segunda-feira, 2 de setembro de 2013

'Regresso às aulas e os 100 milhões de euros que os Portugueses vão gastar'






Todos os anos no início de mais um ano lectivo é sempre a mesma história, quanto gastam os pais com cada filho em material escolar e afins. 

Este ano em grande plano num qualquer jornal ou estação televisiva aparece o título "Pais gastam 100 milhões no regresso às aulas".
Ter e criar um filho envolve despesas, sempre assim foi e sempre irá ser. Não será nossa função enquanto principais educadores promover o acesso à instrução escolar das crianças e jovens? Ou será que agora também isso é considerado um problema e um frete?
Ter um filho é uma opção consciente que à partida envolve encargos que serão rentabilizados a longo prazo, afinal, qualquer pai ou mãe sente orgulho em ver o filho formado profissionalmente e não só, porque, embora esqueçamos e não tenhamos tempo, a principal e fundamental educação é transmitida em casa.
Já era altura de pararmos de olhar para as crianças e jovens como se fossem números e estatísticas. Devemos separar o supérfluo do necessário e deixo um exemplo, em vez de se comprar uma mochila da "hello kitty" que se destrói no primeiro ano de uso, porque não comprar uma que dê para os quatros primeiros anos de vida no mundo do ensino? Esta "coisa" de dar aos filhos tudo e o além do tudo para que não se sintam inferiores perante os colegas traz consequências a longo prazo porque, na vida, não podemos ter tudo aquilo que desejamos. Não admira que hoje crianças, jovens e até adultos sejam tão susceptíveis a frustrações.

Caricato que nunca ouvi da parte dos meus pais uma única lamentação no que toca aos gastos que tiveram com a minha educação e do meu irmão. São ricos? Não, não são! Eram outros tempos? Sem dúvida que eram. Porém, não alimentaram caprichos ou exigências da nossa parte (que nunca tivemos) e colocaram de lado todos os anos o montante correspondente ao que iriam gastar na compra de livros e outros materiais.
Quanto aos 100 milhões, que dizer sobre isto? Num tempo em que a crise é justificação para tudo, admira-me como as famílias portuguesas conseguirão gastar 100 milhões de euros em materiais para o novo ano. 

Perante tantos gastos com os filhos é altura, creio eu, de pensar se de facto ter um filho é uma mais valia para a vida ou, simplesmente, mais um encargo a pagar como se fosse um carro e uma casa. São coisas e lousas que não batem certo e pouco sentido têm, pelo menos, para quem ainda tem a cabeça no sitio para pensar.

Não há nada melhor ou que pague neste mundo a benção de ter um filho, de ser mãe!


Uma boa semana para todos!

deixo este artigo a título de curiosidade:



Alexandra Martinho

11 comentários:

  1. Concordo plenamente e sempre a mesma coisa quando começa um novo ano lectivo ,e preciso e viver com noção das coisas ,no meu caso eramos quatro a estudar ao mesmo tempo so meu pai trabalhava ,nao posso dizer que tive tudo aquilo que queria porque infelizmente nao dava ,mas estou grato aos meus pais lutaram para nos criar com sacrifícios estudamos ate onde quisemos e acima de tudo deixa-nos uma riqueza que nao tem preço os valores da vida esses sim uma escola que nao tem preço .Hoje olho e vejo pais que se queixam de tudo ,mas reparo que são os mesmos que lhe dao tudo o que querem ,uma insensatez viver na ilusão das coisas ,de que serve tais queixas se o mesmo espelho e tao frágil no pensar da vida.Muitos beijinhos Alexandra

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  2. Entendo as suas palavras e o seu desabafo. E entendo perfeitamente aquela parte do:
    'Esta "coisa" de dar aos filhos tudo e o além do tudo para que não se sintam inferiores perante os colegas', só que neste momento o facto de existirem casais em que ambos estão desempregados e com filhos a estudar, deve ser desesperante, penso.

    O facto de se ter de explicar às crianças que talvez já não possam ter aquilo a que estavam habituados, sem exageros obviamente, também deve ser difícil de aceitar por parte de crianças muito pequeninas e que nada entendem de 'dinheiros'.

    Tudo tem de ser feito com calma, tentar entender os dramas que devem andar por aí trancados a sete chaves, com vergonha e receio de uma sociedade que não quer saber de mim, de si e de outro qualquer.

