...

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  12. Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todos os comentários que aqui deixaram e vou pegar no último comentário, do Carlos Oliveira.
    O Alcoolismo combate-se através da educação e da elucidação, sendo não muitos os que sabem que o vinho na antiguidade era uma terapêutica usada pela medicina e somente nos últimos dois séculos é que se tornou e foi considerado um elemento "prejudicial" para o ser humano. Coloco entre aspas, porque o vinho como todos deveriam saber tem propriedades antioxidantes, aumentando a produção de serotonina responsável pelo bem estar do individuo (a baixa produção de serotonina é responsável por quadros de depressão, ansiedade, obesidade, entre outros).

    E o LDL?! Sabiam que o vinho diminui o mau colesterol? Já agora pesquisem pela palavra resveratrol.


    Se beber é assim tão benéfico, onde está o problema? O problema está naquilo que o texto pretende transmitir, no exagero, no abuso. Os exageros, os abusos pagam-se caros estando provado que se o consumo de alcool começa bastante cedo, na idade juvenil/adolescencia, os orgãos internos ficam comprometidos... tal como com o passar dos anos a memória vai sofrendo perdas, neurotransmissores e células vão desaparecendo com o passar dos anos.

    Temos e devemos educar os nossos jovens a nossa sociedade para adquirir comportamentos saudáveis!

    Um bem haja a todos!

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  13. Penso que se trata de uma adição e é preciso ser tratada. Colocas questões muito interessantes. Dá que pensar porque é que os jovens bebem cada vez mais.
    Como sempre, gostei muito.
    Beijinho

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  14. Olá Alexandra,
    Tenho andado arredado deste mundo. Trabalho. Mas há sempre tempo para os amigos.

    O alcoolismo é realmente um problema. E não é fácil combater. Penso que os jovens, e é aí que se deve começar, procuram no álcool uma coisa que não têm. Procuram outro eu. Por vezes, torna-se irreversível....

    Muitos gostam de beber. Mas felizmente não bebem a vida, não bebem juízo.
    Beijinho

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