domingo, 30 de junho de 2013

'Viver e aprender'








Não faz, nunca fez parte de mim expor a minha vida, tudo o escrevi sobre ela e ainda escrevo está guardado algures num caderno que darei um dia aos meus filhos para que possam saber, entender quem foi a mãe. No entanto, hoje, abro uma excepção porque estou verdadeiramente fatigada de uma situação que se protela no tempo há dez anos. Sou mulher de afectos que valoriza a família, os valores materiais e emocionais que os seus antepassados deixaram... foram gentes do campo que trabalhavam de sol a sol para colocar pão na mesa e ter algum conforto em casa, muitos  faleceram precocemente, sem tempo de tirar proveito daquilo que construíram.

A partida do meu avô paterno deu-se quando ainda tinha dezoitos anos, foi difícil, confuso e grotesco tudo aquilo que surgiu no depois... nunca vi tantos "cães" com ganância por um "osso" que fica sempre cá e com eles não podem levar. 

Dia três de Julho faz dez anos que o meu avô partiu e acreditem ou não, há momentos na vida em que recebemos sinais que devemos interpretar como um alerta sobre o que se passa à nossa volta e hoje foi o caso. Já não ia a casa dos meus avós há cerca de sete ou oito anos porque o meu pai e irmão contrataram um funcionário e cederam-lhe a casa para habitar com tudo aquilo que era dos meus avós no seu interior.

Nunca concordei com a situação, além de não gostar da pessoa em questão e quando eu não gosto... não gosto e sei a razão. Sempre defendi que o recheio da casa deveria ser dividido pelos herdeiros ficassem com as coisas ou não, deveriam ser divididas porque aos "mouros" que já cá não estão custou-lhes muitas noites e dias de trabalho. 

Voltei hoje a casa dos meus avós, deparei-me com parte do recheio da casa nas pocilgas tudo ao molhe, porco, com caganitas de ratos e teias de aranha... doeu-me e perdi a noção das coisas, penso que naquele momento a raiva, revolta e outras emoções tomaram conta de mim. O que vi considero uma falta de respeito pela memória dos meus avós, sobretudo por parte dos filhos, que não querem saber minimamente daquilo que os pais deixaram.

Por engano e porque a tralha era tanta, trouxe uma máquina de costura igual à da minha avó, que devolvi, e que estava lá não sei bem a razão... as minhas lágrimas corriam em fio e se alguém surgisse na minha frente levava com a máquina pela cabeça. E apenas trouxe a máquina por pensar que era mesmo da minha avó e estava num estado que vocês nem imaginam. 

O dito funcionário nunca apareceu, aliás, surgiu quando entrei ao portão o que leva-me à conclusão de que estaria atrás dos estores da casa. Passei com a máquina e ele sabendo que não era da minha avó nada disse, porque sabia que a merda que andou a fazer tinha sido descoberta. Viu naquela situação uma ponte de salvação e possibilidade de virar o jogo contra mim.

Depois de almoço e porque ele andava na terra a preparar a rega tive uma conversa com o "senhor" em que ficou provado como as pessoas são facilmente manipuladas, basta que lhe besuntem as mãos com ninharias. 

Estava ofendido o fulaneco porque entrei no quintal da casa, que é meu, e nem autorização pedi. Desde quando é que os donos tem de pedir autorização para entrar naquilo que é deles? Quando nem um contrato de arrendamento existe? Tive o azar da merda da máquina de costura e ele usava isso a todo instante, mesmo já a tendo devolvido, para se defender do que não tinha defesa possível... o jogo da vitima ofendida, do coitadinho que é um funcionário imparcial mas que só trabalha para o irmão do meu pai quando é funcionário dos dois e com autorização desse suposto meu "tio" fez o que fez lá em casa.

Faz merda, arma-se em ofendido, pensa que é dono daquilo, diz que o meu pai foi lá algumas vezes a convite dele?! hello?! Então o empregado convida o dono da casa a ir à sua própria casa? Só mesmo em Portugal! Resta saber se o irmão do meu pai tem convite ou livre entrada porque não sai de lá - ah esqueci-me! - é cabeça de casal, logo ele manda e os outros calam!

Estou saturadas de coitados, pelintras, hipócritas, fúteis e outros que tais que continuam a ter todo o valor porque vivemos numa sociedade de merda. O meu pai uma vez mais e como sempre foi contra mim porque infelizmente preocupa-se mais com o que vão dizer do que com o facto da filha o defender e aos seus interesses com unhas e dentes. Por causa desta apatia e inércia perdemos sete hectares de terra o ano passado, área explorada por nós e que o irmão do meu pai comprou porque quer o irmão "sem camisa"! A isto acrescento as quantias de dinheiro que desapareceram da empresa que existia em comum enquanto o meu pai esteve internado no hospital, da papa e sumo que davam a todas as refeições ao meu avô (doente oncológico fase terminal), de abrirem a garrafa de água para ele molhar-se e molhar a cama... ou então das caminhadas de emagrecimento (sobrinhas do meu pai) com paragem no cemitério para partir e dobrar flores postas por nós na campa dos meus avós... e isto são apenas exemplos.


Com tudo isto termino dizendo, não vale a pena ter ganância ou disfarçarem-se de cordeiros porque a mascara cai ou alguém os desmascara!


Bom Domingo a todos!

  

5 comentários:

  1. Infelizmente a vida ingrata demais ,talvez seja sem querer ofender ninguém ,mas mais valia ter vendido tudo do que passar por estas coisas ,e triste quando um ente querido morre tudo se pode tornar um caos dependendo das pessoas a melhor soluçao e chegar acordo ,quando não se chega vende-se e o melhor remedio.Se fosse comigo não teria permitido que outros usufruem as coisas que um dia fizeram parte de toda uma vivencia de um ente querido ,mas cada um sabe de si ,se não concorda o melhor fazer ou tentar perceber aos principais herdeiros que não foi nem e a melhor soluçao para todos ,pensem que e muito mais que um pedaço de bens materiais ,são historias e recordações de uma vida com certeza cheia de vivencias ,um beijo Alexandra

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    1. Concordo inteiramente, Emanuel! Mas infelizmente a insensatez reina e eu já desgastei-me em demasia com esta situação!


      Um beijo!

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  2. A vida traz-nos, por vezes, aprendizagens indesejáveis...

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  3. Ousas escrever e com alma dentro!
    A vida traz-nos aprendizagens muito difíceis de entender. A ruína instala-se muitas vezes na nossa própria família.

    Adorei a música que associaste ao comentário. Uma gentileza! Obrigada.
    Bjs

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  4. Caramba, que situação! Isto quando mete bens e terras e por aí fora, a coisa nunca é pacifica, infelizmente.

    Beijinho, Alexandra espero que tudo se resolva.

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