quarta-feira, 31 de julho de 2013

'Desceu o Pano'









Desceu o pano, apagaram-se as luzes, saí de cena, fim de acto.



Há quem considere por aí que a vida é uma peça de teatro composta por vários actos, várias personagens, muita trama, muito enredo e muita, mas mesmo muita merda que não lembra nem ao menino de Jesus.

Nos dias actuais tudo ou quase tudo é banal. As relações intimas são banais, as separações banais são, as relações profissionais e sociais são banais. Mas atenção, apesar de tanta banalidade, há quem se atreva a olhar para trás e ao descobrir o "bananal" da vida resolve dar umas quantas lambadas nesse tal parvalhão, o banal.

Não vim a este mundo para travar braços de ferro com seres por mim amados, nem para julgar as minhas próprias escolhas. Vivo e existo para ser feliz! Quem não vive com este objectivo? Sou observadora dos meus pensamentos, das minhas necessidades, emoções e até do ego. 

Ouso perguntar - Alexandra, o que desejas neste momento da tua vida? O que desejas vem do teu coração? Quem são os significativos da tua vida? Vives de acordo com os teus valores?

A verdade magoa e magoa ainda mais quando é dita de forma ríspida sem o ênfase de ternura que nos devia ser característica quando lidamos com o outro. Lidamos com seres humanos, não lidamos com bonecos ou sacos de batatas sem qualquer rasgo de personalidade ou vontade. Falo livremente e assumo cada palavra porque ao reprimir torno-me num recipiente azedo, amargurado. 

Amar outra pessoa é uma arte, nem sempre a teoria cinquenta/cinquenta funciona porque é difícil o casal estar constantemente no mesmo patamar e isto é visível quando ocorrem perdas ou mudanças significativas que provoquem dor a pelo menos um dos membros. Temos uma enorme facilidade em personalizar o mal estar do outro como se tivéssemos feito algo de errado, dizemos coisas sem pensar e com isto aumentamos ainda mais a insatisfação, o mal estar que culmina em explosões de deixar qualquer um de boca ao lado. Aqui há que vestir a pele do outro, sentir a dor que ele sente e assim desenvolver a compaixão. Isso mesmo, compaixão!
Ouvir, ouvir realmente o que o outro tem para dizer, dando-lhe o respeito e importância que ele ou ela tem na nossa vida é uma forma de estar presente a cem por cento. São estes momentos de abertura que dão origem ao perdão, ao aceitar, ao deixar de lado o estado defensivo constante que nos assola porque esquecemos que nascemos inocentes, amorosos, flexíveis. 

Jamais poderei esquecer quem sou e não esqueço o sofrimento que causaram a quem tenho do meu lado. Com o sofrimento aprendemos a excluir, a não repetir. Ao longo dos anos tenho-me debatido contra carneirada que se armam em sanguessugas, conheço-os bem, porque eles foram-se infiltrando como quem não quer a coisa até que... tudo terminou com um péssimo THE END! É difícil de compreender essa história do cunhado para aqui e para ali porque quando o devia ter sido não foi, cunhado é ser irmão, e não é agora que decerto o será porque há alguém que ocupará esse lugar, por sinal, meu irmão. São estas mistelas que confundem-me e geram mal estar. Gente que inflige sofrimento e toma partido segundo a direcção do vento que mais favorece deve ser riscada da possibilidade de ver o branco dos dentes, é simples! Com o divórcio há um fim de uma etapa de vida e o surgimento de uma nova, com uma outra pessoa e novos laços.

Quando somos jovens e nos propomos a dividir a nossa vida com alguém devemos aceitar e compreender, mas nunca permitir que o passado do outro se misture com o presente. Mais tarde ou mais cedo os desentendimentos surgirão pela demasiada intromissão de terceiros nocivos ao novo relacionamento, porque com eles carregam toda uma carga de histórias e vivências que não correspondem ao momento actual. É preciso estar alerta e colocar as coisas nos seus devidos lugares!


Desceu o pano, resolvi por momentos deixar que a hipocrisia ande contente na sua ilusão, desactivei a minha página pessoal do facebook por medo da minha impulsividade e porque prefiro levar com a pancada se isso significar proteger quem amo. Com este texto quero transmitir apenas, não descuidem os vossos relacionamentos e não misturem o passado com o presente! É simples!




