sexta-feira, 24 de abril de 2015

Conjugalidade: um e um são três






"Berger e Kellner (1970) descrevem, então, o casamento como um ato dramático, no qual dois estranhos, portadores de um passado individual diferente, se encontram e se redefinem. O drama do ato é internamente antecipado e socialmente legitimado muito antes de ele acontecer na biografia dos indivíduos. A reconstrução do mundo no casamento ocorre principalmente através do discurso. Na conversação conjugal, a realidade subjetiva do mundo é sustentada pelos parceiros, que confirmam e reconfirmam a realidade objetiva internalizada por eles. O casal constrói assim, não somente a realidade presente, mas reconstrói a realidade passada, fabricando uma memória comum que integra os dois passados individuais."



Na dança da conjugalidade dois individuos, duas histórias de vida, dois desejos, duas percepções do mundo completamente distintas entrelaçam-se originando aquilo a que damos o nome de relacionamento íntimo. Nesta ótica um e um são três e não dois, porque quem constitui o relacionamento mantem a sua individualidade. 
Na sociedade contemporânea em que ocorrem mais divórcios que casamentos, o homem enquanto parte integrante de um modelo social ainda não aprendeu a vivenciar um determinado relacionamento de forma íntima. Respeitando apenas as convenções emocionais, essas sim, importantíssimas para a sustentabilidade do elo que se pertende firmar com outra pessoa. 

Há, em alguns casos, uma preocupação exarcebada de provar a meio mundo que se é capaz de atingir determinado objectivo, um objectivo que tantas vezes nem é realmente seu. 

Não vejo o casamento como objectivo, como meta, como um contrato. O casamento para mim é um acto solene que sela a responsabilidade de amar outra pessoa. A disponibilidade de se entregar sem reservas após um período de conhecimento que corresponde ao namoro. Sim, é importante namorar.
Pode ser uma visão romântica e, embora algumas vozes digam, casamento apartamento. A verdade é que em tempos actuais deveríamos optar pela simplicidade e nunca pela complicação/ostentação. Exige-se muito e dá-se de menos. 



Bom fim-de-semana.


Alexandra



3 comentários:

  1. Concordo! Arrisco mesmo dizer que hoje em dia, o casamento está a perder o seu verdadeiro significado... casa-se como se fosse sim o inicio de um namoro... :S Casa-se com o pensamento " se correr mal divorcio-me, mas tenho uma festa de sonho!"... sei lá... irrita-me e entristece-me ver como se casa hoje em dia...
    Bom fim de semana com boas leituras! :)

    ResponderEliminar
  2. Será que têm algum tipo de pensamento?

    Tenho algumas dúvidas nisso e não deixa de ser estranho a forma como alguns casamentos terminam. Não será que na actualidade fazem do namoro o casamento e depois quando chegam ao acto propriamente dito já não sabem bem ao certo o que andam a fazer? Daí o tédio. A inércia. A rotina.

    Bom fim-de-semana!

    Bom

    ResponderEliminar
  3. No meu ver hoje tanto a mulher como o homem não está preparado para viverem uma vida a dois ,infelizmente vive-se numa sociedade demasiada egoísta ,muitos beijinhos Alexandra .

    ResponderEliminar

Façam do meu espaço o vosso espaço, ousem comentar... eu ousarei responder! :)