sexta-feira, 7 de junho de 2013

'O teu comportamento pode ser um Exemplo'






"Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal." (Kant)




Não poderia encontrar melhor pensamento para ilustrar este meu post que um de Kant. Somos rodeados por e de pessoas, fomos criados para estabelecer vínculos com os outros e desse mesmo modo jamais podemos ser ilhas isoladas porque isso significaria a nossa morte enquanto animal social.
Ainda assim e apesar desta nossa necessidade inata devemos ser prudentes na escolha e construção das nossas redes de afectos e sociais. Até aqui penso que estamos todos de acordo e sei que todos compreendem, mas então, porque razão temos tantas desilusões ao longo da nossa existência e porque somos magoados por quem menos esperamos? A resposta pode ser complexa, mas a primeira explicação surge ainda no decorrer da nossa infância onde somos confrontados com os mais variados modelos comportamentais vindos dos laços parentais, grupo de pares e sociedade em geral.
É a partir deste estágio de desenvolvimento que formamos a nossa personalidade, tal como, tomamos as primeiras decisões, criamos os primeiros laços de amizade e basicamente copiamos o que vemos, certo ou errado, mas copiamos.
Com o passar dos anos e já na idade adulta, mesmo que inconscientemente, tenderemos a reproduzir os modelos que retivemos de tempos idos. Estes mesmos modelos podem entrar ou não em choque com a realidade que nos circunda, podem ser benéficos ou prejudiciais para a nossa sanidade e bem estar físico.

As desilusões, as magoas surgem quando desde cedo presenciámos ou fomos vitimas de situações de abuso que incutem na nossa mente o não sermos merecedores de melhor que aquilo... partimos em busca de elos de ligação empobrecidos, de amizades fáceis, de amores destrutivos e sabotadores da personalidade, todo um conjunto de dissabores que deixam marcas na alma, no corpo, na mente.
É a repetição, a repetição de ciclos de auto-sabotagem que deitam por terra sonhos, objectivos e relacionamentos que geram mais e mais sofrimento.

Quantas vezes vocês não ouviram dizer que o amigo Francisco sente-se culpado por tudo, decepciona os outros, suprimindo as suas potencialidades criativas e a sua individualidade? Que adoptou padrões e valores dos pais, tornando-se numa pequena cópia dos mesmos? Que acha que nunca tem o reconhecimento merecido, estando sempre certo e não tolerando julgamentos negativos a seu respeito? 

O Francisco muitas vezes não percebe o seu comportamento hostil e porque razão as pessoas se ofendem com o que diz, comportando-se de maneira desafiadora. Começa e não termina nada,
afasta-se das pessoas que o tentam alertar ou ajudar e não se importa de mudar de assunto para falar dos problemas dos outros... negligencia a saúde, protela decisões e nem sempre mantém um padrão de vida compatível com a alma.

Mas sabem quem é o Francisco? O Francisco é um homem alavanca ou motor, sim, ele pode ser e é um exemplo a ser seguido como Kant refere, porém toda a vida esteve rodeado de pessoas ancora
que adormeceram todo esse potencial. Intoxicaram a luz, a energia, os sonhos e incutiram o medo, a indecisão entre outras coisas. 

O que pode o Francisco fazer para ser um exemplo, o exemplo que ele na verdade é? O Francisco necessita sedimentar o caminho para a sensibilidade, fazer escolhas com responsabilidade, libertar-se e aceitar-se como um ser humano real, saber ouvir e aceitar as propostas de crescimento que os que o amam têm para lhe fornecer. E fundamentalmente, o Francisco, necessita erradicar da sua vida qualquer vestígio vicioso de ciclos passados que se repetem no presente (espaços, pessoas, acontecimentos).

É difícil? É! Mas a vida emana sinais, o nosso corpo emana sinais sobre o que é certo ou errado e se te magoas ou decepcionas é porque algo necessita mudar. Devemos estar atentos ao que nos rodeia, ao que vemos e não vemos. Saber ouvir e entender aquilo que quem nos é próximo tem para dizer, estar receptivos ao amor verdadeiro. Tomem atenção ao número de vezes pelas quais passaram pela mesma situação negativa, nada é por acaso, nada é por acaso! Olhem para dentro de vós e sejam verdadeiramente felizes livres de qualquer forma de intoxicação.

Num outro post falarei exclusivamente das pessoas âncora e pessoas alavanca, mas penso que pelos nomes percebemos as diferenças.

Uma boa sexta feira a todos!


Alexandra Martinho





Só olhos de quem ama observam o melhor de ti, de nós e assim ficam bem!

