domingo, 21 de abril de 2013

*Peneira fina*







No limite do cansaço emocional são ditas palavras ou tidos comportamentos que geram arrependimento, discussões vazias, interpretações de tudo e do todo como se fosse uma enorme maldade. 
Ontem estive na feira à moda antiga que decorre até hoje na escola superior agrária de Coimbra, evento organizado pela companhia de Teatro Viv'Arte da qual a minha cunhada faz parte. Não vou negar que fui até lá com o Fernando para estar um pouco com ela e perceber a dinâmica deste tipo de eventos, mas também não vou negar que se soubesse o filme que iria rodar naquela "sala de cinema" (para não chamar outra coisa) não teria lá ido.
Coloco as seguintes questões: Vocês são uma mulher com 2 metros de altura, iam a um evento destes para descontrair e passar um bom momento, quando de repente... começam a perceber que algumas pessoas colocam-se atrás de vocês para tirar fotos enquanto estão de costas, possivelmente para colocar em facebook's e afins. E quando se viram essas pessoas ainda riem-se e seguem caminho como se tudo aquilo fosse natural. 

- COMO SE IAM SENTIR? -

- Serei fita-métrica para alguém ou ave rara que está no zoo em exposição para todos tirarem fotos? - 

- Até onde podemos avançar sem ultrapassar os limites alheios? - 


Não consigo descrever ou atribuir um nome a esta falta de conduta, considerando normal que olhem, que possam comentar, afinal de contas não passo despercebida... mas colocarem-se atrás de mim estando eu de costas e tirarem fotografias?!?! Ou então apalparem-me o rabo????
Enquanto todo este filme se desenrolava o Fernando conversava com pessoas conhecidas sobre economia entre outros assuntos o que somente aumentava a minha dor, raiva, solidão (porque quando me apalparam o rabo eu afastei-me para um canto para chorar e ele nem percebeu)... sim, senti-me extremamente sozinha, humilhada, mas apesar de tudo o que se estava a passar nunca o chamei, nunca interrompi a conversa porque sei o quão importante é para ele poder falar. 

No entanto, ele conhece-me e quando olhou soube que algo não estava bem, que eu não estava bem, só que há momentos e momentos e naquele momento quando pergunta o que tenho despejo em cima dele de forma áspera e agressiva toda a dor que estava a sentir. 
Coloquei de lado o ser politicamente correcta, não quis saber dos sentimentos alheios, apenas quis saber de mim e da minha dor... arrependo-me do que disse para ele e para o "boss" da Viv'Arte que falou para mim e nem sequer o ouvi, tal não era o meu estado. 

Não me peçam para falar ou ser cordial em momentos de tensão, muito menos me recriminem/avisem à frente de pessoas que desconheço... ou digam que estou chateada quando ninguém tem nada com isso, apenas colocam pólvora dentro de mim e da "jaula". 
Senti-me como um animal em vias de extinção cobiçado por todos ao ponto de desencadear em mim atitudes pouco amáveis.
Confesso que não sei como deixei-me levar desta forma por emoções negativas, como perdi o bom-senso de forma tão gratuita, mas estou exausta de tanta hipocrisia, mediocridade e futilidade. 
Neste momento quero ficar, estar em silencio que não sendo penitencia é a única maneira que tenho de ir em busca do meu equilíbrio, equilíbrio que perdi. É altura de usar a peneira para separar o bom do mau!

Não preciso, nem vou utilizar aquela típica frase "quem me conhece sabe como sou", eu sei quem sou e sei que ontem atingi o máximo dos meus limites tal não foi a pressão que senti. Respeitem os outros, sejam seres humanos decentes e hajam em conformidade dos verdadeiros e únicos princípios que devem reger a vossa vida. 

Uma boa semana a todos!

Alexandra Martinho










14 comentários:

  1. Olá Alexandra,
    Há muita falta de escrúpulos, muita mediocridade e sem vergonha.

    A tua reação? Nem sei...sofrer sozinho nem sempre será a melhor solução.

    Beijinho carinhoso Alexandra

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  2. Alexandra,

    infelizmente as pessoas neste país perderam o respeito, o bom-senso que falas neste teu texto. Nem tu, nem o Fernando têm culpa, mas tu sem dúvida alguma que culpa não tens e percebo como te deves ter sentido e ainda sentir.
    Não podes cortar as pernas, Alexandra, nem podes ser quem não és! Em momentos de tensão perdemos o controlo das nossas palavras, das nossas acções e acredito que qualquer pessoa no seu perfeito juízo perderia o controlo perante tais comportamentos que considero abusivos e que magoam.

