quinta-feira, 30 de abril de 2015

'Saudade'








Saudade é a palavra que carrego no peito. Um sentimento nefasto que escureceu a luz do meu coração. Perdi uma das melhores coisas que tinha na vida. O meu avô. Um pai. Aquele que esteve sempre presente nos dias mais felizes, nos dias mais tristes. Aquele que tantas vezes nas tardes de inverno ia buscar a neta ao liceu. O calor humano. A palavra certa carregada de sapiência. 

E sim, o meu avô, ouvia-me! Ouvia-me com a atenção de não interromper. 

Chorou por mim quando me viu partir sozinha na maior viagem da minha vida. Compreendia-me como ninguém. 

É! Esteve lá para mim, em todos os momentos. Não me canso de o repetir, sempre estiveste aqui para mim.

Deixou mais que os bens, os valores. Ensinou-nos a não ligar, a não querer saber de tudo aquilo que pode destruir o que se constrói. E sim, é verdade, estou-me a "cagar" para o que dizem, pensam ou fazem. A vida é curta demais para fretes. Hoje, não faço fretes por ninguém. Quem gosta fica, quem não gosta que siga viagem.
Para mim foi o melhor homem do mundo, o melhor avô do universo.
Quando partiu ficou a solidão, o desamparo, a tristeza. É a saudade que hoje impera. Volvidos dois anos, a dor é aguda... e eu que pensava que a ferida iria sarar depressa.

Tenho saudades de tudo e de ti, muitas. Obrigada por tudo aquilo que me deste e sei de onde estás olhas por mim e pelos nossos!




quarta-feira, 29 de abril de 2015

'Rótulagem Humana'


A propósito de um post no blogue amanhecer tardiamente, eis que surge a vontade de escrever sobre um tema que há muito apetecia abordar: Rótulagem humana.
Desenganem-se que o rótulo não vem acompanhado de valores nutricionais, mas antes, de estupidez dura e crua do povo português.

Sou portuguesa nascida e criada, como tal, não tenho por norma estabelecer comparações da nossa realidade com além fronteiras. É errado. 
Assim sendo há uma característica portuguesa que me causa urticária: o de achar que são os donos da verdade e, que por essa razão, sentem que têm o direito de dizer "eu aceito ou não aceito" ou "tu és aquela e ele é aquele". Falemos de rótulos. A rótulagem portuguesa é do melhor. Não se olha a quê ou a quem, o que importa é falar nem que seja para mal falar. 

A rótulagem vai desde eu tenho um amigo que é gay, à coitadinha da Sofia que tem uma filha com trissomia 21. Ao Alberto que é casado com uma mulher que foi homem.
No que toca a afirmar que se tem um amigo gay, um amigo preto, um amigo isto ou aquilo nesta coisa de se viver em pleno século XXI é muito "cool". É fixe. Somos "bués open mind". Dá uma espécie de status quo à malta que no fundo não tem ponta por onde se lhe pegue. Uma questão qui ça até de superioridade imaginária. Dizer que fulano ou fulana é casado com uma pessoa que submeteu-se a redesignação sexual é despeito. Inveja. Mas isso será um outro post que irei abordar.
Já no que toca a chamar de coitadinhos a pessoas de carne e osso, mas que, infelizmente não têm as suas faculdades em pleno é maldade pura. Veneno. O desejo de dizer eu sou melhor que tu, eu tenho mais que tu. Apenas isso.

O que se passa em Portugal é isto: Utilizam-se termos velhos e moribundos que remontam a outros tempos (no caso de chamar "os pretos"), tempos em que Portugal dominou os mares e pensou dominar os homens mas lixou-se. Uma vez mais não souberam gerir o que de bom tinham. Não souberam dar o exemplo. Guiar as massas. Este tem sido o principal problema em Portugal: não sabem guiar as massas! Não sabem ser e viver em comunidade com os outros. Há como que um instinto inato de sabotar a vida dos outros, como prato principal e como sobremesa porque não destruir umas quantas famílias à base da putice?! 

Homossexualidade?! Qual o espanto?! Para quê tanto alarido com algo que além de ser normal não é uma opção, dizem que sim mas deviam era estar calados. 