15 comentários:

  1. Gosto disto!! Francisco sofreu violências, agressões e até mesmo viu pessoas morrer na sua frente vítimas de violências física ou até mesmo vítimas de balas, Francisco viajou o mundo e esteve de volta. Francisco teve uma mãe agressiva que violentava ele e seus irmãos dia e noite, de chinelo, tapas, facão e o que mais possa imaginar de uma agressão física, Francisco ainda viu seu pai esfaqueado no hospital vítima da violência de sua própria mãe.. E apesar dos pesares depois das infantarias tentou continuar a vida e tentar ser uma pessoa melhor, e acredito que esteve e tentou estar bem!!

    Estando ou tentando estar bem, um dia chegou lá.

    Saudações.

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  2. Muito bom Alexandra, faz nos pensar. O que realmente somos e andamos aqui a fazer -.-
    Aguardo o proximo post, aonda tens muito para dizer :)
    bjnhs

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  3. É divina a capacidade interna de escolher o bem, Kant é uma boa escolha para meditar sobre questões fundamentais! abraços

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  4. Olá Alexandra,
    Gostei do post. Esta parte em particular diz muita coisa "atenção ao número de vezes pelas quais passaram pela mesma situação negativa, nada é por acaso". Também acho que nada é por acaso e, vou arriscar dizer qualquer coisa que pode soar a disparate, acredito que enquanto não resolvemos a tal 'situação negativa' ela tenderá a repetir-se até à exaustão.

    Beijinho e bom fim-de-semana.

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  5. Eu diria que é preciso coragem para aceitar-mos que somos diferentes, sem que isso implique que sejamos melhores ou piores, apenas diferentes. Falo de mim, como já sabes pelas visitas que fazes ao meu cantinho, sou uma pessoa insegura, que nem sempre se aceita, porque gostava de ter características que não tenho, eu sei que isso não é impeditivo para que gostem de mim, porque como dizes os olhos que amam conseguem ver o melhor de nós. Eu sei disto, eu gosto de mim, eu cresci num ambiente familiar feliz, mas mesmo assim não deixo de ansiar por ser diferente!

    Beijos

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  6. Belo texto, muito bem colocado, reflexivo ao extremo.
    Grande abraço, sucesso e grato pela visita!

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  7. Texto elucidativo e excelente escolha musical. Acredito que sou de alguma forma um homem alavanca e assim fico bem comigo e com pessoas como tu. Beijinhos :)

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  8. Um texto que fará reflectir quem o lê para saber se se
    conhece bem a si próprio.
    Vou ver o vídeo.
    Bj.
    Bom fim de semana.
    Irene Albes

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  9. Saber ouvir é uma virtude tão rara, Alexandra!
    Beijinhos

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  10. Eu costumo usar uma frase vulgar, "podemos até saber o nome de alguém, mas nem sempre a sua história", para tentar entender o outro (e a mim também), as suas contradições, as suas atitudes e as suas negações; e seu texto desenvolve de maneira brilhante a nossa condição humana, em alguns níveis.

    Um abraço e ótimo final de semana!

    ;))

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  11. Quanta sabedoria e reflexão nas tuas palavras.
    Obrigada por nos dares estes ensinamentos minha amiga.

    beijinho

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  12. Existe sempre uma razão para cada comportamento, o Francisco não foge à regra.
    Seu gosto musica á excelente, (É bom gostar de alguém) boa escolha da bela musica portuguesa.
    ag

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  13. ٠•●♥ Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ ·٠•●♥
    Não procuras descobrir os segredos que escondo,
    Contenta-te com as pétalas, pedaços de alma que te dou.
    Não queiras ver além do que te mostro,
    Mas vê nas palavras tudo o que sou.
    ·٠•●♥ Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ ·٠•●♥.

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  14. Se todos nós agíssemos em função da primeira formulação do Imperativo Categórico de Kant, não haveria lugar a imoralidades, ouso dizer que estaríamos muito perto da perfeição.
    Obrigada pela sua visita e por seguir o meu "modesto" blogue. Espero vê-la por lá!

    http://www.lavarcabecas.blogspot.pt/

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  15. Muitos parabéns Alexandra! Foi luz para mim ler o seu texto, pela forma como coloca sentimentos nas palavras, e faz das palavras sentimentos que se partilham por cada um de nós um dia... Quem sabe... Alexandra, me perdoe a minha ignorância literária, pois não detenho todo o saber que gostaria. Apenas não sei que é "Francisco" de que fala no seu texto, ou estarei apenas esquecida ou não me recordo. Um grande bem-haja para si, Alexandra. Abraço. Ana ~

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)