Uma excelente quarta feira e fiquem com um excelente cover do Variações que tem tudo, menos engate!





Alexandra Martinho

terça-feira, 30 de julho de 2013

'Investiga as raízes, fortalece a árvore'







Há um momento para tudo na vida e um momento há em que a alma nos chama para ouvir somente as nossas reais necessidades emocionais.
Evita-se o silencio como se evita a peste, não se traçam diagnósticos do corpo... da alma porque não há tempo para parar e viver o verdadeiro sentir sem aquela euforia constante tantas vezes tão vazia. 

A árvore enfraquece, adoece e a fruta cai no chão sem qualquer tipo de amparo. 

A procura é incessante e a satisfação é sempre a mesma, nenhuma. Chora-se pelo que não se tem, desvaloriza-se aquilo que já se alcançou ou compara-se a situações passadas que por serem isso mesmo, passadas, só trazem lixo e desgaste. 

Ouve-se tudo e todos, escutam-se conselhos e balelas de gente que sabe bem menos do que diz saber... que sabem menos que a própria pessoa que ouve tanto "lixo". Por e para essa gente faz-se tudo e mais alguma coisa, para eles há sempre disponibilidade, paciência, conselhos e mostra-se o melhor porque se aparecer o pior batem sola e nunca mais ninguém os vê. (Isto para mim é, merda! Esqueceram o fundamental, temos de levar com o bom e com o mau, porque isto sim é gostar de alguém e aceitar esse alguém pelo que é.)

Cada ser humano tem o dever e obrigação de aceitar a vida e as circunstancias da mesma, porque aceitar é, no fim de contas, abrir portas à mudança. Mudança, essa palavra que dá urticária e que é o centro de tanta polémica, de tanto problema... ah, esperem, não é  problema da mudança... apenas da resistência à mudança.

Vejo-me, sinto-me e, por isso, sei que este é um momento de pausa, de recolhimento... 
Há quantos anos não tenho oportunidade de corresponder, responder às minhas necessidades? Quanto tempo esperei para alcançar o momento de vida que alcancei? Há quanto tempo ando a levar com a "merda" dos outros em cima e não foi isso que me fez desistir fosse do que fosse? São estas pequenas grandes questões que todos deveriam fazer para descobrir o seu real e próprio valor... o valor que ninguém poderá dar, a não ser nós mesmos.

Estou em paz, optimista por tudo aquilo que se adivinha e embora o cansaço esteja em mim não cruzo braços, porque o tempo foi feito para ser empregue no nosso bem estar, no nosso sucesso e edificação de pessoas de bem.

Se não edificar a minha casa esta viagem será em vão!



Uma boa terça feira para todos.


Alexandra Martinho





sexta-feira, 26 de julho de 2013

'A Civilização Regrediu'







"Com a queda de Roma a civilização regrediu 1000 anos e demorou outros tantos para se recuperar"

Pulido Valente


Será mesmo? Honestamente creio que não recuperámos e continuamos a regredir, basta olhar a linha do tempo e ver o estado em que se encontra a humanidade. Não aprendemos nada com os nossos antepassados, somos autênticas bestas sem cultura, valores, inteligência e pensamento próprio. A civilização morre, regride quando estabelece parâmetros que não abrangem a pluralidade da vida.

Se procuram pela causa da infelicidade humana, eis que vos a apresento.


Bom fim-de-semana a todos!


Alexandra Martinho

sábado, 20 de julho de 2013

'Espaço ao Desenvolvimento'





Escrever é antes de tudo uma viagem solitária de quem por uma caneta ou por entre teclas fala um pouco de si, um pouco dos outros, um pouco de tudo e do mundo.
Não é de agora, nem de ontem que tenho este talento, este dom para em palavras transmitir tudo aquilo que sinto e quem sabe até, relembrar pequenos ensinamentos que todos tendemos a esquecer neste corrupio veloz a que damos um nome, vida. 
Poderão considerar presunção de minha parte evidenciar tais características, mas se não reconhecer meus potenciais, quem o fará? 
Dependo exclusivamente de mim para ser feliz, mas sim, sou eu que escolho quem me acompanha nesta tortuosa e tão excitante viagem que passa num ápice. 
Arrisquei viver, sentir, descobrir o prazer... a dor e não, nunca deixei nada por dizer, nem mesmo um simples amo-te, gosto-te, adoro-te. 

