sábado, 16 de agosto de 2014

"Compreender o outro é o primeiro ato para atrair compreensão para si mesmo."







Num momento em que analiso todos os eventos que têm decorrido nestes últimos longos anos, num momento em que todos os meus silêncios são fruto de algumas mágoas que guardo dentro de mim, penso ser esta a altura ideal para escrever um texto de carácter intimista. Um texto que fale sem falar de mim.
Não pretendo escrever palavras vãs que entoem no céu, nem ficar à deriva num rumo qualquer.
Sentada no chão e à minha frente com uma balança coloco nos seus dois pratos  a tristeza, a perda, a lágrima, felicidade e conquista de tudo aquilo fui adquirindo ao longo de um tempo a que tanto devo.
O brilho do olhar invadido pela tristeza, pela dor da ferida, não olha mais em redor, não consegue sentir compaixão, generosidade, empatia por aquilo que o outro sente. Todo este acumular, todo este engolir em seco de insatisfações azedam o coração. Para quê falar quando o que é falado obtém o rótulo de crises existenciais? Para quê falar se o que é sempre mais importante é aquilo que lá fora podem dizer ou pensar. E os comentários genuinamente positivos e as palavras genuinamente afectuosas, onde ficaram? 
Apesar de todas as atribulações tenho-me debatido diariamente por fazer face, estar atenta às necessidades do outro. Fazer, proporcionar ao outro momentos de felicidade, de segurança emocional... mas, e eu? Onde fico, onde estou?
Nada nesta vida é uma questão de sorte, podemos ter a sorte de encontrar alguém especial e que esse mesmo alguém se apaixone por nós, mas depois para que esse laço se fortaleça e cresça é necessário foco, dedicação, abdicação e tantas outras palavras que postas em acção fazem toda a diferença. A diferença necessária para que ambos se sintam seguros e felizes num laço, que a junção de duas realidades, duas heranças distintas podem proporcionar. 
Um relacionamento é construído com muito diálogo, abnegação, companheirismo e sentimentos genuínos que não permitem intromissões vindas de terceiros. 
Sabemos de ante-mão que ninguém está emocionalmente disponível, receptivo às demandas de um relacionamento/ necessidades do parceiro 24h por dia, 7 dias por semana, mas há que fazer o esforço, não podemos ignorar os apelos do outro e pensar que o tempo tudo resolve. O tempo muitas vezes apenas traz afastamento, desentendimento e confusão porque não há de facto tempo para dialogar.

Para terminar deixo o excerto de um texto que define de forma clara uma relação pautada pela segurança emocional: 

"E o que é que caracteriza uma ligação segura? Resumidamente, é a capacidade de "estar lá" para o outro. Estar lá sempre, estar lá quando é preciso, estar lá para as necessidades afetivas, ser capaz de dar resposta aos apelos da pessoa amada, ser capaz de reconhecer as suas chamadas de atenção e colocar essas necessidades no topo das prioridades.
Quando uma pessoa conta com este tipo de apoio, quando sabe que há alguém que vai estar "lá", que vai colocá-la sempre em primeiro lugar, que vai prestar atenção, dar colo, dar afeto, mostrar-lhe que é importante, que é especial, sente-se ligada. Não é amarrada. Não é aprisionada. É ligada. As pessoas que são felizes no casamento, no namoro sentem-se genuinamente ligadas. Porque aquilo que têm é especial e fá-las sentirem-se especiais. É verdade. Até o sexo é diferente - é especial - quando se constrói uma ligação assim. Não é SEMPRE
tudo bom. Não é sempre um mar de rosas. Mas é maioritariamente muito bom. A pessoa sente-se livre, sente-se acolhida, sente que, ao lado da outra, pode ser quem é, pode explorar os seus sonhos e as suas fantasias, e não quer abdicar disso por nada deste mundo. Nem sequer por um pedaço de mau caminho."








