terça-feira, 19 de agosto de 2014

"Homens e mulheres, Marte e Vénus - Testemunho do autor"







Antes de prosseguir com a publicação de algumas partes do livro que ontem dei a conhecer sobre relacionamentos humanos. Creio que é sensato no post de hoje deixar o testemunho do próprio autor e a razão pela qual ele escreveu e outros livros sobre o tema.




"Uma semana depois do nascimento da minha filha Lauren, Bonnie (a minha mulher) e eu estávamos completamente exaustos. Todas as noites Lauren acordáva-nos e Bonnie que tinha sido dilacerada durante o parto precisava de tomar analgésicos. Mal conseguia andar.
Depois de permanecer cinco dias em casa para ajudar, regressei ao trabalho. Ela parecia estar a melhorar.
Um dia enquanto eu estava fora, ficou sem analgésicos. Em vez de ligar para o meu consultório, pediu a um dos meus irmãos, que estava de visita em nossa casa, para comprar mais. O meu irmão, no entanto, não regressou com os comprimidos. Conseqüentemente, ela passou o dia todo com dores, cuidando de um recém nascido.
Não tendo a menor ideia de que o dia tinha sido tão terrível. Quando voltei para casa, ela encontrava-se muito perturbada. Interpretei mal a causa do seu sofrimento e achei que me estivesse a culpar pelo sucedido.
Ela disse, "Fiquei com dores o dia todo... fiquei sem analgésicos. Estou encalhada na cama e ninguém liga!". Defensivamente, reagi "Porque não ligaste?".
Ela respondeu, "Pedi ao teu irmão, mas ele esqueceu! Esperei-o o dia todo. O que devo fazer? Mal posso andar. Sinto-me tão desamparada!"
Neste ponto explodi. Meu pavio também estava muito curto naquele dia. Estava com raiva porque ela não me tinha ligado. Fiquei furioso porque ela estava-me a culpar quando eu nem sabia que estava com dores. Depois de trocar algumas palavras ásperas, dirigi-me à porta para sair. Estava cansado, irascível, e já tinha ouvido o suficiente. Ambos alcançámos os nossos limites.
Naquele momento, no entanto, algo começou a acontecer e que iria mudar a minha vida. Bonnie falou, "Pára, por favor, não vás. Esta é a altura em que mais preciso de ti. Estou com dores. Não durmo há dias. Por favor, ouve-me".


Parei por um minuto para ouvir.


Ela disse, "John Gray, só sabes ser amigo nas horas boas! Desde que eu seja a doce, a amável Bonnie, estás aqui para mim, mas logo que eu deixo o ser, sais por aquela porta".
Então ela fez uma pausa, e os seus olhos encheram-se de lágrimas. Enquanto o seu tom de voz mudava, ela disse, "Agora mesmo estou com dores. Não tenho nada para dar, e é quando eu mais preciso de ti. Por favor, vem até aqui e abraça-me. Não precisas falar. Só preciso sentir os teus braços em volta de mim. Por favor, não vás". Aproximei-me e silenciosamente abracei-a. Chorou nos meus braços. E depois de alguns minutos, agradeceu-me por não ter ido embora. Contou-me que só precisava sentir-me abraçando-a.
Naquele momento percebi o verdadeiro significado do amor incondicional. Eu que sempre me considerei uma pessoa amável. Ela estava certa. Tinha sido até então um amigo das horas boas. Se ela estivesse feliz e agradável, eu a amava de volta. Mas se ela estivesse infeliz ou perturbada, sentia-me culpado e então discutia ou me distanciava.
Naquele dia, pela primeira vez, não a deixei. Fiquei, e foi ótimo. Consegui dar quando ela realmente precisou de mim. Isto a verdadeira forma do amor. Importar com a outra pessoa. Confiar no nosso amor. Estar lá na hora de necessidade. Maravilhei-me com a facilidade que tive para ampará-la quando me foi mostrado o caminho. Como nunca fui capaz de entender isto? Outra mulher seria capaz de entender as necessidades da minha mulher, instintivamente.
Após esta situação reaprendi a relacionar-me com a minha esposa porque compreendi as diferenças que existem entre ambos os sexos. Nos meus relacionamentos anteriores, comportava-me de forma indiferente e inamistosa nos momentos difíceis porque não sabia mais o que fazer. Como resultado, o meu primeiro casamento tinha sido bastante doloroso e difícil. Este incidente com Bonnie revelou-me como era possível mudar este padrão de ruptura. Inspirou os meus sete anos de pesquisa para ajudar a desenvolver e refinar os insights sobre homens e mulheres neste livro. Aprendendo em termos tão práticos e específicos sobre como homens e mulheres são diferentes, eu repentinamente comecei a dar-me conta de que um casamento não tem que ser uma luta tão grande. Com essa nova consciência das diferenças existentes, Bonnie e eu pudemos melhorar significativamente a nossa comunicação e desfrutar mais um do outro.
Apesar de todos concordarem que homens e mulheres são diferentes, o como são diferentes está ainda indefinido para a maioria das pessoas. Muitos livros nos últimos dez anos tomaram a dianteira deste assunto, tentando definir essas diferenças. Ainda que avanços importantes tenham sido feitos, muitos livros são unilaterais reforçando a desconfiança e ressentimento em relação ao sexo oposto. Um sexo é geralmente visto como vitimizado pelo outro. Um guia definitivo que explicasse que homens e mulheres saudáveis são diferentes era necessário.