    Colocarem-se atrás de ti e tu de costas para tirar fotos? E depois o que fazem com essas fotos?? Colocam no facebook com a legenda "eu ao pé de uma gigante"??????? Afinal de contas andamos a conviver com pessoas ou animais irracionais??? 

    É normal que tenhas descarregado em cima do Fernando a tua fúria, que lhe tenhas dito coisas menos agradáveis, que o tenhas magoado utilizando pontos fracos, mas não foste também magoada e de uma forma como já disse tão abusiva? Claro, claro que isso não nos dá o direito de atacar tudo e todos, mas é naqueles que amamos e que sabemos que estão connosco que descarregamos como forma de aliviar a nossa dor! 
    Aprendi algo de importante e precioso, nunca devemos "recriminar" ou dizer ao outro nestes momentos que ele não pode dizer ou fazer isto e aquilo sob pena de aumentar ainda mais o seu sofrimento e revolta. Aliás, sendo tu uma mulher tão sensível e dotada de determinadas características que poucos têm imagino a confusão que estava nessa cabeça, imagino o arrependimento que deves ter no teu coração. Mas tem calma, sossega e lembra-te sempre que tu és mais importante que tudo o resto.

    Se desejas estar em silêncio, fica a silêncio porque o silêncio vale ouro!

    Beijinho fraterno, Alexandra!

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  3. Alexandra, calculo (calculo apenas) como te sentes e sentiste. As pessoas são os outros e nós somos nós, pessoas-inteiras, verticais que temos cara e a damos.Por isso, ergue a cabeça! TU ÉS TU e os outros que se lixem!

    E sê FELIZ com o Fernando!

    Um beijo grande e um abraço apertado

    Laura

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  4. Minha querida, eu até posso ser uma pessoa muito calma, mas em algumas coisas tenho muito mau feitio. Se desse conta que um desconhecido estava a tirar fotos minhas sem autorização eu ai até ele e pedia para apagar a foto à minha frente.

    Beijinhos

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  5. Que poderei dizer o ser humano e cruel demais com o seu proprio semelhante ,existe e sempre existira pessoas assim ,evita-las nao sera possivel porque vivemos no mesmo mundo,mas como tudo tem limites e la chega o dia que a paciencia se esgota e salta-nos a tampa,agora e seguir em frente apesar de tudo ,muitos beijinhos Alexandra

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  6. Cara Alexandra,

    desde que li o seu texto "festa da salsicha" tenho passado por aqui assiduamente e hoje, para meu espanto, vejo e leio algo que deixou-me revoltado. Quando será que vamos ter mais respeito pelo nosso semelhante? As pessoas não tem noção da crueldade dos seus comportamentos infantis? Será que ainda ninguém percebeu que o principal problema deste país começa precisamente na leviandade dos comportamentos e pela falta de apuramento de responsabilidades dos mesmos?

    Brincamos com o bem-estar alheio como se fossemos donos do mundo?

    Álvaro Cunhal disse: "...Não estamos a lutar por uma concepção; estamos, com uma concepção, a lutar pela solução de problemas concretos da humanidade e por uma transformação da sociedade que os resolva. Estamos cá na terra, com os pés assentes na terra."
    Não será isto que nos falta? Ter os pés bem assentes na terra?

    Percebo a sua dor, revolta, insatisfação, qualquer um perderia a paciência, Alexandra. Suponho que seja além de alta uma mulher bonita e com educação, factores que chamam ainda mais a atenção de gente sedenta de tudo e de nada. Ninguém gostaria de estar na sua pele e acredito que tenha aguentado o que aguentou para não dar espectáculo gratuito, para que não houvesse violência física. 
    Acabou por projectar tudo o que sentia no seu marido o que é perfeitamente natural, cabe a ele ter a compreensão necessária para que a ajude a superar este momento, um momento que acabou por afectar ambos e assim vemos os resultados nefastos da maldade alheia.

    Continue a ser essa mulher de garra e siga em frente de cabeça levantada.


    António Gomes

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    1. Francisco Moita Albuquerque 22 de abril de 2013 às 13:08

      António Gomes, tem toda a razão naquilo que escreve e mais acrescento, há locais e locais e nem todos os locais são propícios a que se fale de determinados temas como economia, política e afins. 
      Devemos aprender que nesta vida há um momento para tudo e sem querer ser duro ou severo, mais importante do que falar com "amigos" sobre economia ou outros assuntos relacionados é fundamental estar com a nossa mulher! Cabe a nós, homens, proteger a mulher que temos ao nosso lado ainda para mais quando a mesma dá nas vistas naturalmente pelo porte que enverga. 

