sexta-feira, 29 de março de 2013

*Tempo de Páscoa*








Que se abram os portões dourados... celebra com este doce vinho a tua caminhada , alimenta-te com o pão que dá a vida e nunca esqueças que a tua passagem ainda agora começou.

Todos os dias são tempo, tempo de ter tempo para ti, para ti e para aquele ou aquela que ao teu lado está sem nada te perguntar, somente está para te amar. Porque razão, porque razão afinal tempo não tens para ouvir a voz do teu silêncio? O que te perturba? O que te consome? De onde vem todo esse medo? Um medo que cega, que não deixa simplesmente sentir, sentir aquilo que és para não ouvir as palavras de outro alguém.
Pergunto-te, pergunta-te para que serve afinal a vida? Para que serve a tua vida?
Nestes tempos em que olhas em redor ninguém tem tempo, há pressa em demasia, demagogia exacerbada e um profundo vazio de estar só, somente só!

A família que não é família, os pais que não o sabem ser, os filhos que querem ser pais, as crianças que teimam em ser adultas, os jovens que perdidos estão em alto mar... os homens, os homens que se querem sensíveis como mulheres, as mulheres que se querem mulheres e não o são... os papéis, onde estão os papéis? Quem és tu? Quem sou eu? Quem somos nós?

Toda esta insistência de ser e não ser, de ter e não ter, de fazer por fazer, de dizer por dizer, levou um pedaço de nós a uma narrativa sem narrador, onde ninguém tem voz, onde ninguém tem cor. E é isso, é isso que vês sempre que sais por essa porta... rostos sem cor!

Podes dizer ou escrever, o amor... onde fica o amor? Bem, será que sabes definir o amor? Provavelmente não! Certo é que o amor não tem definição, mas ao contrário do que tanto por aí se diz o amor, aquele que é romântico, não existe somente na literatura. Existe neste plano e só não o usas, vives e sentes com quem amas porque tens na mania que tudo te é garantido. Porque julgas que conheces o outro como a palma da tua mão e como tal, nada mais precisas fazer... ledo engano! Enganaste todos os dias que desconheces o que julgas conhecer, enganaste quando pensas que já sabes o que sabes e nada mais há para ouvir... enganaste pelo simples facto de te enganares todos os dias quando sobre teus sentimentos não queres ouvir a sensação de chorar e lentamente vais-te perdendo! Amor é como a farinha branca-de-neve, necessita de outros ingredientes para um bolo originar repleto de bom paladar.

É Páscoa, é dia, é hora de ter tempo e usar esse mesmo tempo para teres somente o teu momento. Não percas tempo no mesmo tempo, naqueles momentos que nunca te deram alento, eles apenas te fazem sofrer e entrar no jogo do não ser! Sê o observatório da tua vida e nunca deixes a estrela que amas cair!


Uma excelente Páscoa a todos e paz nesses corações!


Alexandra Martinho





quarta-feira, 27 de março de 2013

*Apetece-me dizer*








Eu sei... sei que deixei de escrever por estas bandas há algum tempo, mas confesso que a vontade de publicar desapareceu, já a de escrever nem por isso. Durante este período escrevi algumas notas, textos pessoais que poderei ou não aqui deixar.
Ontem pela primeira vez ouvi uma música que me fez parar no tempo, parar o tempo e as lágrimas correram em fio sem cessar... deixei-me levar, embalei-me pelo choro que limpou a minha alma de angustias, de tristeza que começava a sufocar o que de mais de importante em mim existe, o meu coração!

Apetece-me dizer até sempre, apetece-me dizer até nunca mais... 

Agora, agora que paro para sentir, sinto que somente eu, que somente eu tenho o perfeito entendimento de mim e tudo o resto não passa de pura Utopia. Estarei a ser cruel? Não! Apenas com o tempo, com os anos constatei que todos, sem excepção, vivem no interior do seu próprio mundo onde somente eles importam e tudo o resto se estiver está, se não estiver... estivesse!

Ontem alguém disse para mim estas palavras: "és um sonho maravilhoso de ser sonhado e vivido..."  Eu, apenas sei, sei que sei que sou aquilo que sou e somente a Deus satisfações devo!


Desejo a todos a continuação de uma boa noite de quarta-feira!


Alexandra Martinho




(esta música é um convite que faço a cada um de vós para uma viagem ao coração, ao sentir, ao entender...)

terça-feira, 19 de março de 2013

*Ao pai e ao filho*








Tu que caminhas, eu sei, sonhos quiseste realizar e neste mundo ansiaste colocar costela de ti... Infame, parece que foi o tempo, quando te mergulhou no esquecimento dos sentimentos que ainda brotas nesse pobre coração. Não te prendas, não te cegues, não acalmes o amor que ainda te faz flutuar longe da hipocrisia que ofusca os bem-aventurados.

Pai será sempre pai e um filho nunca deve esquecer de quem é filho, pois um dia também será pai... é este, é este o ciclo da vida, que nas suas voltas à tua mão tudo vem entregar para que saibas usar e algo acrescentar ao simples gesto de viver.

