quarta-feira, 23 de julho de 2014

'Porque somos diferentes'







Porque somos diferentes é uma premissa inegável e inerente ao ser humano, cada um transporta em si a bagagem virtual onde estão guardadas histórias e acontecimentos que marcaram e moldaram/edificaram a personalidade.
Agimos em função do que somos, acreditamos e pretendemos/esperamos da vida. Esperar que homens e mulheres se comportem e ajam de igual maneira é um erro tremendo, da mesma forma que é erróneo afirmar que todas as mulheres tentam moldar os homens à sua imagem e vice-versa.
Somos diferentes e há que saber conviver com essas mesmas diferenças e, por isso, deixo-vos uma história:

Neste mundo existiu uma menina que vivia numa família feliz, a família para ela representava o seu porto de abrigo, o conforto, a palavra, até que um dia um membro dessa mesma família decidiu partir em busca de novas aventuras. A vida conversou com a menina e disse-lhe: - Apesar dos teus ternos dezasseis anos está na altura de cresceres e preparares o teu coração para os desafios que se adivinham.
A menina cresceu e nunca esqueceu o conselho da vida! Para esta menina as lutas que travou foram duras, desgastantes, mas por incrível que pareça dela fizeram uma linda mulher. 
O amor esqueceu, porque sabia que para amar era necessário amadurecer, ser adulta o suficiente para aceitar diferenças e dedicar parte do seu tempo a outro alguém.
Esse alguém um dia surgiu, do nada, de algures apenas e tanto ela sabia dele sem o conhecer. Era estranha a sensação, mas bonita a vontade de estar junto de quem o coração palpitava.
Não tinha nome, apenas um rosto, trazia em si uma enorme bagagem, filhos, um divórcio e tantas histórias que ela jamais algum dia poderá viver.
Pai de filhos do esquecimento, maltratado pela vida, desaprendeu a arte de amar e nessa mesma vida vivia numa espécie de teia, difícil de se desemaranhar.
O tempo os uniu, o tempo diferenças emergiu e ela... ela tinha sonhos, cometia erros, queria ser feliz, passar por todas aquelas fases essenciais ao crescimento de um relacionamento. 
Ele gostava dela, queria dar-lhe este mundo e o outro, sendo nisso que se concentrava dia após dia. Nisso e em todos aqueles problemas próprios de alguém que já teve uma vida construída, de alguém que já viveu as coisas no seu devido tempo. 
A insatisfação cresceu no interior desta mulher, também ela marcada, também ela vivida. Explodia pontualmente com tremendos acessos de raiva, injustiçada talvez pelo facto de verificar que os anos passavam e que nada daquilo que ela pretendia alcançar era conseguido. 
Sentia saudades dos gestos que ele lhe fazia no inicio da história, sentia que algo se perdera, o movimento, a liberdade de fazer, demonstrar, executar, pequenas atenções que preenchiam o coração. Triste, ela estava triste e ninguém percebia! A revolta era essa, a revolta de um coração triste!
O tempo passou, o amor e as diferenças existem, um dia talvez aprendam a calçar os sapatos um do outro e porque não realizar sonhos em conjunto!



Alexandra

5 comentários:

  1. Alexandra,


    sou leitor do seu blogue já há algum tempo e a sua escrita não me deixa indiferente, aliás, a Alexandra não é indiferente a quem a lê.
    Se me permite vou deixar o meu testemunho, fui casado durante dez anos do qual resultou três filhos. Tanto eu como ela esquecemos quem éramos e daquilo que fazíamos mutuamente quando namorávamos.
    Com o fim veio a desilusão, a revolta e o reaprender a viver sozinho. Pelo caminho e durante 4 anos tive alguns encontros casuais que não resultaram, até ao dia em que encontrei a minha actual esposa doze anos mais nova que eu. O inicio da nossa relação foi leve, porém com o continuar do tempo vi-me a reviver situações que julguei nunca mais viver. Conhecer os meus actuais sogros, lidar com as diferenças de pensamento e necessidades próprias da idade dela foi um verdadeiro desafio. Existiam comportamentos nela que lembravam coisas que já tinha passado no meu primeiro casamento e isso magoava-me, sentia que ela não confiava em mim quando mexia nas minhas coisas ou no meu telemóvel, tudo porque vivi sempre na alçada da desconfiança. Como psicólogo que sou e terapeuta familiar, houve um dia em que parei e decidi que aquele dia era só para mim. No meu mundo analisei tudo aquilo que aquela rapariga, hoje minha esposa, de 24 anos me tinha dado e percebi que não tinha o direito de a impedir de errar, de querer viver aquilo que a idade dela naquela altura pedia. Percebi, que alguns comportamentos que ela tinha eram para me relembrar o quanto ela gostava de mim... lembretes que me enfureciam por achar uma intrusão de privacidade, mas que no fundo eram chamadas de atenção. Sim, eu estava a ser negligente com ela e ela por medo de falar emitia sinais com comportamentos que eu desaprovava.