Para melhorar as relações entre os sexos é necessária uma compreensão das nossas diferenças que eleve a auto-estima e a dignidade pessoal enquanto inspira confiança mútua, responsabilidade pessoal, cooperação crescente e mais amor.
Acredito que qualquer um pode beneficiar dos insights contidos neste livro. A única reação negativa que ouço dos participantes dos meus seminários, no meu consultório e nas cartas que recebo é "Gostaria que alguém tivesse dito isto antes". Nunca é tarde para colocar amor na nossa vida.
Só é preciso aprender uma nova maneira. É um prazer dividir o saber de que Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. Para que possamos sempre crescer em sabedoria e amor. Que as taxas de divórcios diminua e o número de casamentos felizes aumente. As Nossas crianças merecem um mundo melhor.


John Gray


15 de novembro de 1991 Mill Valley, Califórnia"








Uma excelente terça-feira a tod@s!

Alexandra










6 comentários:

  1. Depois de ler este texto só consigo dizer: parece-me familiar. Não sei se a palavra familiar passa o que pretendo transmitir. O que me aborrece nisto tudo e peço desde já desculpa pela frontalidade, é que o peso da relação pesa sempre mais para o lado da mulher. Parece que num dado momento da vida passamos a ter um filho já grande e de barba rija a quem temos que obrigatoriamente ensinar coisas da vida, quando o que se quer é um homem que não pese mais, mas que acrescente, que ajude. Ser mãe é uma coisa, ser mulher/namorada de alguém é outra. Não me apetece ser mãe de um homem com quem namoro ou caso.

    A sensação que dá é que as taxas de divórcio até podem diminuir, isto se a mulher estiver para aí virada, porque muitos homens estão virados para outros lados.

    Sim falo de amores vividos na primeira pessoa, os nomes e rostos até podem mudar, mas a uma dada altura percebi que quanto ao resto pouco muda, infelizmente. A sorte é que continuo a acreditar.

    Boa noite, Alexandra :)

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    1. Olá Maria,

      tenho o livro que resolvi trazer ao "ouso escrever" vai para dez anos. Foi-me oferecido por um grupo de amigos que sempre souberam a minha inclinação para querer saber tudo sobre relações humanas, psicologias e afins.
      O comportamento humano, os afectos, o amor e os relacionamentos são temáticas que me instigam a querer saber mais.
      Na altura que me ofereceram o livro não tinha, não estava em um relacionamento. Hoje estou. 

      Nem sempre é fácil lidar com o outro. Nem sempre é fácil haver receptividade às vontades, aos desejos do outro. Nem sempre é fácil comunicar e compreender que todos temos limites.

      Concordo em parte que o "peso" da relação esteja mais direccionado para a ala feminina. Isso acontece porque as mulheres na sua maioria sabem decifrar e compreender as emoções alheias e as suas próprias emoções.
      Temos necessidade de falar, dizer o que sentimos. Quando tal não acontece, quando não deixam que tal se proporcione entramos em "depressão". Ficamos cada vez mais exigentes, sem paciencia, às vezes até agressivas, pondo-nos completamente "out of mind" o facto de não haver tempo ouvir sem que interpretem como uma acusação, uma critica.

      Revi-me no livro, revejo-me no livro e sei que muitas vezes falho. Mas caramba sou um ser humano com sentimentos e emoções que andaram grande parte da minha vida reprimidas. Chega disso!

      Um relacionamento é um trabalho, uma construção feita em equipa. Se houvesse respeito pelas diferenças e necessidades alheias seriamos bem mais felizes.

      Beijinho e boa noite  

       

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  2. Aquele minuto em que parou e a ouviu fez a diferença na sua vida ,lindo testemunho que deixa uma linda reflexao como as vezes vivemos a vida,existem momentos que explodimos ,mas quantas vezes nao dariamos tudo para voltar atras ,dialogo ,comprensao e o amor tanta diferença podem fazer ,muitos beijinhos Alexandra

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    1. Amanhã haverá mais Emanuel.

      Beijinho e uma boa noite!

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  3. Boa tarde, depois de ler a publicação fiquei com a sensação de já ter vivido o que li.
    AG
    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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    1. Boa tarde AG,

      penso que todos aqueles que têm lido este post e o anterior ficaram com essa sensação. Talvez seja altura de todos abrirem os olhos, até eu!

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Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)