segunda-feira, 25 de maio de 2015

Viver no corpo errado




Assuntos como este devem ser tratados com a máxima seriedade possível. Falamos de uma patologia grave que condiciona desde cedo a vida das crianças que serão futuros jovens e adultos. Efectivamente, a família desempenha um papel preponderante na articulação e protecção deles e delas em relação ao meio social. Além de que são os elementos chave necessários para que todo o processo clínico e burocrático seja vivido e encerrado de forma pacífica. 
Em Portugal ainda se julga, ainda se condena quem nasceu com uma condição diferente dos demais. Esta diferença não é sinónimo de paranóia, é sinónimo de uma doença genética grave que se não for tratada atempadamente pode levar ao suicídio.


Há quem viva anos a fio desempenhando um papel social de género que não é o seu. Muitos e muitas chegam a constituir família não revelando quem verdadeiramente são.

Diz-se por aí que estas pessoas, homens e mulheres, quando decidem corrigir o que está errado dão este passo com coragem. São vistos como corajosos e freaks. A verdade é que apenas fazem aquilo que está certo e correcto. 

Felizmente, em Portugal, já existe tratamento há mais de uma década para esta patologia a que damos o nome de transtorno de identidade de género que ocorre durante a gestação. Está provado que uma alteração anormal de hormonas afecta o cérebro do bebé provocando uma mutação na sua morfologia e funcionamento. Por volta dos dois anos de idade, idade em que todos temos a real percepção de quem somos, estas crianças sentem desconforto emitindo sinais ou mesmo verbalizando quem realmente são. Nesta altura é muito importante a atempada intervenção da família e de uma boa equipa médica que tratará de todas as diligencias para que ao atingir a maioridade se possam realizar as intervenções cirúrgicas necessárias. 

Convém lembrar que é um longo caminho repleto de testes psicológicos, análises físicas e hormonais, assim como, desgaste social tanto para o paciente como para a família. 


A mensagem que pretendo passar e agradecia a partilha deste texto: Não julgues quem é frágil. Não julgues coisas sérias. Informa-te! Porque aquilo que tanto julgas um dia pode bater à tua porta!






Um bem haja e uma boa semana a tod@s


Alexandra




9 comentários:

  1. Respeito acima de tudo ,pois eles passam certamente por muito sofrimento ,uma semana muito feliz ,beijinhos Alexandra.

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  2. Excelente post, Alexandra, muito obrigada. Eu não conheço esta realidade, mas creio que aprendi um pouco com o seu post. Já lá pus um link no meu blogue.
    Um beijinho e boa semana.

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  3. Uma situação muito difícil acima de tudo por ser incompreendida pela maioria das pessoas e por isso não aceite o que faz com que os visados vivam em grande sofrimento. Um diz havemos de chegar lá. Bjs

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  4. O vídeo que coloquei neste post representa as muitas crianças que no nosso país estão a ser acompanhadas por equipas médicas especializadas neste assunto. Considero que o principal entrave ao esclarecimento não são estas pessoas em si ou aquilo que elas fazem, mas sim, a comunicação social que aborda esta patologia e forma leviana. Tenho pena que Portugal insista em tapar o sol com a peneira e em ser deselegante com quem sofre desde muito cedo com esta doença.
    Tudo isto só demonstra que devemos educar os nossos filhos de forma diferente e que devemos estar atentos aos sinais que emanam.

    Beijinho para vocês.

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  5. :) Que post magnifico Alexandra! :) Parabéns por fazeres a tua parte de chamada de atenção! Do meu lado agradeço! Já é hora de libertar as pessoas de prisões psicológicas, afinal de contas a evolução serve para o bem, para melhorarmos não? ;)
    Boas leituras! :)

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  6. Alexandra, ainda não tinha lido este seu texto. Amanhã, no final do dia faço um reencaminhamento directo do meu blog para o seu. Mais concretamente para este seu post :)

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  7. Alexandra, o que escreves deveria ser puxado para a primeira página de um jornal sério. Eu sei que é difícil encontrar um jornal sério mas mantenho a opinião.
    A mensagem merece a nossa melhor atenção.
    Beijinho

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  8. Adorei e fantástica partilha...Para reflectir muito*

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  9. Ando a ler o teu blogue desde o início e li, reli, voltei a ler e imprimi para dar a um casal amigo que cujo filho era de facto uma ela. Há anos que os acompanho e sei de fonte limpa a rejeição de muitos familiares, da sociedade ainda tão castradora que mete-me NOJO e digo-te Alexandra que mesmo a nível de acompanhamento hospitalar ainda existem imensas barreiras ó se existem. Neste campo ainda estamos "anos luz" de muitos países...mas já vamos tendo alguma coisa.
    Digo-lhes sempre e a ela já nos seus quase vinte anos...força e sê feliz, não olhes para trás e segue o teu caminho. Felizmente tirou o seu curso, teve colegas...poucos...impecáveis e imensamente solidários e já trabalha. Soube que irão emigrar porque o pai e a mãe, a quem lhes tiro o meu chapéu e agradeço o que muito aprendi, têm emprego garantido e claro a pequenota (como lhe chamo) fará lá o doutoramento e numa área que lhe diz muito!!!!

    Nada na vida acontece por acaso!

    Ainda não tinha comentado, faço agora, porque perante este tema e outros custa-me saber o sofrimento dos personagens, do teatro que têm de fazer, o esconder porque há pessoas que aplaudem, que sim...mas no terreno, no dia-a-dia, na escola, na faculdade...enfim...é para esquecer!

    Um enorme abraço e nunca desistas de escrever.


    Bom domingo

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