Tens sido um companheiro exemplar e em tudo me tens ajudado, mas sinto falta, saudades (muitas) do homem que era intocável, que não deixava que nada ou alguém me tocasse! A vida que temos construído com avanços e recuos não tem sido perfeita, porque nem tu e eu o somos, mas não é menos verdade que neste momento me sinto muito... sinto-me só mesmo quando estou acompanhada na tua ou em outra companhia. Um vazio talvez, uma dor, e estas palavras não sendo para magoar apenas quero com elas dizer, apelar que sinto falta do colo que me davas e de todas aquelas palavras genuinamente carinhosas para quais, hoje, pareces não ter tempo de dizer. Espero poder um dia, quem sabe, rever esse mesmo homem. 



Alexandra






25 comentários:

  1. Sei muito bem do que falas, tentei por todas as formas enviar sos's ao homem que amava e com quem vivi durante muito tempo como se fossem um pedido de socorro de um naufrago, disse-lhe que ele me estava a deixar partir e eu não queria partir. Não ligou, não me entendeu, não mudou um só gesto no seu comportamento, fui tentando sobreviver, adaptar-me àquilo e ser feliz. Nunca consegui, faltavam-me as palavras, carinho, colo, atenção, até sexo, era um vazio imenso e mesmo acompanhada uma solidão terrível. tudo era um frete, um sacrifício, uma obrigação, tudo era feito a refilar e de má vontade. Até quando lhe dizia, vamos sair dar uma voltinha, respondia-me nunca estás quieta já me estás a arranjar trabalho. Um dia parei para pensar e disse para mim: Mas é isto que eu quero, é assim que eu vivo? E para quê se não sou feliz...
    Uma semana depois terminei tudo, e refiz a minha vida sozinha.


    Tens que tentar dialogar, que ele te oiça, e te faça feliz.

    Beijo Alex

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    1. Olá AC,

      O meu companheiro tem-me feito feliz, na verdade, é um dos meus últimos pilares. O meu texto não se cinge ao relacionamento amoroso em si, mas sim, a todos os relacionamentos e laços que possuímos na nossa vida. Tenho assisto a situações, têm-me dito coisas que foram deixando marcas e penso que cheguei a esta altura com a vontade de me ver livre de tudo isso. De tudo aquilo que está a mais. De tudo o que ainda teima em querer magoar. Entendes?
      Sinto-me extremamente fragilizada, revoltada e sim, sinto-me sozinha mesmo quando estou acompanhada. A dor que sinto não é uma dor simples, é a minha dor.

      Beijo

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  2. Não lhe sei o que dizer, pois o amor acaba e nada o pode fazer renascer...só que os homens não têm a coragem e a lucidez que nós temos para saber quando a relação está por um fio e continuam perdidos dentro de si e sem ver sequer as nossas tentativas .

    No meu caso, tudo o que aqui descreve se passou comigo, até que foi ainda pior : descobri que o senhor tinha uma amante e que era eu que estava a passar por tal.

    Pedi imediatamente o divórcio, ao fim de treze anos de casamento e com um filho de dez anos ( de quem a criatura disse , três anos depois, em Tribunal que se esquecera ). Trinta anos depois, vivendo sempre el liberdade e sózinha, não me arrependo.

    Conselhos nestes casos? Não vale a pana...cada pessoa tem que decidir por si, após fazer o balanço.

    Abraço solidário, desejando sinceramente que decida o melhor .

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    1. São,

      Não podemos querer que os homens pensem como as mulheres e neles podem querer o mesmo de nós.
      Em momento algum referi que o amor acabou, em momento algum referi que o meu relacionamento estava por um fio.
      Mas, é um facto, é a única coisa que me resta para poder fazer diferente de tudo aquilo que está lá para trás.
      Será que não tenho esse direito? Tenho, e ao ter tal direito vou trabalhar, cooperar para que as coisas não se desmoronem.
      Desde os 16 anos que tenho lidado com todo o tipo de situações, desde casos extraconjugais a jogos e intrigas para destabilizar. Estou a um passo dos 30, de uma nova idade onde quero ser mãe, construir uma família e, assim sendo, está mais do que na altura de deitar fora o que já não serve. Compreender aquilo que escrevi não está na leitura, não está no visível.

