quarta-feira, 29 de abril de 2015

'Rótulagem Humana'


A propósito de um post no blogue amanhecer tardiamente, eis que surge a vontade de escrever sobre um tema que há muito apetecia abordar: Rótulagem humana.
Desenganem-se que o rótulo não vem acompanhado de valores nutricionais, mas antes, de estupidez dura e crua do povo português.

Sou portuguesa nascida e criada, como tal, não tenho por norma estabelecer comparações da nossa realidade com além fronteiras. É errado. 
Assim sendo há uma característica portuguesa que me causa urticária: o de achar que são os donos da verdade e, que por essa razão, sentem que têm o direito de dizer "eu aceito ou não aceito" ou "tu és aquela e ele é aquele". Falemos de rótulos. A rótulagem portuguesa é do melhor. Não se olha a quê ou a quem, o que importa é falar nem que seja para mal falar. 

A rótulagem vai desde eu tenho um amigo que é gay, à coitadinha da Sofia que tem uma filha com trissomia 21. Ao Alberto que é casado com uma mulher que foi homem.
No que toca a afirmar que se tem um amigo gay, um amigo preto, um amigo isto ou aquilo nesta coisa de se viver em pleno século XXI é muito "cool". É fixe. Somos "bués open mind". Dá uma espécie de status quo à malta que no fundo não tem ponta por onde se lhe pegue. Uma questão qui ça até de superioridade imaginária. Dizer que fulano ou fulana é casado com uma pessoa que submeteu-se a redesignação sexual é despeito. Inveja. Mas isso será um outro post que irei abordar.
Já no que toca a chamar de coitadinhos a pessoas de carne e osso, mas que, infelizmente não têm as suas faculdades em pleno é maldade pura. Veneno. O desejo de dizer eu sou melhor que tu, eu tenho mais que tu. Apenas isso.

O que se passa em Portugal é isto: Utilizam-se termos velhos e moribundos que remontam a outros tempos (no caso de chamar "os pretos"), tempos em que Portugal dominou os mares e pensou dominar os homens mas lixou-se. Uma vez mais não souberam gerir o que de bom tinham. Não souberam dar o exemplo. Guiar as massas. Este tem sido o principal problema em Portugal: não sabem guiar as massas! Não sabem ser e viver em comunidade com os outros. Há como que um instinto inato de sabotar a vida dos outros, como prato principal e como sobremesa porque não destruir umas quantas famílias à base da putice?! 

Homossexualidade?! Qual o espanto?! Para quê tanto alarido com algo que além de ser normal não é uma opção, dizem que sim mas deviam era estar calados. 

A minha opinião é esta: a mentalidade portuguesa irá mudar gradualmente e de nada vale os vídeos que têm sido reproduzidos recentemente nos meios de comunicação social. É preciso dar tempo ao tempo. É preciso saber respeitar, palavra que se perdeu na prática embora exista na teoria. 

Deixem-se de merdas e façam-se gente!


Alexandra

3 comentários:

  1. Muito bem, Alexandra. Já sabe a minha opinião em relação a este assunto, portanto nada tenho a acrescentar. Está tudo dito e muito bem dito, neste caso, escrito.

    É uma questão de respeitar os outros. Aquilo que para mim é perfeitamente normal, a outra pode magoar. Tenho para mim que nestes casos de rótulos anda a ferir muita gente por aí. Começando pelos mais pequenos.

    Beijinho e uma boa semana :)

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  2. Tempo e respeito ,muitos beijinhos Alexandra.

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  3. Refere uma tendência predominante da nossa sociedade - a de julgar e catalogar. As pessoas têm necessidade de emitir juízos por tudo e por nada, não demonstrando qualquer tipo de sensibilidade para com o outro. Na maioria dos casos, não conhecem a situação a fundo e revelam uma grande dose de preconceitos. Gostei do seu post e da forma como abordou o assunto :)

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