terça-feira, 17 de setembro de 2013

'A Grande barraca Nacional -  Leilão de objectos pertencentes à família Real Portuguesa sem conhecimento das autoridades nacionais"'





(estes são apenas alguns dos exemplares em leilão que podem ser encontrados aqui)




Aquando da queda da Monarquia a 5 de Outubro de 1910 grande parte do espólio pessoal/nacional da família real Portuguesa ficou espalhado pelos diversos países onde esta fixou residência após o exílio.
Como todos sabem ou pelo menos deveriam saber o Palácio Nacional da Ajuda outrora chamado de "A barraca real" alberga no seu interior diversas colecções (tapeçaria, faiança, mobiliário, fotografia, ourivesaria/joalharia, pintura e afins) algumas resgatadas em leilões internacionais e outras que haviam sido confiscadas e reunidas pela Primeira República e Estado Novo a todas as propriedades dos Bragança.

Hoje, enquanto todo um país se debate por questões políticas e futilidades adjacentes, vão a leilão inúmeras peças nacionais pertencentes à familia Real Portuguesa.  

Oriundas de coleccionadores privados (onde constam filhos e netos de empregados da Rainha D. Amélia) e da própria família real italiana de onde a Rainha Maria Pia era descendente, estas peças contam parte da existência de uma nação de que todos deviam ter orgulho. 

É impressionante verificar o esquecimento que paira neste pobre Portugal. Portugal está pobre, pobre de valores e de pessoas que se dignam a ser pessoas como manda a antiga lei. Muitos são os discursos, as filosofias, o "ai meu deus do céu" e poucas, muito poucas são as acções em prol da defesa dos nossos interesses. Interesses de todos!
Na esfera pessoal de cada um é a merda que vemos dia após dia, relacionamentos que fracassam, coscuvilhice sem fim e erros que se repetem vezes sem conta como autênticos padrões enraizados. 

Pena é o que sinto!

Os Portugueses gostam de levar no traseiro sem qualquer tipo de permissão ou lubrificação. É vergonhoso, para mim é vergonhoso assistir a todo este estado de passividade e inércia a que se sujeitam dia após dia. 

O poeta é um fingidor e os Portugueses têm alma de poeta, são grandes fingidores para o bem e para o mal. Está sempre tudo mal, mas está-se bem assim!


Alexandra Martinho




(Uma música que apenas diz o quanto estou farta de gente e coisas de merda)




6 comentários:

  1. É vergonhoso, de facto, Alexandra! Não posso deixar de referir que senti neste seu texto uma enorme revolta pessoal. Uma revolta própria de quem observa o mundo com atenção, de quem não se curva perante ninguém e afasta da vida quem lhe deixa o coração e alma doente.

    Este é um espaço à reflexão. Infelizmente, a pessoas como a Alexandra, não se dá o devido valor na devida altura e depois é tarde...

    Um beijinho!

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  2. Estou estupefacta!

    Num país que está a ser vendido a retalho , claro que a História não interessa nada...até porque se as coisas continuam pelo caminho presente, Portugal deixará de existir!

    Costumo dizer que não há inocentes nesta tragédia, porque quem não vota, deixa a terceiros o destino da nação e perde o direito a protestar; e quem vota por partidarite como se a política fosse um jogo de futebol, sem reflectir no mais conveniente para a comunidade, é acéfalo.

    Alguém disse que quem escolhe corruptos para o representar , não é vitima , é cúmplice.Desgraçadamente , é o que se passa no nosso país.

    Perderam-se muitos valores e os que restam estão invertidos.

    Sinto-me tão indignada como a Alexandra e lhe deixo cordiais saudações

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  3. É, de facto, vergonhoso!

    Aqui há tempos, passou um programa na televisão sobre pertences reais em posse de terceiros. As pessoas em causa não esconderam nem proveniência nem o que faziam os familiares para os, agora, possuírem.
    O Estado deveria ter confiscado esses bens já que eles foram sonegados por servidores; já que eles fazem parte de todo um espólio, que é do país e não de A ou B, que os roubaram.

    Beijo

    Laura

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  4. Destruir assim o nosso património, o nosso passado? Ultraje.

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  5. E triste quando nem o pouco que temos conseguimos preservar, objectos que para mim jamais teriam valor monetário pois fazem parte da historia riquíssima do nosso pais ,apesar de "sermos" tao pequeninos de mentalidade de nada fazermos .Ate quando continuaremos assistido a lapidação de todo um património que um dia fez deste pequeno Portugal uma potencia mundial ,tenho raiva de quem tem autoridade e nada faz e acima de tudo sai impune de tantas atrocidades cometidas pela ganancia de alguns destrói-se um património ,lamentável ,beijinhos Alexandra

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  6. a barraca é ainda maior se pensarmos que o 'estado' não conhece a totalidade dos bens que lhe pertence. com uma reduzida secretaria de estado da cultura como a actual é impossível garantir a protecção de objectos de interesse nacional...não imagino e tenho medo de imaginar o que já terá ido para o estrangeiro nos últimos 2 anos :(

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)