A minha opinião é esta: a mentalidade portuguesa irá mudar gradualmente e de nada vale os vídeos que têm sido reproduzidos recentemente nos meios de comunicação social. É preciso dar tempo ao tempo. É preciso saber respeitar, palavra que se perdeu na prática embora exista na teoria. 

Deixem-se de merdas e façam-se gente!


Alexandra

terça-feira, 28 de abril de 2015

Há quatro anos







Faz hoje quatro anos que terminou toda uma trajectória de outros tantos anos vividos quase que a meio gás.
O ponto final de uma caminhada que se revelou sinuosa por entre os meandros das lágrimas, do desconforto interno capaz de assolar a alma.
Estava literalmente no limite daquilo que qualquer humano consegue suportar e estive quase, bem perto do outro lado da barricada da eternidade.
Olhando para trás, volvidos todos estes anos, sinto-me imensamente orgulhosa da minha capacidade de luta e sobrevivência. É! O nosso mundo é hostil. Esmaga quem é diferente. Esmaga quem apenas deseja ser feliz. 
Aprendi que agimos no mundo e por conseguinte as consequências dos nossos actos acabam por nos modificar também.

Mudei! Muito! Penso que a idade foi também responsável por esta mudança, assim como, determinadas situações ou contextos.
Os trinta anos trouxeram-me a segurança necessária, o calibre necessário para saber lidar com aquilo que li algures no blogue de uma amiga: pessoas sonsas e dissimuladas.

Não importa o quanto sou prejudicada por palavras azedas que possa dizer e com elas magoar. Mas, a verdade, é que não tolero falsidades ou qualquer outro tipo de comportamentos que possam pôr em causa a minha integridade. Fui criada, habituada a um ambiente onde a transparência imperava e onde não nos devíamos fazer naquilo que na realidade não éramos. Tenho pena de quem assim vive.

Afasto-me daquilo que não me preenche. Afasto-me de tudo aquilo que sei não ser saudável para a minha vida e lentamente deixo de dar. Sim, dar! Dar de coração aquilo que de melhor existe em mim. Sou assim! Tenho os meus valores e, por ser, uma balança com ascendente em caranguejo quando tocam nas minhas fragilidades nunca mais conseguem ver o branco dos meus dentes. Apenas dou uma oportunidade. Não mais que isso!

Aprendi muito. Cresci. Muito além da altura que hoje tenho. Sou uma mulher com uma enorme bagagem emocional. Experiência, bastante! E é nisto, perante aquilo que vivi e senti que não compreendo tantas vezes o que me rodeia.
Tantas vezes conotada como "nariz empinado" ou injusta para com os outros, a verdade, é que não me sinto bem ao pé de "coitados" que na primeira oportunidade espetam uma faca nas costas. A minha vibração existêncial é muito mais elevada que isso. Mereço mais e bem melhor. Por este motivo, razões mais do que plausiveis, trabalho árduamente não para ser rica, mas para ser alguém que faça a diferença todos os dias por meios justos e honestos.


Obrigada a mim, à família e aos céus por tudo aquilo que tenho e sou!


Alexandra




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Conjugalidade: um e um são três






"Berger e Kellner (1970) descrevem, então, o casamento como um ato dramático, no qual dois estranhos, portadores de um passado individual diferente, se encontram e se redefinem. O drama do ato é internamente antecipado e socialmente legitimado muito antes de ele acontecer na biografia dos indivíduos. A reconstrução do mundo no casamento ocorre principalmente através do discurso. Na conversação conjugal, a realidade subjetiva do mundo é sustentada pelos parceiros, que confirmam e reconfirmam a realidade objetiva internalizada por eles. O casal constrói assim, não somente a realidade presente, mas reconstrói a realidade passada, fabricando uma memória comum que integra os dois passados individuais."



Na dança da conjugalidade dois individuos, duas histórias de vida, dois desejos, duas percepções do mundo completamente distintas entrelaçam-se originando aquilo a que damos o nome de relacionamento íntimo. Nesta ótica um e um são três e não dois, porque quem constitui o relacionamento mantem a sua individualidade. 
Na sociedade contemporânea em que ocorrem mais divórcios que casamentos, o homem enquanto parte integrante de um modelo social ainda não aprendeu a vivenciar um determinado relacionamento de forma íntima. Respeitando apenas as convenções emocionais, essas sim, importantíssimas para a sustentabilidade do elo que se pertende firmar com outra pessoa. 