      Abraço

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  3. Cara Alexandra.... lindo e tocante teu texto. Eu, já escrevi algo semelhante para a mulher que amei! Não adiantou. Eu a perdi? Não sei. Não se perde o que não é nosso... nem se perde o que nunca se teve...
    Gostei de vir aqui! Gostaria de te seguir, mas meu blog é leitura para maiores de 100 anos.
    E voltarei para saber se posso seguir-te.
    Ao observar a figura, a moça pergunta: Onde está o amor?.
    A música é linda, Com Roberta Flack é ótima. Na interpretação do John Legend é melhor ainda....
    https://www.youtube.com/watch?v=j6N2qgd9b0Q

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    1. Obrigada pela música.

      E pode regressar sempre que quiser!

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  4. Olá Alexandra,

    achei o seu texto verdadeiramente tocante onde transparece uma mulher de emoções que se sente cansada. Não vou, nem quero entrar pelo caminho que os comentários anteriores enveredaram. Este é o seu espaço, um local onde a Alexandra é livre de escrever sobre tudo aquilo que achar necessário. Vejo aqui uma declaração ao seu companheiro, um apelo para que ele a ouça e compreenda as suas necessidades emocionais como sempre fez.
    É notório que está magoada, mas a sua mágoa não se deve apenas ao seu relacionamento intimo, deve-se à vida em geral. 
    Fez bem em escrever, fez bem em deitar cá para fora aquilo que está aí dentro a causar mossa. 
    A Alexandra é uma mulher dotada de uma grande inteligência o que lhe confere a capacidade de saber gerir as suas emoções e ao mesmo tempo cuidar dos outros.
    Como percebi tudo isto? Tenho lido atentamente os seus post's e não somente este, entende?

    Continue a escrever e não desista dos seus objectivos. Dou os meus parabéns ao seu companheiro por tê-la na sua companhia, ainda existem homens com sorte!

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    1. Olá Isabel,

      ainda não escrevi sobre tudo aquilo que de facto me incomoda. Há coisas que não devem ser ditas num local que é tão público. Sempre ouvi dizer que quando alguém próximo de nós parte para o outro lado, a nossa vida, a maneira como temos vivido até então é posta em causa, em análise.
      Estou magoada com a vida de uma maneira que provavelmente nunca ninguém irá entender, mas sendo uma lutadora não me rendo perante as adversidades. Desta vez está a ser mais difícil e é verdade, preciso de colo e aconchego.

      Beijinho!

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  5. Alexandra,

    quando li este texto julguei por momentos que estava diante de algo escrito pelo Nanã. Conheço-te de vista, de te ver de braço dado com ele quando passeiam pela Figueira. Tive conhecimento deste teu espaço através de algumas publicações que ele ia fazendo no perfil do facebook e desde então tenho lido tudo aquilo que tão bem escreves. 
    Compreendo a dor, a revolta que sentes. Não podemos esquecer que há relativamente pouco tempo passaste por uma dolorosa perda, sendo natural que demandes mais necessidade de atenção e carinho. Quando ficamos sem os nossos pilares sentimo-nos frágeis, indefesos, revoltados e de costas voltadas para o mundo. O tempo irá sarar as tuas feridas, a tua mágoa. 
    No que toca ao Nanã, carrega com ele uma pesada herança que acredito que tenha deixado sequelas para o resto da vida dele. Os problemas quando são em demasia turvam o raciocínio e acção de um homem. O que escreveste também ele já sentiu. O desamparo. A ideia de solidão mesmo estando acompanhado. O não se sentir valorizado.
    São mesmo iguais, vocês! Deixa-me que te diga, Alexandra, a última foto de ambos que o Nanã publicou é perceptível que aquilo que vos une vai além do compreensível.


    Força, Alexandra!
    Abraço, Nanã!

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    1. Figueirense,

      É muito difícil explicar o turbilhão de emoções que estou a sentir. Há um misto de desanimo com revolta e de mandar tudo para o raio que parta. Sinto-me cansada. Cansada de ver situações injustas que fazem recordar coisas que eu mesma já vivi de uma outra perspectiva. Faço-me entender?
      O Figueirense tocou no seu comentário em pontos que são verdade, obrigada por ter aqui passado!


      Abraço

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  6. Cada leitor através deste seu texto tem a possibilidade de ir ao encontro daquilo que já viveu e prefere esquecer. É notório nos primeiros comentários que surgiram. Tenho pena que a Alexandra neste momento não consiga dedicar um pouco mais do seu tempo à escrita.
    Não sinta receio e fale abertamente daquilo que a incomoda, dê tempo ao tempo e faça o seu luto... só assim poderá ser quem a Alexandra é de facto. Visualizo uma mulher de armas que voltou a empunhar o machado, será mesmo necessário? O seu companheiro e quem a rodeia para perceberem o que se passa consigo devem desligar-se do óbvio, do visível e tentar decifrar o que a sua alma lhes quer dizer. Vejo alguém muito frágil e sensível. Cuide-se ok?! :)

    Inês

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    1. Inês,


      cada um interpreta o meu texto de acordo com as suas vivências. Não tenho tido tempo de fazer luto fosse do que fosse, porque os acontecimentos sucedem-se uns atrás dos outros levando-me ao limite dos limites.
      Comecei a ter explosões pontuais com alguma agressividade, pela sobrecarga, pelo stress que anda por estas bandas acumulado. É preciso entender que sou apenas uma mulher de carne e osso.

      Estou muito fragilizada e sensível. Tem toda a razão. Obrigada pelo seu comentário.

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  7. Dói-me tanto as tuas palavras Alexandra...fizeste-me regressar a um tempo da minha vida que tento esquecer...Já passei por tudo isso, a perda, o abandono, a solidão...o estar perdida e deslocada numa multidão, o vazio dentro de mim, o pedido de ajuda...
    Acredito que foi nesse preciso momento que o "encanto acabou". Pedi ajuda, mas essa ajuda não foi suficiente, não foi bastante...artificial! Assim eu a defino, uma ajuda artificial! Pedi ajuda e ele não ma soube dar :(

    Desculpa, não estou a ajudar nada, mas senti tanto o meu passado de volta e a revolta e mágoa que ainda hoje sinto...

    Um beijo enorme para ti Alexandra -.-

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    1. Olá Bruna,

      Tenho ao meu lado um ser humano muito especial que têm-me ajudado imenso. No entanto, sinto que estou diferente, sinto-me fragilizada, revoltada, sozinha. Complicado de transmitir o que sinto. Tem sido muito, ao mesmo e em pouco tempo. Mal acabo de me refazer de uma situação aparece outra que obriga-me a ir lá para baixo e recomeçar uma vez mais. Entendes? Tenho medo Bruna, às vezes tenho medo de não conseguir ser capaz de chegar a todo lado. Tenho medo de não conseguir, também eu, dar resposta aos apelos que me são feitos e perder algo que tenho vindo a construir.
      Quando tento falar não consigo ser assertiva, objectiva, dou por mim a atacar, a criticar e isso desespera-me... apetece-me ir embora, desaparecer, deixar-me e deixar os outros.

      Foda-se estou cansada!

      Beijinho e obrigada!

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    2. Ai Alexandra :(
      Sabes o que me apetecia agora? Falar-te ao ouvido, pegar-te pela mão e tocar esse coraçãozinho...

      Bjnhs -.-

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    3. Obrigada uma vez mais pelo teu apoio :)

      Beijinhos!

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  8. Estou sem palavras...É complicado Alexandra, mas tens que dar a volta por cima!
    Beijinho solidário!

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    1. Olá Jorge,

      Tenho de dar a volta por cima e é aquilo que mais tenho feito ao longo dos meus anos. Neste momento? Não me apetece dar a volta por cima, apetece-me viver o que sinto para poder seguir em frente.

      Beijinho

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  9. Gosto deste 'post'. Gosto, gosto, gosto e não tenho medo de ninguém.
    Beijinho, Alexandra.

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    1. Penso que compreendes o que sinto no presente momento da minha vida. Obrigada por isso!


      Beijinho

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    2. Claro que percebo. E não tens que agradecer.
      Beijinho

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  10. Gosto muito de ler os seus momentos ,a vida e um misterio onde o ser humano surge como uma caixinha de surpresas que precisa ser "explorado " ,muitos beijinhos

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)