Sim, hoje é dia do pai, não somente dos amados por seus filhos... mas de todos aqueles que são esquecidos numa cama de hospital, abandonados pelo esquecimento do tempo... pelo enfraquecimento de laços que deveriam ser eternos... incondicionais!

Mas hoje, hoje também é dia de lembrar, lembrar que nós, os filhos, existimos por uma razão. Somos fruto do enlace, fruto da união de dois seres a quem chamamos de pai, de mãe...

Neste mundo há pais e pais, filhos e filhos... os verdadeiros, os puros, não esquecem, não abandonam, não vivem para lá do mundo da ilusão... porque ser pai e filho é um elo que liga para sempre o coração de quem sente.

No tempo presente em que tanto se fala de bondade, devoção, amor ao próximo, algo escapa nesta humanidade. Estes dias são ou deviam ser o espelho das lacunas que o desprendimento e frieza alimentam. Deterioração, sim, deterioração do conceito de família que dando lugar ao vazio de afectos abre caminho a comportamentos de risco e falsas e empobrecidas amizades que minam, que consomem o que ainda resta... diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és! É simples, curta e objectiva a minha mensagem...

Que o amor nunca nos falte no coração!




Alexandra Martinho












sábado, 16 de março de 2013

*Um dia*







"I’ll see you in my dreams
I’ll see you in the sky among kings and queens
I’ll meet you anytime, night or day,
We’ll meet under the stars, we’ll walk unafraid
I’ll hold you in my arms
I’ll listen to your words, lie under your heart
I’ll meet you anytime, night or day
I’ll see you in my dreams, in my dreams I’ll wait
All awake"









Quanto mais o tempo passa, para minha tristeza, vejo que poucos primam pela diferença... parece que há a urgência de ser igual, de ter aquilo que o outro tem, mesmo que isso signifique a destruição de sonhos individuais ou simplesmente da magia de ser quem se é... em ultima instancia de cair no ridículo!  

A enfermidade das almas assola a sociedade, uma sociedade doente, de valores podres, onde as gentes deixaram de ser gentes para ser e viver em função de outras gentes! 

Todos deviam saber o que é a plenitude da vida, andam simplesmente em busca de modelos de imitação/comparação tornando-se assim, homens e mulheres de cativeiro!


Fico-me por aqui, é melhor... mas sei que um dia vai doer a muitos...


A todos desejo um excelente Domingo!


Alexandra Martinho






segunda-feira, 11 de março de 2013

* O Essencial *





Num sitio não muito longe daqui existia uma realidade diferente, um mundo dentro de outro mundo que encantado não sendo, resplandecia de uma luz que somente o amor verdadeiro consegue emanar.Ele e ela, ela e ele não eram somente carne, eram almas... almas companheiras que mais do que amantes representavam o verdadeiro elo da amizade que suporta ventos e tempestades sem quebrar. O céu era azul, o sol brilhante, mas os olhos dela viam aquilo que ninguém conseguia ver, a escuridão que destruía a pureza das pequenas coisas que de tão singelas faziam lágrimas cair.

Ele não sabia, mas a cada dia que passava um pedaço dela morria... a casa luminosa onde viviam de paredes outrora brancas restavam apenas sombras, de um jardim repleto de rosas brancas e margaridas surgiu um campo seco e minado de ervas daninhas que revelavam de forma descarada o abandono. 

E ela, o que era feito dela? E ele, o que era feito dele? Bem, ela sucumbiu a tristeza e partiu, partiu daquele mundo, deixou aquela realidade e foi ter com o "pai". Mas o corpo ainda existia, estava no bosque sagrado, velado pelos animais que aguardavam o seu despertar. As faces rosadas, o vestido branco, os cabelos cuidados e penteados evidenciavam a presença... evidenciavam que a esperança de um dia regressar continuava apesar do sono tão profundo. Faltava-lhe somente o essencial, aquilo que os olhos não conseguem ver, mas o coração sente... o oxigénio do amor! 
Ele... ele perdido andava por entre lágrimas e batalhas que corroíam a alma, que ofuscavam a luz do ser. Tinha deixado de ser para parecer, o mesmo parecer que lentamente a matou, o parecer que lhe retirou oxigénio e liberdade, o parecer... o parecer que alimentou e alimenta as ervas daninhas do jardim que era apenas deles.
E os animais, os animais continuavam a sua vigília sincera à espera que o cavaleiro perdido agarrasse na armadura reluzente e num sopro de frescura a trouxesse de volta à vida!

Quando deixarmos este mundo Deus não irá perguntar o que tivemos, ou se fomos como fulano e beltrano. Deus apenas irá perguntar se respeitámos o eu e vivemos de acordo com ele ou se retirámos a Glória de outro alguém por causa da inveja!



Um bem-haja a todos e boa semana!

Alexandra Martinho

Ah... já esquecia, deixo uma música que ilustra perfeitamente o que quero transmitir.



sexta-feira, 8 de março de 2013

*Ser mulher*








"...Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa..."