Há, em alguns casos, uma preocupação exarcebada de provar a meio mundo que se é capaz de atingir determinado objectivo, um objectivo que tantas vezes nem é realmente seu. 

Não vejo o casamento como objectivo, como meta, como um contrato. O casamento para mim é um acto solene que sela a responsabilidade de amar outra pessoa. A disponibilidade de se entregar sem reservas após um período de conhecimento que corresponde ao namoro. Sim, é importante namorar.
Pode ser uma visão romântica e, embora algumas vozes digam, casamento apartamento. A verdade é que em tempos actuais deveríamos optar pela simplicidade e nunca pela complicação/ostentação. Exige-se muito e dá-se de menos. 



Bom fim-de-semana.


Alexandra



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Agricultura e relações familiares





No seguimento da minha última publicação, hoje, publico um texto que aborda o impacto da actividade agrícola nos relacionamentos íntimos e familiares.
Em primeiro lugar é preciso desmistificar a ideia de que os agricultores portugueses "nadam em dinheiro". Isto não é de todo verdade. 
O ramo agrícola é uma actividade de elevado risco porque a principal condicionante à pratica desta actividade o homem não consegue controlar. Existem estufas, culturas sazonais, sistemas de rega e alfaias de última geração mas, aquilo que vem lá de cima, ninguém consegue controlar.

O agricultor por campanha é capaz de gastar mais de 50.000 euros onde englobamos adubos, sementes ou plantas, electricidade, mão-de-obra, prestação de serviços, avarias eléctricas nos sistemas de rega instalados, gásoleo agrícola, entre outros factores de produção. Contudo, é pertinente a seguinte questão: conseguirá este produtor reaver da terra mais do que gastou logo à cabeça? Não podemos esquecer que os gastos são de acordo com a área produtiva que agora com o novo PDR tem novos pressupostos/regras. 

É muito complicado prever a quantidade de produção que poderá ser atingida, quase como que um tiro no escuro. O clima tanto pode favorecer como prejudicar. E muitas são as vezes em que surgem intempéries, assim do nada, e com elas arrasam hectares de trabalho e investimento financeiro.

Atenção, não estou com isto a traçar o pior dos cenários. Mas, a verdade, é que a agricultura é uma actividade económica incerta em que o espirito de sacrifício e entrega deve estar no auge. 
Convém salientar que não pode ser encarada como uma actividade de part-time ou fim-de-semana. Este tem sido o principal problema em Portugal. Os portugueses encaram a agricultura como actividade de fim-de-semana, como um escape à crise e esquecem que de ano para ano muitos milhares de euros rolam para que o navio navegue. 
Um agricultor pode comprar um belo tractor com as respectivas alfaias, mas quantos anos leva até ao pagamento desse investimento estar concluído? 

Em Portugal produz-se e produz-se bem por um preço incerto, não havendo fiscalização por parte dos orgãos competentes ligados ao ministério da agricultura e economia. É que as organizações de produtores apesar de ser uma denominação pomposa tem tudo menos de organização com a óptica de ajudar a malta que trabalha de sol a sol. Daí os preços incertos. Os preços incertos e anunciados à própria da hora são uma forma de obrigar os empresários agrícolas a produzir e desta forma encher os cofres da organização que vende a preço de ouro o que paga ao preço da "uva mijona". Ridículo, mas é o que temos.

Neste país além de agricultor é preciso ser gestor. Gerir bem os rendimentos que sobraram da última campanha (se sobraram) para dar o arranque na próxima. Anda-se mais ou menos ao pé cochinho e a família, os casamentos, os namoros são quem mais padecem. Não há tempo. Não há horários e o mais grave, nos primeiros anos raramente há salário. É uma utopia pensar que na agricultura consegue-se tirar um vencimento mensal. Pode acontecer, mas concretamente na fase de arranque de um projecto que envolve milhares (muitas vezes com capitais alheios da banca), com factores de produção altissimos, o importante é pagar o que se deve e guardar o que sobrar para que a familia tenha o que comer durante o ano.