    Pode ser confuso de entender, mas isto apenas mostra o quanto homens e mulheres são diferentes nas formas de estar e pensar.
    Nós, homens, somos incansáveis no inicio do relacionamento com demonstrações constantes de afecto e elas são autênticas borboletas de coração cheio porque se sentem amadas. Quando a conquista está feita, as demonstrações afrouxam e elas caminham para o seu "poço" (isolamento). Sentem-se sensíveis, magoadas e melindradas, raramente falando daquilo que as preocupa. As situações vão acontecendo e elas acumulando cada vez mais insatisfação, até ao dia em que rebentando pontualmente deixando-nos incrédulos com tantas "barbaridades". Não são barbaridades, são mágoas acumuladas de palavras ou comportamentos que tivemos e que para elas foram ofensivos. Nós, homens, somos egocêntricos ao ponto de pensar que estamos a falar e que a nossa companheira tem por obrigação ouvir tudo. Caíamos no erro fatídico de as compararmos com a ex e isso deixa qualquer uma fora de si. Ninguém gosta ou pretende ser comparado.
    Quero com tudo isto dizer, Alexandra, que na sua história nem ele, nem ela se devem sentir magoados. Devem, sim, compreender que diferentes idades trazem diferentes necessidades e que não podemos impedir os parceiros mais jovens de errar no relacionamento. Nós já tivemos a idade deles, devemos saber perdoar e ter uma palavra de compreensão... tantas e tantas vezes que já errámos e que errámos somente porque queríamos relembrar o outro de que existimos!

    Pensem nisto...


    Beijo e volte a escrever que faz falta!

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    1. Que o seu exemplo de discernimento, terapeuta ou não, seja algo para aprender. Há pessoas que erram e deitam relacionamentos de anos por terra por pura prepotência de pensarem que já sabem tudo!
      Um relacionamento pautado pela existência de duas pessoas oriundas de criações e gerações diferentes deve possuir paciência e equilíbrio. O mais velho não pode exigir ao mais jovem que este se comporte como alguém que já viveu todas as fases da vida, e o mais novo deve compreender que não pode exigir ao mais velho que este recue no tempo.

      É simples, mas parece que há muito esquecimento!

      Volte sempre que quiser!

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  2. Somos todos de carne e osso ,imperfeitos por natureza ,mas a beleza da vida esta em cada amanhecer para que cada um de nos que se possa renovar e renascer para ela .Nem tudo e com certeza fácil encontros e desencontros continuarão a existir cabe-nos aproveitar cada momento com graciosidade devida ,eu por mim falo fui obrigado a crescer rápido ,lutei por tudo quanto tenho ,foi fácil claro que não ,podia ser diferente ,talvez um pouco ,mas tenho orgulho daquilo que sou hoje ,porque para alem das adversidades da vida aprendi que existe sempre alguém pior que nos ,podemos ter tudo neste mundo ,mas muitas vezes falta-nos o principal o amor que tantas vezes custa a dar quando se tem tantas magoas no coraçao .Mas apesar dos pesares agradeço cada amanhecer que Deus e a vida me concede .
    Querida amiga Alexandra gostei muito ler este momento , beijinhos muitas felicidades

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  3. Talvez se comece algo com uma pessoa criando demasiadas expectativas. Queremos a perfeição e queremos para sempre. Não nos contentamos com menos porque achamos que no inicio era muito e o muito é que é perfeito.. Talvez não tenha sido muito, e talvez tenha sido tudo menos perfeito. Foi apenas o inicio. A descoberta quase sempre parece transbordar de vidas e amores perfeitos. É apenas descoberta, nada mais.

    Crescer significa que existem alturas em que não é menos, é apenas diferente.

    Beijinho, Alexandra, bom final de semana :)

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    1. Não existem amores perfeitos, porque as pessoas são imperfeitas, Maria! Existem apenas virtudes e defeitos, há que saber viver com tudo isso numa vida a dois.

      Beijinho, Maria!

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)