quarta-feira, 31 de julho de 2013

'Desceu o Pano'









Desceu o pano, apagaram-se as luzes, saí de cena, fim de acto.



Há quem considere por aí que a vida é uma peça de teatro composta por vários actos, várias personagens, muita trama, muito enredo e muita, mas mesmo muita merda que não lembra nem ao menino de Jesus.

Nos dias actuais tudo ou quase tudo é banal. As relações intimas são banais, as separações banais são, as relações profissionais e sociais são banais. Mas atenção, apesar de tanta banalidade, há quem se atreva a olhar para trás e ao descobrir o "bananal" da vida resolve dar umas quantas lambadas nesse tal parvalhão, o banal.

Não vim a este mundo para travar braços de ferro com seres por mim amados, nem para julgar as minhas próprias escolhas. Vivo e existo para ser feliz! Quem não vive com este objectivo? Sou observadora dos meus pensamentos, das minhas necessidades, emoções e até do ego. 

Ouso perguntar - Alexandra, o que desejas neste momento da tua vida? O que desejas vem do teu coração? Quem são os significativos da tua vida? Vives de acordo com os teus valores?

A verdade magoa e magoa ainda mais quando é dita de forma ríspida sem o ênfase de ternura que nos devia ser característica quando lidamos com o outro. Lidamos com seres humanos, não lidamos com bonecos ou sacos de batatas sem qualquer rasgo de personalidade ou vontade. Falo livremente e assumo cada palavra porque ao reprimir torno-me num recipiente azedo, amargurado. 

Amar outra pessoa é uma arte, nem sempre a teoria cinquenta/cinquenta funciona porque é difícil o casal estar constantemente no mesmo patamar e isto é visível quando ocorrem perdas ou mudanças significativas que provoquem dor a pelo menos um dos membros. Temos uma enorme facilidade em personalizar o mal estar do outro como se tivéssemos feito algo de errado, dizemos coisas sem pensar e com isto aumentamos ainda mais a insatisfação, o mal estar que culmina em explosões de deixar qualquer um de boca ao lado. Aqui há que vestir a pele do outro, sentir a dor que ele sente e assim desenvolver a compaixão. Isso mesmo, compaixão!
Ouvir, ouvir realmente o que o outro tem para dizer, dando-lhe o respeito e importância que ele ou ela tem na nossa vida é uma forma de estar presente a cem por cento. São estes momentos de abertura que dão origem ao perdão, ao aceitar, ao deixar de lado o estado defensivo constante que nos assola porque esquecemos que nascemos inocentes, amorosos, flexíveis. 

Jamais poderei esquecer quem sou e não esqueço o sofrimento que causaram a quem tenho do meu lado. Com o sofrimento aprendemos a excluir, a não repetir. Ao longo dos anos tenho-me debatido contra carneirada que se armam em sanguessugas, conheço-os bem, porque eles foram-se infiltrando como quem não quer a coisa até que... tudo terminou com um péssimo THE END! É difícil de compreender essa história do cunhado para aqui e para ali porque quando o devia ter sido não foi, cunhado é ser irmão, e não é agora que decerto o será porque há alguém que ocupará esse lugar, por sinal, meu irmão. São estas mistelas que confundem-me e geram mal estar. Gente que inflige sofrimento e toma partido segundo a direcção do vento que mais favorece deve ser riscada da possibilidade de ver o branco dos dentes, é simples! Com o divórcio há um fim de uma etapa de vida e o surgimento de uma nova, com uma outra pessoa e novos laços.

Quando somos jovens e nos propomos a dividir a nossa vida com alguém devemos aceitar e compreender, mas nunca permitir que o passado do outro se misture com o presente. Mais tarde ou mais cedo os desentendimentos surgirão pela demasiada intromissão de terceiros nocivos ao novo relacionamento, porque com eles carregam toda uma carga de histórias e vivências que não correspondem ao momento actual. É preciso estar alerta e colocar as coisas nos seus devidos lugares!


Desceu o pano, resolvi por momentos deixar que a hipocrisia ande contente na sua ilusão, desactivei a minha página pessoal do facebook por medo da minha impulsividade e porque prefiro levar com a pancada se isso significar proteger quem amo. Com este texto quero transmitir apenas, não descuidem os vossos relacionamentos e não misturem o passado com o presente! É simples!




Uma excelente quarta feira e fiquem com um excelente cover do Variações que tem tudo, menos engate!





Alexandra Martinho

18 comentários:

  1. Li com atenção tudo aquilo que a Alexandra escreveu e tem razão no que escreve. As mistelas nunca dão bom resultado, falo por experiência própria.
    Nota-se que a Alexandra é uma mulher jovem, no começo de vida e quando estamos nesta situação queremos viver novas experiências e estágios próprios de um relacionamento a dois.
    Aquilo que descreve gera desconforto e é importante identificar a causa desse mesmo desconforto mesmo que possa magoar.
    Há muito amor em si, muita intensidade, a intensidade própria de uma leoa que defende o seu leão e território contra tudo e contra todos.

    Não é natural, nem razoável que se continuem a utilizar "títulos" familiares quando na altura que deviam ter funcionado, não funcionaram. Muito menos sentido faz quando há um novo relacionamento a decorrer, com novos intervenientes que têm todo o direito de se sentirem magoados ou desconfortáveis com a situação. Isto não implica cortar relações, apenas atribuir o lugar de acordo com a situação presente.

    Quanto às intromissões é o pão nosso de cada dia e se vocês forem um casal que se compreende mutuamente apesar das diferenças, haverá sempre alguém que procurará destabilizar.

    A Alexandra é uma mulher ponderada e com os pés bem assentes na terra e isso deve causar dor de cotovelo, não se acanhe! Certos muros para serem derrubados precisam de pessoas como você!

    Tudo de bom!

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    1. Independentemente da imagem que possa ou não passar, sinto-me no dever e direito de defender aquilo em que acredito. E sei, sei que magoo não pelo que digo mas, por vezes, pela maneira como o digo (emoções engarrafadas).

      Sou jovem, estou no começo da vida e vi o pior do ser humano, como o verdadeiro lado bom! :)

      Tudo de bom para si também!

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  2. Tantas e tantas vezes que misturamos o passado com o presente,mas tens razão não o devemos fazer,e devemos mesmo estar mais atentos aos nosso relacionamentos,a quem temos a nosso lado,é uma coisa que nem sempre fazemos mas que deviamos ter sempre em conta.

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    1. Márcia,

      aprendi que não podemos, nem devemos misturar histórias e muito menos trazer o "lixo" do passado para o presente. Se queremos mudar, evoluir, temos de abrir de certas coisas!

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  3. É preciso coragem para escrever o que escreveu, por medo, eu não o faria! Mas acredite, não é a única a pensar dessa forma!

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    1. Quando dizemos a verdade não há que ter medo!

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  4. Alexandra,

    em primeiro lugar quero dar-lhe os parabéns por ser uma jovem emocionalmente inteligente, o que faz toda a diferença nas escolhas e vivências do dia-à-dia.
    Ao colocar de lado o facebook por receio da sua impulsividade teve um comportamento inteligente que a resguardou e resguardou quem ama de dissabores e de aspectos específicos que entram em choque directo com os seus valores.

    Não podemos, nem devemos considerar o texto da Alexandra como um desabafo ou critica a alvos, não, não é isso que vislumbramos nas suas palavras. Aquilo que relata chega ao meu consultório inúmeras vezes e acredite, seria bom que todos tivessem a mesma coerência de discurso que o seu.

    Quando acontece o divórcio, dá-se uma perda para a qual ninguém está preparado. Perdem-se laços, vínculos afectivos e se houver filhos do relacionamento que terminou a dor é ainda maior, sobretudo, para o homem. O homem continua a ser castigado severamente pela sociedade quando ocorre uma ruptura afectiva, além de que, vê a sua participação como educador restrita a dias marcados e depósitos de quantias mensais para as despesas dos filhos.
    Após o período de luto é natural que haja o interesse/vontade de voltar a refazer a vida conjugal com outro parceiro/a, o que implica a cura de todas as feridas ou mágoas deixadas pelo relacionamento que terminou.

    Há águas que não devem ser misturadas e, no novo relacionamento, não deve ser permitida a entrada de pessoas ligadas a essa outra fase da vida que terminou. Inevitavelmente existirão conversas recorrentes sobre o outro relacionamento e exposição da vida conjugal do novo casal. Logo, nem deve existir a manutenção dos títulos familiares de que a Alexandra fala, porque ao fazê-lo, há como que um desrespeitar da posição de alguém que acabou de chegar e tem a difícil tarefa de lidar com tantas e inúmeras situações que podem gerar constrangimentos (esta é uma delas).
    É preciso ter maturidade e jogo de cintura para saber lidar e actuar de forma sensata e assertiva perante as adversidades e confusões desta realidade cada vez mais presente na sociedade actual.

    Quero salientar que os novos parceiros têm um papel preponderante na vida afectiva e social do companheiro como dos filhos deste. (Um papel tantas vezes esquecido e desvalorizado)
    Servem de mediadores de conflitos e possuem a isenção necessária para dizer o que está bem ou mal, para perceber as intenções alheias ou não. Eles são, afinal, os olhos sem mágoa e ressentimento que servem de candeia ao bom entendimento.

    Seria benéfico que o seu texto fosse partilhado, com algumas alterações para não ferir susceptibilidades alheias. É um bonito momento de alguém que vive o amor sem sequelas de perdas passadas, algo raro de se encontrar. Não tenha medo que a verdade magoe e mime o seu companheiro como tem feito até então. Para terminar e voltando ao facebook, o grande problema destas redes sociais é a sua má utilização e demasiada exposição da vida pessoal. Compreendo a sua posição que embora represente uma minoria é a mais correcta e sensata.

    Um beijinho, Alexandra

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    1. Obrigada pelo seu comentário, somente consigo dizer isto... porque de resto está tudo lá!


      Beijinhos!

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  5. Olá Alexandra,

    Para viver é necessário ter uma dose industrial de coragem. Refiro-me a viver e não a fingir que se vive, o que à partida complica tudo.

    Acho que devemos ter uma capacidade total de entrega quando gostamos verdadeiramente de alguém - só assim vale a pena -mas, saber de alguma forma defender-nos. Acreditar sim, mas conhecer bem o outro antes de nos atirarmos de cabeça. Evita muito sofrimento. Evita que se caia em depressões difíceis de curar.

    Não ter receio de pensar em nós. Não ter receio de usar o 'eu', sem ser de forma umbiguista. Quando somos gente bem resolvida, facilmente passamos essa boa energia para terceiros. Acredito em energias. Boas e más. Sou estranha, bem sei.

    Quanto à parte do facebook, não tenho, nunca tive (apesar de existir gente que insiste que sim, sabem mais da minha vida do que eu própria, pelos vistos) e não pretendo ter, a não ser que fosse por motivos profissionais. Se resolveu desactivar a sua página, lá terá as suas razões, desde que a deixe mais tranquila. Voto nisso.

    Tenho blogue como sabe, porque gosto de escrever. Dá-me um prazer absurdo. Serve de terapia, de troca de ideias, de divertimento e acima d tudo tudo o que por lá existe é honesto. Não engano ninguém. Esse não é o objectivo. Palpita-me que a onda do facebook é diferente. Demasiada exposição par o meu gosto. Demasiada agressividade por vezes. Não me atrai.


    O passado acaba sempre por se querer misturar com o presente, com o tempo, acabamos por saber muito bem gerir a coisa. Não é dramático. Penso.

    Beijinho.

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    1. Maria, 

      é preciso ter coragem de viver e ser quem se é, não quem se diz ser. Entrega, palavra esplendorosa que serve para definir o acto de doar o coração a alguém. Amar é uma forma de doação.
      Sou jovem, tenho o sangue na guelra e sei que pelo caminho até posso magoar quem está próximo de mim porque apesar de conseguir ceder, chega a um momento em que necessito dizer aquilo que sinto e penso.
      Para mim e por mim falo, cada coisa deve ter o seu devido lugar para que não aconteçam misturas desnecessárias.
      Acompanho de perto quem amo, ouço-os atentamente e cada desabafo que tiveram e têm comigo sinto na pele, coloco-me do lado de lá, "fecho os olhos" e visto a pele dessa pessoa. Não tenho feitio, nem fel para empurrar seja o que for com a barriga e causa-me angustia quando o fazem. 

      Já vi e senti até que ponto as pessoas na sua generalidade conseguem ir quando percebem os pontos fracos de alguém, cutucam na ferida como se não houvesse amanhã. Quem gosta de assistir a algo assim? Ninguém! Mas é sempre um pau de dois bicos em que numa ponta falamos e corremos o risco de ser mal interpretados (o que acontece na grande maioria dos casos, com a agravante de que ficamos os bad boys ou girls do filme) ou nada dizemos e ainda nos culpam porque nada fizemos, nada dissemos.

      O passado só deve ser utilizado para evitar os mesmos erros, as mesmas peripécias no presente e assim construir um futuro promissor. Será que estou enganada quando digo "Gente que inflige sofrimento e toma partido segundo a direcção do vento que mais favorece, deve ser riscada da possibilidade de ver o branco dos dentes"? Atenção que não digo cortar definitivamente com os laços, mas não será que não devemos dar muitas abébias? Ponho muitos pontos de interrogação nestes comportamentos que até podem ter um q de arrependimento, ou não!

      Poderia acrescentar mais, mas fico por aqui!

      Quanto ao facebook, já disse o que tinha a dizer, preferi sair para não me chatear e por a nu uma série de coisas que há muito deveriam ter sido faladas. Falta uma coisa, Maria, repor a justiça e tudo gira em torno disso mesmo, repor a justiça. 
      Como mais acima disse podem ficar magoados comigo para sempre mas, enquanto viver, têm de passar por cima de mim primeiro!

      Beijinhos!

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    2. "Gente que inflige sofrimento e toma partido segundo a direcção do vento que mais favorece, deve ser riscada da possibilidade de ver o branco dos dentes"?

      Não está de forma alguma enganada. Muito certa mesmo.

      Beijinho e espero que encontre a tal tranquilidade que tanto procura ou precisa :)

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  6. Querida Alexandra a banalidade tornou o ser humano sem princípios ,talvez culpa desta sociedade robotizada sem discernimento para viver em comunidade .Apenas lhe posso dizer que viva a vida como sempre a desejou ,siga sempre os seus pricipios e valores que decerto encontrara a felicidade,os outros apenas fazem parte de nos ate ao dia que dizemos basta ,muitos beijinhos Alexandra

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    1. Emanuel,

      tento dar e fazer o melhor por mim e pelos meus. Estou com eles nem que seja em pensamento e neste momento a única coisa que desejo é descanso. Este espaço, o meu espaço, é a minha terapia onde descarrego aquilo que me angustia. 
      Está tudo de pernas para o ar...


      Beijinho! 

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  7. excelente, também acho que não se deve misturar o passado com o que quer que se esteja a viver no presente!

    bj*

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  8. Uma das coisas que mais me lixa é sermos sinceros e honestos para com os outros e em troca levarmos umas facadinhas das costas, principalmente de quem nós não esperamos.

    A vida é mesmo assim, é uma aprendizagem, e agora compreendo que há muita gente que é sacana porque aprendeu a ser sacana. Não vivemos num mundo de inocentes; todos têm os seus problemas, e em competição isto é mesmo uma selva, onde se tu não comes alguém, é alguém que te come!

    Eu próprio vou aos poucos deixando os meus valores e princípios de lado, que eu sempre tive como sagrados, em prol do manual de sobrevivência. Até com Deus eu me chateei, mas, felizmente, eu sei que Ele deve é estar a rir-se de mim por tudo o que me está a acontecer...

    Muita coragem, Alexandra, que a vida tem sempre os seus altos e baixos... mas ainda assim ela é para ser sempre vivida porque vale a pena.

    Beijinhos.

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  9. A banalidade realmente me aflige, confesso que não tenho muito jogo de cintura para lidar com situações geradas por isso.
    Belo texto,
    Grande abraço e sucesso!

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  10. O FB é perigoso e é preciso saber usá-lo com parcimónia. As pessoas ainda não perceberam que têm mais a perder do que a ganhar com ele.

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  11. A vida põe-nos à prova muitas vezes, dessas provas emerge o nosso carácter, ele e a tua força transparecem neste texto.

    Beijos, fica bem

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)