terça-feira, 29 de julho de 2014

'Exercício do bom Julgamento'







Não te julgues esperto, nem penses que te moves por águas santificadas. Demasiadas palavras musicais saem da tua boca e os actos onde estão?
Não, não te julgues esperto como a esperteza porque tudo tem um tempo e o tempo que passa jamais volta atrás.
No exercício do bom julgamento as gavetas deves ter arrumadas, os anseios deixados à porta de entrada pois, aquilo que é exigido restringe-se a humildade e sensatez. Sabes do que falo?
Não te iludas, não te enganes, não te escondas na imagem perfeita de um santo que acredita num só Deus todo poderoso. Não, não aqui não há género, podes ser ele ou ela e tu tens tanto para aprender.
Não te julgues esperto, nem penses que te moves por águas santificadas porque lembra-te que no exercício do bom julgamento deves possuir mente sã e coração limpo.



Um excelente terça-feira!


Alexandra









sexta-feira, 25 de julho de 2014

'A Deus'








Porque me sinto tão magoada? Porque me dói desta forma tanto a alma? 
A tristeza que assola o meu coração, a arma que tenho na mão pronta a disparar em qualquer direcção.
Estou cansada, oh deus, que cansada estou.
Gostava de fechar meus olhos e apenas sonhar...
Demasiadas preocupações para um coração só. Difícil para mim de ver sofrimento alheio sem nada poder fazer e quando faço, julgam-me através de palavras porque eles são cegos e surdos, senhor! Não percebem, oh Deus, não percebem que não há pior sofrimento humano que o abandono do esquecimento! 
Porque me sinto magoada? Porque me dói desta forma tanto a alma?
Não, não sou vítima desta encruzilhada... mas que posso mais eu fazer quando vontade não tenho de vestir a pele e o lugar de outro alguém? Vesti, coloquei-me vezes demais! Quem me veste? Quem veste a minha pele e alivia meu pesado caminho?

Tão fácil seria, oh Deus, que tua misericórdia se resumisse em simples palavras, mas tu sabes que eu sei que em nada nossa existência pode ser eternamente calma.
Talvez um dia percebam, senhor, talvez um dia percebam que nada mais fiz que trabalho divino. Seria pedir muito que a mão colocassem na consciência? Serei eu assim tão insensível ao ponto de somente pensar em mim? Ou será, será senhor que penso demais no bem estar alheio descurando de mim?
É isto, posto isto devo-te dizer que estou cansada, cansada e dormente de saudades do conselheiro que da minha vida partiu. Apetece-me um abraço de aconchego fraterno nesta hora de aperto emocional... Não se sintam mal, não te sintas mal oh Deus, porque tu és pai e eu sei que velas por mim.
Se pequei perdoa-me e sela a minha boca para que não mais injustiças por ela sejam debitadas, mas se acertei embala-me e não deixes que meu corpo caía moribundo pela derrota da desilusão. 


Alexandra Martinho

quarta-feira, 23 de julho de 2014

'Porque somos diferentes'







Porque somos diferentes é uma premissa inegável e inerente ao ser humano, cada um transporta em si a bagagem virtual onde estão guardadas histórias e acontecimentos que marcaram e moldaram/edificaram a personalidade.
Agimos em função do que somos, acreditamos e pretendemos/esperamos da vida. Esperar que homens e mulheres se comportem e ajam de igual maneira é um erro tremendo, da mesma forma que é erróneo afirmar que todas as mulheres tentam moldar os homens à sua imagem e vice-versa.
Somos diferentes e há que saber conviver com essas mesmas diferenças e, por isso, deixo-vos uma história:

Neste mundo existiu uma menina que vivia numa família feliz, a família para ela representava o seu porto de abrigo, o conforto, a palavra, até que um dia um membro dessa mesma família decidiu partir em busca de novas aventuras. A vida conversou com a menina e disse-lhe: - Apesar dos teus ternos dezasseis anos está na altura de cresceres e preparares o teu coração para os desafios que se adivinham.
A menina cresceu e nunca esqueceu o conselho da vida! Para esta menina as lutas que travou foram duras, desgastantes, mas por incrível que pareça dela fizeram uma linda mulher. 
O amor esqueceu, porque sabia que para amar era necessário amadurecer, ser adulta o suficiente para aceitar diferenças e dedicar parte do seu tempo a outro alguém.
Esse alguém um dia surgiu, do nada, de algures apenas e tanto ela sabia dele sem o conhecer. Era estranha a sensação, mas bonita a vontade de estar junto de quem o coração palpitava.
Não tinha nome, apenas um rosto, trazia em si uma enorme bagagem, filhos, um divórcio e tantas histórias que ela jamais algum dia poderá viver.
Pai de filhos do esquecimento, maltratado pela vida, desaprendeu a arte de amar e nessa mesma vida vivia numa espécie de teia, difícil de se desemaranhar.
O tempo os uniu, o tempo diferenças emergiu e ela... ela tinha sonhos, cometia erros, queria ser feliz, passar por todas aquelas fases essenciais ao crescimento de um relacionamento. 
Ele gostava dela, queria dar-lhe este mundo e o outro, sendo nisso que se concentrava dia após dia. Nisso e em todos aqueles problemas próprios de alguém que já teve uma vida construída, de alguém que já viveu as coisas no seu devido tempo. 
A insatisfação cresceu no interior desta mulher, também ela marcada, também ela vivida. Explodia pontualmente com tremendos acessos de raiva, injustiçada talvez pelo facto de verificar que os anos passavam e que nada daquilo que ela pretendia alcançar era conseguido. 
Sentia saudades dos gestos que ele lhe fazia no inicio da história, sentia que algo se perdera, o movimento, a liberdade de fazer, demonstrar, executar, pequenas atenções que preenchiam o coração. Triste, ela estava triste e ninguém percebia! A revolta era essa, a revolta de um coração triste!
O tempo passou, o amor e as diferenças existem, um dia talvez aprendam a calçar os sapatos um do outro e porque não realizar sonhos em conjunto!



Alexandra