Sou descente de uma familia que tanto do lado materno como paterno sempre esteve ligada à agricultura. O meu bisavô materno foi o primeiro homem no ribatejo e, talvez em Portugal, a deter uma empresa familiar de prestação de serviços agrícolas. Embora tenha falecido relativamente cedo deixou um importante legado aos seus descendentes: nunca baixar os braços perante as adversidades.
Fui ensinada a poupar desde cedo. A ter o meu próprio migalheiro e a primeira vez que fui ao Algarve tinha 4 anos e a última 23 anos. Morri? Não! Quando havia dinheiro podíamos ir quinze dias de férias sempre em Setembro, quando não havia íamos um fim-de-semana ou apenas um dia às praias perto daqui. Há que saber dançar com a escassez e com a abundância. 
À mesa nunca houve camarão ou lagosta (por opção), mas houve outras coisas e momentos que valem mais que tudo aquilo que acaba por ir pelo cano do esgoto abaixo. Alguns aniversários e natais não tiveram presentes, mas esteve a família presente. E não, nem sempre havia paciencia ou tempo para mimos. Mas havia espaço para que durante a madrugada, o pai, quando chegava a casa ou saía nos desse um beijo. 
Nunca ouvi ou vi a minha mãe a demandar atenção, muito pelo contrário, ela tomava as rédeas da casa na ausência do meu pai. E não. Ele não era escravo do trabalho. Sabia apenas que para colocar comida em cima da mesa e proporcionar o minimo de conforto à família teria de trabalhar de dia e de noite. O mesmo acontecia com a minha mãe que tantas vezes se atolava de lama para que o milho ficasse bem regado. 

Sabem, foram, são estes pequenos detalhes que fizeram de mim a mulher que hoje aqui se apresenta. Há algum tempo li um artigo que caracteriza os agricultores como sendo infelizes no amor, penso que os verdadeiros infelizes são aqueles e aquelas que não conseguem compreender o paradigma de estar nesta actividade porque durante toda uma vida tiveram e têm um salário garantido que cai na conta sempre no dia marcado de cada mês. De uma maneira geral o pessoal é infeliz, porque quer. Porque olha apenas para o seu próprio umbigo. 
É fácil exigir, díficil é vestir a pele ou calçar os sapatos do outro. É importante estar junto, mas estar junto implica também compreender que há um timming para tudo e que naquele momento há obrigações a cumprir que serão para beneficio não só de quem trabalha, mas do casal e da família.Trabalhar por conta própria, ainda por mais neste sector, é um quebra cabeças todo o tamanho em que de um momento para o outro podemos ficar sem os bens que tanto nos custou a adquirir.

Ser agricultor/a é ter paixão pela terra. Por aquilo que se produz e desta forma compaixão pelo nosso semelhante. É preciso saber abdicar. É preciso estar lá todos os dias e noites quando necessário. É preciso ser homem e mulher despidos de vaidades e manias. Simplicidade acima de tudo e olho de lince para investir e gerir.


Bem-haja!


Alexandra

domingo, 19 de abril de 2015

'Agricultura'





(framboesas da colheia de outono/inverno 2014)



Decorria o ano de 2012 quando decidi abraçar, talvez, a mais difícil de todas as profissões. Ou das mais dificeis: Agricultura.
Ao contrário daquilo que é apregoado através dos diversos meios de comunicação social, a agricultura não é, nem pode ser uma actividade económica de part-time e muito menos deve ser vista como algo de segunda categoria em que apenas se recorre em momentos de "crise". Por muito que custe a alguns olhos que possam ler este texto, a verdade, é que ser agricultor ou agricultora é uma actividade que exige de nós disponibilidade, tempo (muito tempo) e entrega. E sim, quem se dedica por inteiro a esta actividade nem sempre pode estar com a família, ter férias, entre outras coisas ou actividades de lazer que todos nós gostamos de fazer. E este, é sobretudo, o cenário de quem está nesta actividade por conta própria. 

Portugal encheu-se nos últimos anos de jovens agricultores que segundo o Ministério da Agricultura deram um novo ímpeto a este ramo. Julga-se erroneamente que os agricultores são uma classe abastada. Mas aquilo que ninguém fala, aquilo que ninguém apregoa são as duras realidades e obstáculos que encontramos. Tudo começa com a dificuldade de acesso ao crédito que pode barrar a realização/concretização do investimento. Neste momento a banca Portuguesa pede mundos e fundos a quem apenas tem vontade de trabalhar. Exige um fiador e algo de "palpável" quando durante anos a fio disponibilizaram crédito a tudo o que era projecto sem sequer analisar. 