      Com a idade vamos adquirindo outra maneira de ver as coisas e eu com os meus 62 anos conclui que negligenciamos tantas vezes seres que amamos, mesmo que inconscientemente, por causa de assuntos que não deixando de ter a sua importância não são mais importantes que um momento de afectos ou de comunhão com o ser que amamos. 

      Não quero que me interpretem mal, mas a verdade, é que andamos tantas vezes preocupados com a merda dos outros em "salvar" os outros que nem percebemos que quem realmente precisa da nossa atenção está ali mesmo do nosso lado.

      A situação que a Alexandra relata não é nova e mostra infelizmente o estado em que se encontra este país. Tenho pena que o Fernando não tenha estado mais atento, mas para ele tudo isto também deve ser uma lição. A lição de que há um momento para tudo na vida e que devemos ter cuidados especiais para com a flor que atraímos para a nossa vida. 

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  7. Essa de a apalparem nada tem a ver com a sua altura, mesmo as mulheres com metro e meio (caso de uma amiga minha) estão sujeitas a faltas de respeito dessas. Melhor, todas estamos!

    Quanto às fotos acho de uma má educação a toda a prova, mas isso também tem a ver com o individualismo exarcebado que por aí grassa e leva cada um a pensar só em si sem se preocupar com os sentimentos do Outro.

    Pior - e eu sei quanto dói - foi , estando acompanhada pelo homem que escolheu para viver, se sentir desamparada num momento complicado....


    Um abraço solidário

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  8. Infelizmente essas faltas de respeito acontecem muitas vezes. Muita força, um abraço.

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  9. Olá Alexandra,

    De outra forma, por outros motivos. Mas sei como é sentir-se "raro", dói mas aprendi a olhar essas pessoas bem nos olhos.

    Abraço grande

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  10. Olá Alexandra,
    Como prometido vim espreitar o que se tinha passado no sábado à noite. Compreendo a situação. É constrangedora e deixa alguém mais sensível triste e revoltado. Erguer a cabe;a e andar para a frente,se possivel com um sorriso no rosto.

    Um beijinho e uma excelente semana.

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  11. Antes de tudo obrigada pelos vossos comentários que li com a máxima atenção. Gostaria de dizer que quando decidi postar este texto não foi com o intuito de expor a minha privada como tanta gente adora fazer neste país, quis apenas dar conhecimento do estado em que se encontra esta nação em termos de valores morais. Dos outros não falo somente para não me aborrecer!

    Isto não é país, não é gente, não é nada, é merda simplesmente que devia ser besuntada na cara de todos aqueles que ficam escandalizados e que com os seus actos ridicularizam as pessoas. 
    Devemos pensar nos nossos actos, nas palavras que dizemos da boca para fora e esta boca raramente se abre para criticar ou gozar seja com quem for. Agora quanto a verdades, independentemente de ser só a minha, ninguém me cala mais. Estamos onde estamos porque permitimos, porque no fundo sempre gostámos de levar uma vida sem preocupações, sem chatices e com isso fomos colocando toda a merda que fazíamos debaixo do tapete. 

    Nunca tive, nem nunca terei aranhas no sotão, resolvi-me enquanto mulher, resolvi-me enquanto ser humano desde o momento em que nasci e quando colocam em risco a minha integridade global lixam-se. Comprovei uma vez mais que se vive no limiar da pobreza de espirito, que se vive na ideia idiota de que todos devem ser iguais, que devem por isso ser, ridículos. Eu faço apenas esta questão: Quem são eles para dizer ou cuspir para o andar, quando nem eles ou elas não sabem ser o que são?

    Uma boa semana a todos!

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  12. Alexandra,

    Estou chocada. Cada vez mais assistimos a faltas de respeito, mas a situação por que passaste ultrapassa todos os limites. Compreendo na perfeição a tua atitude. Tens toda a razão quando dizes que se vive no limiar da pobreza de espírito. E acrescento ainda de educação e respeito pelo próprio.

    Um grande beijinho

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  13. Já tinha lido este texto e no momento senti as palavras secarem-me, fiquei mesmo sem saber o que dizer, porque acima de tudo tu és lindissima e esta situação é algo que eu não conseguiria conceber nem em pensamentos maus, não sei como é possivel... Gente idiota mesmo...
    Quanto ao descarregar em cima de quem gostamos... Acaba por acontecer, penso que é normal.

    Deixo-te um abraço grande

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)