sábado, 16 de novembro de 2013

'Rame-rame do Costume'






Por aí algo se perde, qualquer coisa que fica por dizer, por fazer e parecendo que não, lentamente, o coração entra num labirinto que o afasta do verdadeiro lar.
Não existem minutos, suficientes, para que os olhos observem sossegadamente aquilo que os cerca, não há tempo ... o vazio que turva o sentimento, o costume de estar acostumado ao rame-rame com que se blinda a vida. Tudo parece enfadonho e os rostos que não mais se olham são os mesmos que tarde ou cedo para sempre se afastam. 
Qualquer coisa de estúpido, de infame acalenta a civilização das ruínas onde a mais mortífera das doenças lentamente seca a alma. 
No rame-rame do costume todos fazem o mesmo, praticam e conjugam alegremente o verbo derrotar porque tudo é uma questão de competição.
Esqueceram a finalidade, deixaram de questionar, caminham... simplesmente caminham por aí como autênticos moribundos.

Recusar a mudança é esquecer a finalidade de viver. Esquecer de olhar e alimentar o sorriso de quem se ama é entrar nas sombras da falsa garantia de que tudo está garantido. 
Olha... um simples olhar basta para purificar a tua vida. Não esqueças quem te ama, olha-a nos olhos porque a pessoa que um dia amaste ainda existe. Observa atentamente cada evento que vivencias e não chores pelo que já não tens porque poderás vir a chorar por aquilo que acabaste de perder de tanto chorares pelo que já foi e não te pertence mais.
O diluvio ao homem retirou aquilo que este pensava ser seu, mostrou que humildade e coragem são ferramentas necessárias e próprias da finalidade de manter presente aquilo que é fundamental, um coração purificado e livre.


Um beijinho e um bom fim-de-semana a todos!









Alexandra


7 comentários:

  1. Não há labirintos para o coração. Mas há corações purificados e livres...


    Beijo e bom fds

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  2. Houve duas passagens do teu texto que me levaram a fazer uma interrogação para a qual não há resposta. :(

    Beijinho

    Laura

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  3. Excelente!
    Bom fim de semana ... Mais um que não me posso esquecer de viver!

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  4. Bom fim-de-semana... aqui p'ro teu cantinho!
    Beijos!

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  5. Sempre maravilhosa nas palavras ,um lindo momento de reflexão um bom fim de semana beijinhos

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  6. Olá Alexandra,

    Começo por dizer que fiquei uns segundos a olhar a imagem que faz parte do texto, é algo inquietante.

    O rame-rame. A rotina. Rotina que por um lado nos dá a sensação de segurança, só que é - a meu ver - uma falsa segurança. A rotina quando se instala em todas as áreas da nossa vida, destrói.

    Quando diz que:
    "Recusar a mudança é esquecer a finalidade de viver. ", não poderia estar mais de acordo, eu que sou por natureza muito inquieta, passo o temo quase todo a querer e a tentar que algo mude. É extremamente cansativo. Questiono e questiono tudo e questiono até à exaustão e questiono até que muitos não me conseguem ouvir mais.

    Não me recuso a sair da zona de conforto, só que me parece que as pessoas trabalham uma vida toda, para entretanto se reformarem e ficarem o resto da sua vida, que por vezes são muitos anos, como que a aguardar que a mesma termine. Não entendo. Nunca vou entender o ser humano.

    O "Não esqueças quem te ama", na minha opinião nunca saberemos verdadeiramente quem realmente nos ama. Só quando a vida os põe à prova e nos deixa assistir de camarote, é que talvez tenhamos a certeza de quem nos ama, e em muitos casos a desilusão pode ser grande. A tal coisa de não dar nada por garantido.

    Beijinho e uma boa semana :)

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  7. A vida nem sempre nos "ajuda" a fugir a este rame-rame e depois quando olhamos verdadeiramente já tudo à nossa volta se desmoronou.
    Excelente esta reflexão, difícil a sua concretização.

    beijinho e boa semana





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