E não, não podemos esquecer os "lobos" que emergiram aquando deste "boom" da nova agricultura. São muitos, mais que as mães, aqueles que querem comer o bolo de quem trabalha dia e noite nesta actividade. 
Orçamentos inflacionados com vista a captar os subsídios a fundo perdido. Empresas fictícias que vendem materiais, que recebem dinheiro de projectos chave na mão e que não aparecem para realizar as ditas obras. 
São as pseudo organizações de produtores, que não são mais que empresas privadas que têm o intuito de se transformar em organizações de produtores. Empresas essas que oferecem um pseudo acompanhamento técnico e pagamento de uma quota equivalente aos metros quadrados totais da exploração assegurando o escoamento da produção. Mas essa mesma produção é vendida a que preço? Ao preço de nem sequer cobrir os gastos básicos (electricidade, adubos, mão-de-obra, etc).
Mas alguém fala? Alguém ouve falar sobre isto? Não! E a principal razão é esta: somente uma minoria destes jovens agricultores trabalha a tempo inteiro na agricultura. E é esta mesma minoria que se revolta. Sofre. Chora. Reivindica. É nesta mesma minoria que me incluo. A minoria que está nesta actividade por paixão, por gosto, porque é isto e disto que quer viver. Mas somos poucos. Poucos para termos voz e denunciar. 

Aqueles que não vivem da actividade agrícola a tempo inteiro apenas estão nela como sendo uma actividade de fim-de-semana. Colocam meia dúzia de mouros a fazer o que eles deveriam fazer e depois ao fim de 5 anos abandonam os campos porque o dinheiro que deveria ser canalizado no investimento foi para outras coisas que não factores de produção.
 E não, também não me posso esquecer daqueles e daquelas que apenas deram o nome para inúmeros projectos submetidos e aprovados. Apenas isso, o nome. Quem trabalha efectivamente são os tios, os primos, os vizinhos que não tinham idade para submeter um projecto nesta medida do Proder.

Apesar de todo este cenário consegue-se obter rendimentos para se viver a tempo inteiro na agricultura. Temos somente que aprender com erros e ter a astucia suficiente de trilhar o nosso próprio caminho. Portugal tem um longo trajecto a percorrer e os portugueses deviam apostar mais e bem no associativismo entre produtores (sem fins lucrativos) apenas com vista a ganhar escala de exportação e até mesmo de venda no mercado nacional. Temos tudo a nosso favor: solo, condições atmosféricas e infra-estruturas.


Tenham uma boa semana


Alexandra









sexta-feira, 17 de abril de 2015

'Aquilo que elas querem'




Tenho por norma e, sempre que posso, ler artigos ou consultar websites diariamente actualizados por profissionais da área de saúde emocional. Psicologia exactamente falando. 
Confesso que após a minha experiência destes últimos anos deveria ter continuado a minha licenciatura nesta área. Mas, nunca é tarde!

Por algumas vezes aqui escrevi que por muito que tentem aproximar o universo feminino do masculino, a verdade, é que o cérebro de uma mulher é totalmente o oposto de um homem. 
Eles julgam que sabem aquilo que elas querem. São o faz tudo quando ninguém lhes pediu rigorosamente nada. E elas pensam que eles conseguem interpretar tudo o que vai na cabeça delas com um simples "não é nada".

Hoje deparei-me com este texto que considero delicioso, assim como todo o blogue desta psicológa que dá o rosto a algumas rubricas de programas de televisão.
A sexualidade humana embora sendo parte integrante e importante de um relacionamento, não pode ser encarada como a base fundamental para a existência de um vinculo emocional entre duas pessoas.
A verdade, é que se por um lado uma mulher não consegue ter sexo com o seu parceiro quando está magoada ou insegura emocionalmente no relacionamento. Os homens, por sua vez, usam o sexo como forma de se sentirem conectados mesmo quando as coisas não estão bem. E eles sabem quando isso acontece. 

Sexo é muito importante, mas não deve sobrepor o poder de comunicação entre o casal. Bom sexo é equivalente a conexão/segurança emocional. A entendimento. A companheirismo. É uma parte muito intima de nós que deixamos, que entregamos ao outro ali naquele momento. 