Coloquei todos os meus medos, bloqueios e preconceitos numa qualquer gaveta do esquecimento, desconheço até o paradeiro da chave propositadamente desaparecida. Sou o meu próprio estandarte de inspiração, não abro mão de momentos de fragilidade porque somente e através deles darei valor à felicidade.
Sei que arrepio e arrepio-me quando olho para trás e vejo que a Alexandra é todo um conjunto de valores que lhe permitem ajoelhar perante a tristeza ou rejubilar de alegria no topo da árvore em que se perde de vista o horizonte e a beleza do céu.

Não, isto não é poesia, é serenidade! Ao longo destes meses, através de todos os escritos que deixo a palavra de ordem é apenas uma: SER e não parecer

Não acreditem em mentiras, sobretudo, nas mentiras que a vossa mente vos prega. A mente é ágil em arranjar esquemas sempre que nos preparamos para a mudança que implica a saída da zona de conforto. Não tenham medo, agarrem os desafios e entreguem-se. Quantos de nós não vivemos constantemente amargurados e presos ao passado porque teimamos em rejeitar a mudança e assim, entregarmo-nos de corpo e alma a um desafio, a alguém ou um novo rumo?
Os relacionamentos não funcionam porque não há entrega, a vida não funciona como desejamos porque não há entrega e sim, nós somos as vitimas da nossa própria vitimização. Não escolham esse papel!

Escrevi não há muito tempo sobre dois tipos de pessoas, as alavancas e as âncoras. Como referi no inicio deste texto escolhemos quem caminha connosco e no fim de todas as contas, somos influenciados por essas mesmas escolhas, signifique isso um saldo positivo ou negativo. 
Alavanca é alguém que segura o leme da tua vida quando desejas chorar, quando não tens mais forças para caminhar e só pensas em descansar. Alavanca é aquele ou aquela que incita-te a ser melhor, que chama-te para a razão quando perdes o chão ou és consumido pelo fogo da mágoa sem razão. A Alavanca leva-te por sítios nunca antes imaginados e desafia-te a arriscar neste novo destino com ela. A alavanca não se lamenta, não se intoxica, a alavanca está contigo no melhor e no pior.
E as âncoras... a âncora rejubila com o teu fracasso, menospreza-te, suga-te, mina-te porque percebe as tuas fragilidades, os teus pontos fracos. A âncora tem uma capa que esconde o egoísmo, a inveja que somente o ego consegue emanar. Manipula-te e cega-te com queixas e lamentações porque para eles a vida nunca corre bem, tudo é sempre e um constante problema... Inunda a tua vida com lixo, fingem que são quem dizem ser e quando percebem que a máscara caiu revelam toda a negatividade que por lá habita.

Fica a questão: com quem devo partilhar a minha vida? Sei quem sou?

Partilhar não é para mim uma obrigação ou dever. Partilhar é transmitir, dividir com alguém conhecimento adquirido e sentido... há por aí tantas enciclopédias andantes que teorias têm muitas, mas acções poucas ou nenhumas. Vivam em consonância com os vossos valores, porque quem os respeita está em sintonia com o seu ser. Amem quem o vosso coração escolhe e deixem-se amar. Nesta vida não há nada mais belo que amar, ser amado e amar-se a si próprio.

Coloquem de lado os medos, os exibicionismos, os preconceitos e mostrem o ser primitivo e puro que habita no interior do vosso coração, porque tenho certeza que tudo fluirá com outra leveza. Façam da vossa existência uma conquista constante, pela felicidade!

Não é uma despedida, apenas um até já, porque os guerreiros também precisam de descanso... é altura da guerreira desligar-se e descansar. Obrigada por aqui estarem e não vão embora porque estamos juntos nesta caminhada.

Sejam Felizes, sejam quem são! 












Alexandra Martinho

quinta-feira, 18 de julho de 2013

'Demasiada lã nos olhos?'










"A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."

Freud


Nunca entendi, nunca irei entender os moldes comportamentais que regem esta sociedade que mais do que consumista, é egocentrista. Não tenho por intenção criticar ou julgar seja quem for, até porque nestas duas palavras sou doutorada e recuso-me a utilizá-las no meu vocabulário. Sempre disse que quando nos respeitamos tudo muda na nossa vida e orgulho-me de nunca ter usado as "cuecas" ou "calças" de alguém para ser quem sou ou construir o que tenho construído. 

Pedi ajuda quando sabia que os meus recursos não eram suficientes e ajudaram-me, sim ajudaram-me! 

Educaram-me para ser uma mulher de valor, com valor e para jamais deixar que a opinião de ou o "lixo" interferisse de qualquer forma na minha vida. Talvez seja isso que ao longo de todos estes anos tenha e continue a perturbar aqueles que seguem e fazem questão de seguir o igual, o mesmo, o vazio... exactamente tudo aquilo que recuso-me a seguir. 

Debato-me constantemente para que quem me rodeia não caia no erro, no ciclo vicioso de ser o alvo constante de brincadeiras ou comentários porque a brincar, a brincar o macaco fez sexo anal com a mãe e com brincadeiras tenta-se saber mais do que aquilo que parece.

Lanço a questão: de que nos servem palavras bonitas ou teorias altruístas se não agimos em conformidade com elas?

Creio que muitos e muitas ainda não entenderam que todos os dias têm sobre eles olhos que observam e tentam reter os melhores exemplos para que se dê o click. É meus caros e minhas caras nós somos exemplos uns dos outros e é por isso, de extrema importância, que as nossas palavras ajam em conformidade com os nossos actos. Se quero algo, devo construir todo um caminho para lá chegar... se desejo um relacionamento estável devo e tenho de ouvir o que o outro tem para dizer toque isso ou não na ferida, fiquem amuados ou não. E os outros nunca devem ocupar o lugar das palavras eu e tu ou nós, porque quando isso acontece corremos o risco de afundar toda uma construção que demorou a erguer e solidificar. 
Se quero que tudo corra bem no campo profissional devo planear, executar com eficiência. 

Durante toda uma vida vivi com pessoas que primaram pela descrição, privacidade, seriedade e nunca em algum momento as vi partilhar momentos íntimos e familiares fosse com quem fosse - cito o exemplo - durante anos passei férias no Algarve e somente os meus avós sabiam onde estávamos e quando voltávamos.  

Hoje, hoje vejo que os tempos mudaram e que existe uma urgência constante de publicitar onde estiveram, com quem estiveram e quem não esteve "pobre coitado"! Vejo que esta mesma urgência já conduziu e ainda conduz à destruição de inúmeras vidas, mas o hábito está de tal maneira enraízado nos hábitos e costumes da população que quem não se rege por estes princípios tão "inovadores" é considerado reaccionário ou conservador e até mesmo sem interesse... a "mosquita morta"! Estou neste barco e não me importo, há coisas que não devem ser partilhadas, há momentos que são apenas nossos e se é para ir a um sitio com a finalidade de dizer a meio mundo que também fui, prefiro não ir! Mas como alguém disse - "não te metas nisso" - fico-me por aqui porque de facto o importante é viver em consonância com aquilo em que acredito.






Uma excelente quinta-feira a todos!


Alexandra Martinho


    




quarta-feira, 10 de julho de 2013

'Desejamos que tudo seja Diferente'





A vida é uma arte, uma ciência em que a sua essência está na relação intima destas duas características que a definem. Participei em vários duetos musicais, pus à prova a minha capacidade de sintonização com o outro e reconheço que várias foram as vezes em que não entrei no timing certo, provocando dissonâncias que hoje reconheço que agitaram a composição musical do dueto. Não só de teorias vivemos, mas de prática, muita prática. Uma boa música, um bom dueto não vive somente da letra escrita no papel, mas do poder da interpretação da própria música, como a mesma assenta na voz.

Sei que fui e continuarei a ser tantas vezes incompreendida, que as minhas interpretações nem sempre serão perfeitas. Mas arrependimentos? Arrependimentos não tenho! Admito que falhei em algum momento na colocação de voz e sei que ao longo deste trecho de vida tenho estado ao lado daqueles que amo e que me amam com a profunda consideração e disposição de os compreender.

Tantas são as vezes em que algo se apodera de nós, comportamentos repetitivos, muitos inconscientes, que se não forem devidamente detectados e interrompidos dilaceram aquilo que construímos na linha do tempo com tanta dedicação e entusiasmo.
Parece impossível como um indivíduo é capaz de agir da maneira que o faz sofrer. Já agora acham que preciso ser profissional para observar situações como estas? Olhemos à nossa volta, não estamos rodeados de bombas auto-destruidoras? Basta ler jornais, ver televisão, mais e mais do mesmo. A vida está infernizada, envenenada pela convulsão das repetições que destroem qualquer forma de felicidade. Passamos toda uma vida mergulhados em concepções equivocas sobre nós e aquilo que nos rodeia e quando tudo isso é posto em causa pela própria dinâmica da nossa existência, surge um medo profundo de mudar, de dar um passo em frente.
Desamparo, medo, desespero porque tantas foram as vezes que ninguém esteve presente para os defender, elucidar sobre aquilo que seria o correcto, sensato. Submeteram-se a um número reduzido de escolhas que retiraram a capacidade de sonhar, de que é possível alcançar objectivos claros e benéficos para a alma. O reconhecer de traumas, erros e que repetimos os mesmos erros vezes sem conta é sempre um episódio amargo, doloroso porque entramos em contacto directo com a dor, com o sofrimento. Ninguém é o que é só porque sim, todos guardam uma história, uma razão. Devemos ajudar a nossa criança interior a ser um adulto livre, com consciência, com controlo sobre a própria vida.

Encorajar o outro a ouvir aquilo que disse, da forma que disse constitui um passo significativo para revelar novos sentimentos, trilhar novos caminhos para a auto-realização.

Sim, tenho compaixão, como medo, e fico triste nunca negando porém, a magia da felicidade da descoberta... quando partilhamos temos nas nossas mãos a possibilidade de renovar, inovar.

Tenho vivido valiosas lições de humildade, admiração e respeito por quem sofre... também eu já estive nessa cadeira, também eu já cantei essa música e com música curei-me. Com a fala curei as minhas mágoas e ressentimentos. É impossível de conhecer o outro totalmente, mas é de agradecer aos céus quando quem nos rodeia generosamente abre a alma para nós. Poucos o conseguem fazer, poucos entendem essa generosidade. Para compreender o outro é preciso despir a própria pele, tocar na carne que não nos pertence e ouvir o pulsar do coração. Acredito na construção continua e dedicada da vida, como acredito no potencial de quem me rodeia. Sendo meu dever no calor do carinho trazer esse potencial ao cimo eliminando ervas daninhas.
Cuidem-se é o que vos peço!


Alexandra Martinho




'Reflexão'






Como excepção e para que todos possamos reflectir deixo-vos um pensamento:


"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."


Sigmund Freud



Continuação de uma boa semana para todos!








domingo, 7 de julho de 2013

'Onde estás menino?'






Vivemos num mundo em perfeito desequilíbrio, onde constantemente os papéis se confundem, onde tantas vezes o que parece ser certo é errado e tu, no meio de tudo isto, onde estás menino?
que fez a vida contigo afinal? Que castigo foi esse que mergulhou teus olhos em lágrimas? Pergunto-me, pergunto-te: onde estás menino?

Num retrato vislumbro o essencial da pureza e com certeza digo que foste criado para neste mundo a diferença marcar de ser diferente. Mas... algo se perdeu, algo aconteceu naquele que é nada mais, nada menos que o teu glorioso caminho. 
Tantas caras, tantos vultos que tábuas do teu humilde barco foram retirando para seu próprio rejubilamento, pois afinal, todas elas pensavam que em breve irias naufragar. Despertaram o pior que há em ti, aquele lado mais sombrio, aquela esponja que absorve comportamentos, palavras e pensamentos que não são inteiramente teus, menino! Estiveste no lado de lá do verdadeiro sentido da vida, comeste o pão que o diabo amassou e nunca alguém disse: "agarra a minha mão, vem comigo!". O Teu coração corrompido sangrava perdido e os abutres esperavam pela carnificina, abutres... essa espécie que ainda te assola por entre sorrisos falseados ou argumentos falaciosos.

Com apenas um remo à terra regressaste, Deus pediu que ouvisses a palavra e das sombras surgiu um raio de luz que não era apenas miragem, tinha forma de gente. 
Pediu que erguesses a tua vontade, o sentido de viver, falou-te ao coração dizendo baixinho que era hora de viver um verdadeiro amor. 

Onde estás menino? Ouve menino onde quer que estejas, o presente pede arrumação para o que em teu corpo feridas deixou. É hora de colocar um ponto final em toda esta auto-sabotagem que não é benéfica... é hora de colocar os olhos e o dedo onde mais dói, somente assim conseguirás o menino feliz de outros tempos. É hora de guardar os pudores e entender que estágio da vida apela por renovação.

Um dia, talvez um dia me entendam... apenas espero que o tempo me dê tempo para ver esse momento!


Um bom domingo!


Alexandra










segunda-feira, 1 de julho de 2013

'Asfixia emocional'





O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes acções. (Goethe)


A pior das prisões não é aquela que acorrenta o corpo num cubículo ou a visão por entre grades, mas aquela que subjuga as emoções e asfixia a mente.

Nesta relação de amor que tenho com a vida não faz parte da minha personalidade ou forma de estar mascarar emoções ou intoxicar a mente com pensamentos negativos. Acredito que ser livre, no verdadeiro significado da palavra, é ter a capacidade de desenvolver a arte de se doar, amar o simples, recomeçar ou começar do zero caso isso seja necessário. Proteger as emoções e jamais deixar passar impune comportamentos ou palavras menos próprias que violem a integridade individual de cada um.

Os afectos fazem parte do quotidiano pelo seu valor vinculativo e a nossa face com as suas expressões revelam qual o nosso estado emocional.

Por asfixia emocional entendemos os acontecimentos que levam à inibição parcial ou total do indivíduo expor os seus sentimentos e exercer de forma inata o que é próprio da sua essência. Por incrível que pareça estou neste patamar, deixei de fazer, de dedicar, de falar, de partilhar pequenas coisas que me davam prazer, que colocavam um sorriso sincero no rosto por saber que as mesmas eram ou são do agrado daqueles que amo. (falo no plural propositadamente)

Não entendo, nunca entenderei a necessidade de se construir uma imagem de pessoa "social friendly" quando o que realmente conta é o mundo interior e quem fica nos bons e maus momentos são aqueles que apesar dos encontrões nos continuam a defender com garras e dentes afiados. Não será isto amor incondicional?

A asfixia de que falo começa quando coloca-se em primeiro lugar aquilo que terceiros vivem, pensam ou dizem sobre determinada situação em detrimento dos laços afectivos (verdadeiros) que levam anos a construir e que num ápice são destruídos. Quando se valoriza mais desconhecidos do que aqueles a quem conhecemos a história com detalhe e estão connosco dia após dia ou até quando o que fazemos não é o mais acertado.
Repetem-se erros do passado, mesmo que inconscientemente, porque nesse passado continuam a querer viver como se fosse uma teia pegajosa e cheia de artimanhas que não dão liberdade.


Asfixia-me a impaciência de quem ouve que o dia não correu muito bem, asfixia-me a falta de maturidade e compreensão... asfixia-me a falta de tempo, o egoísmo, o umbuigismo desta raça que se diz humana.

 Nem sempre tudo flui como desejaríamos e é aqui que devemos usar a nossa diplomacia, parceria, entender que todos somos fortes e frágeis. Que um abraço é preciso na penumbra do silêncio, que protecção e aceitação tanto serve para homem ou mulher, para filho ou filha.

Escrevo apenas com a necessidade de debitar o que sinto, não faço criticas ou julgamentos, porque ao criticar e julgar faço-o a mim mesma... eles são parte de mim, eu parte deles. Mas estou cansada e o sentimento de solidão apodera-se num labirinto em que não vejo caras ou corações, apenas uma ditadura de pessimismo que não compro e que reina neste mundo onde ninguém ousa escrever uma história diferente do diferente... onde ninguém quer saber de sonhos ou planos para o futuro... onde a memória emocional não é mais preenchida por pensamentos ou atitudes positivas.

Que mais dizer? Miguel Torga escreveu que nascemos sós, vivemos sós e morremos sós. Sendo esta uma verdade absoluta porque continuamos a não saber preservar aquilo que momentaneamente a vida nos oferece como um bombom para tamanha solidão? Esquecemos de facto que somos seres de afectos e afectuosos, que tudo na vida requer dedicação e que nada é estático.



Um beijo a todos e continuação de uma excelente semana!



Alexandra Martinho