quinta-feira, 18 de julho de 2013

'Demasiada lã nos olhos?'










"A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."

Freud


Nunca entendi, nunca irei entender os moldes comportamentais que regem esta sociedade que mais do que consumista, é egocentrista. Não tenho por intenção criticar ou julgar seja quem for, até porque nestas duas palavras sou doutorada e recuso-me a utilizá-las no meu vocabulário. Sempre disse que quando nos respeitamos tudo muda na nossa vida e orgulho-me de nunca ter usado as "cuecas" ou "calças" de alguém para ser quem sou ou construir o que tenho construído. 

Pedi ajuda quando sabia que os meus recursos não eram suficientes e ajudaram-me, sim ajudaram-me! 

Educaram-me para ser uma mulher de valor, com valor e para jamais deixar que a opinião de ou o "lixo" interferisse de qualquer forma na minha vida. Talvez seja isso que ao longo de todos estes anos tenha e continue a perturbar aqueles que seguem e fazem questão de seguir o igual, o mesmo, o vazio... exactamente tudo aquilo que recuso-me a seguir. 

Debato-me constantemente para que quem me rodeia não caia no erro, no ciclo vicioso de ser o alvo constante de brincadeiras ou comentários porque a brincar, a brincar o macaco fez sexo anal com a mãe e com brincadeiras tenta-se saber mais do que aquilo que parece.

Lanço a questão: de que nos servem palavras bonitas ou teorias altruístas se não agimos em conformidade com elas?

Creio que muitos e muitas ainda não entenderam que todos os dias têm sobre eles olhos que observam e tentam reter os melhores exemplos para que se dê o click. É meus caros e minhas caras nós somos exemplos uns dos outros e é por isso, de extrema importância, que as nossas palavras ajam em conformidade com os nossos actos. Se quero algo, devo construir todo um caminho para lá chegar... se desejo um relacionamento estável devo e tenho de ouvir o que o outro tem para dizer toque isso ou não na ferida, fiquem amuados ou não. E os outros nunca devem ocupar o lugar das palavras eu e tu ou nós, porque quando isso acontece corremos o risco de afundar toda uma construção que demorou a erguer e solidificar. 
Se quero que tudo corra bem no campo profissional devo planear, executar com eficiência. 

Durante toda uma vida vivi com pessoas que primaram pela descrição, privacidade, seriedade e nunca em algum momento as vi partilhar momentos íntimos e familiares fosse com quem fosse - cito o exemplo - durante anos passei férias no Algarve e somente os meus avós sabiam onde estávamos e quando voltávamos.  

Hoje, hoje vejo que os tempos mudaram e que existe uma urgência constante de publicitar onde estiveram, com quem estiveram e quem não esteve "pobre coitado"! Vejo que esta mesma urgência já conduziu e ainda conduz à destruição de inúmeras vidas, mas o hábito está de tal maneira enraízado nos hábitos e costumes da população que quem não se rege por estes princípios tão "inovadores" é considerado reaccionário ou conservador e até mesmo sem interesse... a "mosquita morta"! Estou neste barco e não me importo, há coisas que não devem ser partilhadas, há momentos que são apenas nossos e se é para ir a um sitio com a finalidade de dizer a meio mundo que também fui, prefiro não ir! Mas como alguém disse - "não te metas nisso" - fico-me por aqui porque de facto o importante é viver em consonância com aquilo em que acredito.






Uma excelente quinta-feira a todos!


Alexandra Martinho


    




10 comentários:

  1. Alexandra,

    aplaudo este seu texto e ri-me com a imagem da ovelha cabeluda ou será "lãnhuda"? Infelizmente esquecemos grande parte daquilo que aborda de forma tão directa e sem grande floreados.

    Siga o seu caminho porque a Alexandra está certa e não se preocupe com o resto porque de facto o importante é ser quem somos e não aquilo que os outros desejam que sejamos.

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  2. É a procura incessante pela validação...
    Beijinho

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  3. Para primeira post que li teu só tenho a dizer que gostei e que concordo plenamente,pouco há a acrescentar ao que disseste.

    R: É verdade que quanto mais procuramos menos achamos,por isso é que não procuro desesperadamente mas deixo as coisas acontecerem.

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  4. Amiga Alexandra, desejo do fundo do meu coração que sigas sempre esse caminho.
    Que nada nem ninguém te desvie.

    beijinho e até breve!

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  5. Gostei do que li no primeiro parágrafo. Como tenho que me encontrar com uma amiga daqui a meia hora, voltarei e lerei o texto com atenção.
    Até já.

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  6. Isto tudo e fruto desta sociedade que há muito perdeu os verdadeiros valores da vida,feliz daquele que segue o seu próprio caminho,pois somos nos que fazemos a nossa própria historia mais ninguém ,beijinhos Alexandra

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  7. Bom dia!
    Passei para retribuir a visita e que bela surpresa, adorei o que li...já marquei lugar para ir voltando!
    Bjs
    Maria

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  8. Antes de mais, obrigado pela visita.
    Vim para agradecer, mas encontrei logop este post cuja leitura me prendeu, Estou a gostar do que aqui li e vou continuar a ler
    Bom fds

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  9. Vive-se muito para a exterioridade e para o exibicionismo, é bem verdade, Alexandra...
    Mas olha que a tua ovelha é giríssima - ri-me a bom rir!
    Beijinhos!

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  10. Muito obrigada pela reflexão que fez. Reflete muito bem aquilo que é, hoje, a sociedade.

    http://www.lavarcabecas.blogspot.pt/

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)