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    1. Olá Maria,

      é evidente que deve ser desesperante ter filhos a estudar e sem emprego, uma fonte de rendimento segura que assegure a conclusão desses mesmos estudos. Quantos e quantos não estão a abandonar os estudos universitários por causa dessa mesma situação.
      Não quis de algum modo generalizar, apenas, evidenciar a maneira como se aborda actualmente a entrada das crianças e jovens para as escolas. Tudo se baseia em números e estatísticas.
      As gerações de hoje estão mal habituadas, os meus pais preparam-me desde pequena para que soubesse lidar com o tempo das vacas magras sem entrar em paranóias e, o que é certo, embora entendendo a gravidade da situação que vivemos não vou na onda e luto por inverter a minha situação.
      Não temos de dar tudo aquilo que eles querem, é preferível saber dizer um não, saber elogiar e estar presente nos momentos decisivos das vidas deles. As crianças de hoje não são elogiadas e passam a maior parte do tempo sozinhas.

      Portugal é de facto o país da vergonha e das aparências e depois é a tal coisa, quem de facto precisa não é ajudado. Custe ou não devemos denunciar e dizer o que se passa, não é vergonha dizer "não tenho pão na mesa", vergonha é andar a encher o bandulho de gulosos que se recusam a trabalham e continuam a viver à custa dos trabalhos alheios.

      Beijinhos, Maria!

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  3. Quando andei a estudar, eram os meus pais que viviam com grande dificuldade económica.
    Não tinha o que gostava de ter e compreendia.
    E sabes que mais? Não fiquei traumatizado.
    Tudo por que passei, ajudou-me a crescer. Fui educado com base nas coisas básicas.
    Os tempos eram outros? Sim e então?

    Eu estudava e a minha mãe não tinha emprego.
    O que me 'obrigou' a um esforço suplementar, a uma aplicação auto inflingida. Sabia que quase tudo dependia de mim.

    Não consigo perceber o que se está a passar.
    Deve ser um problema meu, Alexandra.

    Beijocas

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  4. Começamos logo pelo simples facto dos livros escolares serem carissimos. Já muita gente compra em segunda mão e deve-se ensinar ás crianças que se deve preservar os livros para no ano seguinte conseguir ganhar algo com eles!
    Escolaridade se é obrigatória os livros deveriam ser gratuitos ou pelo menos mais baratos e não o preço enorme que tem!
    Material escolar escolhido pelos professores, caderno tanto, lápis de cor de tal marca, as canetas de cor da marca X as aquarelas Y e o pó de tinta nao sei de quê que nem sequer vão ser usadas por falta de tempo, mas os professores pedem! O bloco, o caderno, o estojo, a mochila, epá todo um conjunto de coisas obrigatórias, que quando explicadas as crianças tem que entender que nem sempre pode ser o que querem e como querem!

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  5. Se os meus pais soubessem o que hoje sabem, possivelmente ter-me-iam feito estudar inglês e mandarim. O português poderia sempre ser falado em casa com eles ou com os amigos. :)

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  6. Como pais, eu e o meu marido demos o melhor que podíamos para a educação dos nossos filhos, sem exageros mas sem falta de material de apoio, essa é a função dos pais.
    Infelizmente actualmente o país não os valoriza.
    Mas nunca lamentarei a sua boa formação.

    beijinho amiga Alexandra

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  7. parece que o negócio da edição de livros começa a ser contrariado por uma crescente sensibilização para a reutilização dos manuais... o dinheiro até pode ser bem empregue mas, é um exagero e há quem lucre muito com a alteração de programas e manuais...

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  8. No meu tempo de estudante, não havia margem para excessos e exageros. O material escolar limitava-se ao necessário, sem grandes floreados, bonecadas e vedetas da moda no mundo da animação infanto-juvenil.
    Relativamente aos manuais escolares, considero que atualmente e desde sempre, os preços são realmente abusivos.

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  9. "Caricato que nunca ouvi da parte dos meus pais uma única lamentação no que toca aos gastos que tiveram com a minha educação e do meu irmão. São ricos? Não, não são! Eram outros tempos? Sem dúvida que eram. Porém, não alimentaram caprichos ou exigências da nossa parte (que nunca tivemos) e colocaram de lado todos os anos o montante correspondente ao que iriam gastar na compra de livros e outros materiais." - subscrevo totalmente. O meu post Livros caros e caros livros é exatamente sobre isso. Há um total desinvestimento na educação e na aprendizagem, a começar por casa... O lazer vem sempre primeiro. Toda a favor do lazer, toda a favor do estabelecimento de prioridades.

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  10. Gostei do que escreveu e da forma como o escreveu! E disse tudo... sem mais! Manuela

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)