Pouco importa se hoje é o "dia" para celebrar a condição feminina, afinal esta condição devia e deve ser celebrada todos os dias da nossa vida com especial ênfase naqueles eventos que nos marcam eternamente, o nascimento de um filho.
É uma verdade que enquanto mulheres gostamos ou pretendemos ser tratadas como seres especiais, mas não é menos verdade que esquecemos tantas vezes de tratar o outro como ele merece.
A mulher sempre teve um papel importante na sociedade, na família, no lar e até mesmo no trabalho. Porque razão acham que existe a palavra matriarca? Não entendo a vulgaridade, banalidade com que se "comemora" em muitos dos casos este dia, nem a necessidade de tal comemoração quando a mesma se esquece e nada acrescenta ao longo do ano. Somos o que somos pela conduta do dia-a-dia, pelo modo como interagimos com o outro e ultrapassamos os problemas/desafios da vida.

E que tal "virar a intenção do hoje ao contrário" proporcionando ao outro aquilo que pretendemos que eles nos proporcionem? Porque não oferecer uma flor ao nosso namorado, marido, companheiro? Porque não proporcionar a eles um dia, uma noite única para que se quebre a rotina de que tantas de nós nos queixamos? Porque não utilizar este hoje para de maneira introspectiva questionarmos que tipo de mulher temos sido para nós e para os outros?
A única e verdadeira dinâmica da vida é esta: faz ao outro aquilo que desejas para ti e nunca faças o copo da humildade transbordar, porque sem humildade nada semearás, apenas tempestades colherás!

Pensem nisto... porque ser mulher é muito mais que um simples dia em que se janta fora ou um strip masculino!

Uma excelente sexta feita para tod@s!
Alexandra Martinho



domingo, 3 de março de 2013

*Saber ouvir*






Começo por aqui...




caminhando assim...




estou quase lá...




sem perder a fé...





e eis que...




... após esta viagem musical posso/podemos dizer que uma boa comunicação depende sempre de uma boa capacidade de ouvir e se temos essa capacidade para ouvir música entendendo a mensagem que esta veicula, porque razão não ouvimos o outro? 
Ouvir bem significa o esvaziar de nós mesmos, esvaziar de preconceitos, de argumentos, de histórias vividas e braços de ferro que secam o coração, o sentimento.
Saber ouvir é dar ênfase aos sentimentos do outro e somente com uma audição atenta o conseguimos compreender. 

Ouvir é sentir que somos os eleitos e que nas lágrimas visíveis e invisíveis somos nós que estamos lá, junto do coração. Quando estás cheio de ti não ouves, não sentes, não olhas... quando estás cheio de ti somente tu importas e o resto fica para depois!

Ouçam, sintam, olhem, é apenas isto que tenho a dizer!


Bom Domingo e boa semana!

Alexandra Martinho

sexta-feira, 1 de março de 2013

*A Vida Pede*





A vida pede que tenhamos um pouco mais de calma, de alma para que possamos viver sem correrias, sem perdas, sem tristezas que ofusquem o brilho que no nosso interior habita.
No meio do anseio, da agitação que embala o dia-a-dia de cada um quebra-se a vigilância  pelo nosso bem-estar, pelos nossos relacionamentos afectivos/familiares. Abre-se a porta que deveria estar sempre fechada, a porta que dá licença à contaminação do viçoso, do puro, do que é apenas nosso.
Num mundo repleto de tantas particularidades, potencialidades, porque razão continuamos a valorizar tanto o que se passa lá fora? A, quase, confidenciar pedaços da nossa vida com pessoas que no fundo não conhecemos? Será que temos consciência do quanto isso pode ser venenoso para o nosso ambiente particular?

Por essas esquinas existem serpentes maliciosas, elas não querem saber ti, apenas do brilho que tens em ti e se elas não o podem ter, ninguém mais o terá. 
Falta-nos criatividade e somente com ela podemos trazer algo de produtivo para as nossas vidas, até lá continuaremos a canalizar para a vivência do outro sentimentos negativos que se reflectem, neste último, fisicamente, emocionalmente e afectivamente.

Tragédias, conflitos, mal-entendidos continuam a despertar o interesse de todos... mas quando falamos de acontecimentos positivos sentimos o descaso, desvio de olhares, falta de atenção.
A vida pede que tenhamos um pouco mais de calma, de alma e que nos sentemos um pouco para pensar, sentir que tudo aquilo que acontece tem uma razão. Não nos sentimos indispostos porque sim, não discutimos com quem amamos sem razão aparente porque sim e quando tudo parece ser um novelo de repetições isso não acontece somente, porque sim!
Olhemos um pouco mais para nós e deixemos de lado aquilo que se passa lá fora, é hora, hora de resolver apenas o que se passa cá dentro...

A vida pede que nos mantemos vigilantes!

Beijinhos


Alexandra Martinho 


Estas são as minhas escolhas musicais para hoje: