terça-feira, 27 de agosto de 2013

"Família é uma pequena sociedade composta por um homem que não ganha o suficiente, de uma mulher que não cuida da casa como devia cuidar e de alguns filhos que estão cada vez mais impossíveis." Fernandes , Millôr 







Escolhi de forma propositada a citação que serve de título e base de fundamento deste presente texto. Controvérsias aparte, se visualizarmos o ambiente que nos cerca verificamos que o conceito de família, homem e mulher mudou com os tempos e com a civilização.
O homem não é mais o provedor de estabilidade material da família, a mulher não é mais a eximia dona de casa a tempo inteiro. A família é tantas vezes composta somente por um dos pais ou pelo pai e mãe com respectivos madrasta e padrasto. Onde ficam os avós e familia alargada? Salvo excepções, os avós embora importantes no fortalecimento da identidade das novas gerações vêem o seu papel reduzido a visitas rápidas e curtas tantas vezes confinadas entre quatro paredes de um centro de bem-estar para terceira idade.
As crianças de hoje não são as mesmas de há trinta anos, querem tudo, tem tudo e a nada dão valor. Falta-lhes o essencial, atenção, afecto, amor, carinho, educação, o uso do não, compreensão e presença dos progenitores. Aos progenitores o que falta? Tempo!

A falta de tempo é rainha na nossa sociedade. Não há tempo para viver, amar, sentir ou, simplesmente, brincar nem que seja com as palavras. Parece-me que tudo é enfadonho, um frete e à primeira contrariedade o melhor a fazer é seguir em frente. Viver não é isto. Isto, isto que temos em tantos cantos e lugares é facilitismo. Facilitismo e acomodação. O facilitismo em que nada é suficiente e onde é visível a falta de maturidade dos indivíduos para assumir compromissos.

Não será que um dos maiores erros que cometemos é o de ignorar que somos o resultado de vivências e acontecimentos desde a infância? Até que ponto, enquanto pais, somos responsáveis pelas vidas fracassadas dos nossos filhos? Que valores andamos a incutir nestas novas gerações? Seremos nós exemplos dignos para eles? Fala-se, dizem por aí que o casamento é um contrato, será mesmo? Não será que transformamos o casamento numa fantochada denegrindo o seu real valor, para esbater a falta de maturidade e medo? Não será que se quer prolongar eternamente a adolescência? O divórcio é o quê? Resultado de ou de quem?
Que andamos a semear afinal? Tudo o que vivemos não é produto da nossa imaginação, mas sim, das nossas mãos! Vivemos do fim para o principio.


Uma excelente terça feira para todos!


Alexandra Martinho





9 comentários:

  1. r: oh obrigada pelo comentário, concordo bastante com o que disseste! beijinhos *

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  2. Tens toda a razão embora estejas a generalizar. Ainda há famílias tradicionais mas que dificilmente conseguem manter os seus intentos. E o preço da modernidade...

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  3. Vim aqui parar e fiquei a ler e reler a citação e o teu texto.
    Como sou uma "velhota" ao pé de ti, atrevo-me a dizer " As crianças de hoje não são as mesmas de há 30/40/50 anos".
    Não podia estar mais de acordo.
    No meio desse tudo faltam-lhes os alicerces de uns pais presentes, que se desculpam com a falta de tempo.
    Não podemos parar o tempo, podemos mudá-lo e moldá-lo ao nosso jeito.
    As crianças de agora cresceram com falta de tempo para serem amadas e isso reflete-se no seu comportamento actualmente.
    Apesar de ter sido educada com "alguma" falta de tempo, eduquei os meus filhotes com valores e com muito amor.
    Foi esse tempo que de certa forma me levou a esquecer-me de mim., mas hoje olho com orgulho para os meus 4 rebentos.
    Gostei muito de passar por aqui e vou ficar por cá Alexandra.
    Por motivos de força maior infelizmente, ando um pouco ausente da blogosfera, mas eu volto com o tempo.
    Beijinhos
    Vivi

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  4. Eu não sei o que é uma família tradicional...
    Somos o produto do que fizeram de nós, mas também do que conseguimos fazer por nós :)
    Beijinho

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  5. Como sempre escreves post que nos deixam a pensar.É verdade que as famílias de hoje não são as mesma de ontem e se por um lado algumas mudanças foram para melhor outras nem tanto,mas isso é mudança e é vida.
    Boa semana para ti :)

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  6. Com as mudanças socias e políticas, o conceito de família acompanhou essa mudança e com isso, houve perdas e ganhos... entre muita coisa que se perdeu e que foca no seu post, perdeu-se a quantidade e perdeu-se muita qualidade, nomeadamente, o sentido de união, partilha e entreajuda. Os ganhos foram menos, no meu modesto ponto de vista, saliento que se ganhou liberdade apenas e só, na família nuclear.

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  7. O presente texto é um reflexo do estado em que se encontra a sociedade. Como a Alexandra disse e, muito bem, vivemos do fim para o principio. 
    O namoro é a fase de conhecimento mutuo dos membros que constituem um casal, onde há a descoberta do outro e se esse outro é de facto ou não a pessoa indicada para partilhar a nossa vida e dar o passo seguinte, casamento.
    O namoro ou enamoramento do casal deve durar para sempre, pelo menos, é o que se pretende. Mas não devemos confundir namoro com casamento porque são fases distintas da vida do indivíduo. 

    "Não será que transformamos o casamento numa fantochada denegrindo o seu real valor, para esbater a falta de maturidade e medo? Não será que se quer prolongar eternamente a adolescência? O divórcio é o quê? Resultado de ou de quem?" - Transportamos em nós uma enorme bagagem emocional, Alexandra e infelizmente, não nos damos o tempo suficiente para sarar feridas ou perceber aquilo que nos fere sempre que projectamos algo em alguém. 
    O casamento transformou-se numa fantochada porque vivemos rodeados pelo culto do individualismo, invertem-se passos fundamentais no nosso desenvolvimento e sim, há o querer prolongar eternamente a juventude o que nos torna infantis e incapazes de assumir compromissos. Colocamos à frente de tudo as amizades fúteis e aquela solteirice que gera vazio.  O casamento não é um contrato, é um compromisso entre duas pessoas que querem partilhar e crescer em conjunto. 
    São inúmeras as famílias disfuncionais (escreva sobre elas) porque os seus membros raramente viveram os diferentes estágios de desenvolvimento de forma acertada. As respostas de grande parte dos nossos medos estão guardadas no subconsciente e vêm dos tempos de infância.
    Não é porque um casamento falhou que o segundo não irá resultar e devemos respeitar as necessidades e desejos dessa nova pessoa, ela ou ele não tem culpa do que nos aconteceu no passado.
    No que toca a crianças e adolescentes se não temos pais estáveis como podemos ter descendentes estáveis e preparados para a vida? Voltamos novamente ao problema das famílias disfuncionais. O menos é mais e isto serve para educar, quanto menos se der e quanto mais presentes formos mais saudáveis eles serão. Ser pai ou mãe é um papel com ganhos e muitas abdicações e no que toca a estas últimas poucos as gostam de fazer.

    Alexandra, faz bem em escrever textos que nos incitem à reflexão e é bom saber que ainda existem pessoas bem resolvidas. Que não têm medo de expor as suas opiniões e sentimentos. É jovem, madura, tem sonhos e é agora que os deve realizar! Dou-lhe os parabéns pelo blogue e pelo seu carácter.

    Um bejinho!

    A.C.L

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  8. Pouco há a acrescentar, quando já dizes tanto. O tempo é a CHAVE de uma sociedade que vive a correr e com os olhos postos no chão.

    Beijinho*

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)