Lamentavelmente há homens e mulheres que não sabem estar num relacionamento. Que não sabem viver esse relacionamento ou a sexualidade incutida nele originando aquilo que todos sabemos. Insatisfação, descontentamento, intolerância, afastamento, traição e por fim, ruptura.
Embora, eu defenda, que antes de trair é melhor simplesmente terminar o relacionamento e seguir em frente com o devido período de luto.

Sobre este tema a minha opinião é esta: Por muito que nos custe, por vezes, ouvir determinadas palavras. A verdade é que o nosso parceiro ou parceira é quem nos conhece melhor. Ou pelo menos assim deveria ser. Sabe intimamente quais são as nossas virtudes, as nossas sombras. Logo são eles e elas que podem e devem alertar. Transmitir uma outra perspectiva sobre um determinado assunto. Serem livres de exprimir o que gostam e não gostam. 

A sociedade dos nossos dias alimenta-se do culto do corpo perfeito. Das saídas à noite onde o consumo de álcool é ao máximo e as roupas mínimas. Das pesquisas no facebook a perfis de desconhecidos ou desconhecidas que exibem fotos de puro divertimento e sensação. Andarão eles e elas à busca de quê? Do quê e de quem? De novas emoções? Não lhes chegará o que têm mesmo ali ao lado. Um ele e uma ela a quem muitas vezes não se "liga" porque já está mais do que adquirido.
Esquecem o fundamental, esse ele ou essa ela é um ser humano com sentimentos que não se "sustenta", que não se preenche com sexo ou palavras meigas. É todo o conjunto. A envolvência. O momento.

Há alguns anos disseram-me que os filhos de casais separados/divorciados são exigentes nos seus próprios relacionamentos e tendem a querer resolver todos os problemas no momento para evitar danos maiores. A palavra fracasso não entra no vocabulário respeitando, no entanto, o fim quando assim o é exigido e mais que certo. Sei bem porque o disseram.


Bom fim-de-semana


Alexandra





segunda-feira, 13 de abril de 2015

'Sentir Saudade'






As perdas pessoais são duras de digerir (faço o exemplo). Quando parte um ente querido, com ele vai uma parte de nós. Com ele ou com ela dizemos "adeus" a momentos que nunca mais iremos viver. E sim, isso é muito difícil. 
E difícil aceitar, entender que aquela pessoa fisicamente não estará mais connosco e o tempo agudiza a dor. Perde-se e ganha-se. Perde-se o convívio, o som da voz, o poder do toque, o carinho. Ganham-se memórias, ensinamentos, momentos que estão guardados algures na nossa memória.

Sinto falta de tudo aquilo que vivi com os meus avôs, porque com eles aprendi grande parte daquilo que hoje sei e sou. Perdi dois pais. Duas figuras base na minha vida. Perdi com o falecimento deles um pouco do brilho no meu olhar. Perdi do meu vocabulário, sem dúvida alguma, a palavra avô. Já não a digo. E dói sentir toda esta falta... um vazio sem fim e sem qualquer género de explicação.

Nos tempos que correm é preciso ser corajoso para viver e destemido para amar.

Uma boa semana.


Alexandra




sexta-feira, 10 de abril de 2015

'Amar é'








Nenhum relacionamento amoroso pode sobreviver se os seus intervenientes não perceberem o quão importante é vivenciar esse mesmo relacionamento para dentro. Com isto quero dizer que uma relação amorosa deve ser impermeável a comentários, a pessoas, a tudo aquilo que possa atingir e sabotar.
Sabemos de antemão que na actualidade e, sobretudo, na antiguidade a temática amor repercutia-se nas mais variadas formas como sendo um sentimento que provocava dor, sofrimento, entrega total de dois corpos. A luta constante por um ideal. O viver feliz para sempre. 

Na prática o amor não é nada disto, pelo menos não na parte que toca ao sofrimento, desamparo, solidão, dor e outros tantos sentimentos negativos.
No amor, num relacionamento deve haver liberdade para que cada um se exprima e diga livremente o que sente. Como adultos que somos, somos responsáveis pelas nossas emoções, pensamentos e sentimentos. Daí a importância de utilizar a palavra Eu numa discussão. É uma forma de não descarregar sobre o outro a responsabilidade do que se sente, porque aquilo que sentimos como já referi é nosso.

É errado quando há permissão para que terceiros interfiram e consigam corromper um relacionamento através de acções ou jogos com teias de manipulação. Está provado e a psicologia aborda isso de forma objectiva, há casais que se amam e que não conseguem defender o elo que os une. Com o tempo, com as discussões, esse elo fica vulnerável, permeável a que possa ocorrer uma ruptura.
É importante perceber o seguinte, a nossa imagem social em primeiro lugar deve ser um reflexo entre quatro paredes, porque é em casa, na nossa casa que devemos ser um exemplo de lealdade, honestidade, integridade. 
Por vezes, quando algumas discussões transformam-se em autênticos braços de ferro seguidos de amuos, devemos compreender a razão porque isso acontece. O que fizemos e porque nos deixámos levar nessa corrente? Até que ponto não fragilizámos o nosso parceiro ou parceira com comportamentos que à partida sabemos não estar correctos? Até que ponto não o ou a magoámos tocando em feridas emocionais que estarão sempre lá? Mesmo que saradas.

Por muito que isso custe, numa relação íntima deixamos uma porta aberta para que o nosso mais que tudo nos diga aquilo o  que não está correcto. Deixamos uma porta aberta para que ele ou ela nos pegue na mão e nos ajude a não sermos uma vez mais molestados pela vida. Os nossos olhos nem sempre conseguem visualizar coerentemente aquilo que se passa à nossa volta.

Amar é estar lá quando mais ninguém está. Amar é desejar estar perto e ter a devida liberdade de voar mais alto. Amar é saber que não somos perfeitos e que nessa imperfeição o outro não tem vergonha de nós. Amar é estar livre e ser livre para simplesmente ser.
Lamento que vivamos numa sociedade cinzenta sem qualquer tipo de harmonia, porque não somos de todo ilhas isoladas.

É isto,


um bom fim-de-semana


Alexandra 













segunda-feira, 6 de abril de 2015

'Simplificando o simples'



Simplificando o simples no semblante dos tristes náufragos da revolta, por certo, que além mar existirá um canto de paraíso sem fastios moribundos que fazem chorar. 
A visão de horror. O assombramento consciente de no meio de tanta gente não existir abraço de conforto que pacifique a alma de quem navega nos meandros da solidão.
Talvez seja. Talvez tenha sido o chicote da vida que na carne santa profanou tamanha ferida de desilusão. 
É isto. Breve e sucinto o sentimento que se resume a um conto de fadas descontroladas que aos olhos de Deus não encontram perdão. De mim não sei. E tu quem és? De quem é o mundo que renega simplificar o simples gerando apenas confusão? Não nos baralhemos. Não fujamos ao nosso destino. Sejamos felizes ainda que chicoteados pela "insimplicidade" da vida.









Alexandra

sábado, 4 de abril de 2015

"Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo."










Com a aproximação da páscoa cabe a cada um perguntar se tem amado o próximo como a si mesmo e se esse mesmo amor supera todas as coisas, como aquele que devemos sentir por Deus. Será?
Os romances e a sétima arte enfatizam o amor como sendo um sentimento que provoca sofrimento, que supera todas as adversidades e obstáculos, levando a que os seus intervenientes percam a identidade, individualidade. Uma doação constante que muitos clamam ser amor incondicional.
Pensemos, então, quantas vezes não proferimos julgamentos e generalizações a pessoas que nem tão pouco conhecemos. Porque a minha verdade, não é a tua verdade, não tens por isso o poder de julgar a quem quer que seja se não a ti mesmo.
Amor é tudo aquilo que possamos imaginar ou tocar, muito além do sentimento, onde existe a razão de mãos dadas com a palavra perdoar.
Seria tão simples se o amor fosse espalhado de igual para igual, assim como quem nasce na simplicidade de estar nu e indefeso perante o mundo que acolhe o ser recém chegado. Esquecemos tudo isso. Esquecemos... a capacidade de chorar, de nos sentirmos indefesos. Tristes de olhos cinzentos que não enxergam mais que o próprio umbigo.
Que fazemos ao caminhar neste chão se num breve instante esse mesmo chão será, nada mais nada menos, que a nossa sepultura?
Questionemo-nos em silêncio, de forma dura e concisa, que algemas aprisionam os nossos pulsos e tantas vezes a capacidade de sonhar.

Páscoa feliz em comunhão com o lugar mais profundo do nosso ser!




Alexandra