sexta-feira, 25 de setembro de 2015

'Conhecer pessoas profundas e cheias de vida às costas dá muito trabalho!'






Conhecer pessoas profundas e cheias de vida às costas dá muito trabalho! Assusta! Amedronta! Amedronta aqueles que não se querem dar ao trabalho de conhecer pessoas reais. Reais com realidades sem floreados. A realidade que mete medo porque, afinal, por detrás de tantas máscaras existe vida. Aquela vida que poucos ousam viver e, assim, abrir o peito a todos os acontecimentos oportunos e inoportunos que possam vir a ocorrer. 

Hoje, é tudo tão efémero. Nunca se está realmente bem. Falta sempre algo, um algo que não se consegue explicar bem ao certo o que é. Uma constante busca. Uma constante necessidade de determinar metas que à partida são já a confirmação de um autêntico marasmo.

Não há tempo para estar, ouvir, sentir. Não há tempo para viver a vida tal e qual como ela é. Por isso, não é de estranhar que conhecer pessoas profundas e cheias de vida às costas dê muito trabalho. 
Sou pequena, sou tão pequena ainda e já tenho nas minhas costas tanta vida. A vida de ser vida, a vida de estar e viver assim como aceitar o que ela tem para me dar. Com menos ou mais rabugice vou caminhando e aceitando, superando-me dia após dia e tendo a certeza de que estou na estrada correcta. 



Bom fim-de-semana




Alexandra



sábado, 19 de setembro de 2015

'O Forro dos outros'






Vivemos tempos difíceis! Todos sabem isso ou pelo menos assim o deveriam saber e não vamos, não devemos cingir-nos apenas ao lado monetário da vida. Os afectos, os relacionamentos são cada vez mais vazios e compostos por corpos que são exactamente o mesmo: mundos vazios à espera de alguém que os complete. Esta ultima observação pode ser difícil de digerir mas, a verdade, quando o nosso olhar carrega o poder de observar aquilo que nos cerca vamos despindo lentamente o forro que cobre a carne e os sentimentos do outro.

E todos temos um forro. E todos esperamos que alguém dispa esse mesmo forro. O ser humano necessita sentir-se vulnerável perante o amor. Partilhar com a pessoa certa essa mesma vulnerabilidade para poder caminhar. Será que são poucos aqueles e aquelas que têm esse poder? O poder de nos deixar sentir vulneráveis e de não usar isso em benefício próprio.

É nesta simplicidade, neste ideal que muitos homens e mulheres continuam a acreditar no amor. O amor que nos deixa ser vulneráveis. O amor que nos deixa sonhar dia após dia, aquele sonhar que nos liberta. Um sonhar que não são somente os sonhos de há vinte anos, é um sonhar que se rejuvenesce conforme vamos amadurecendo e crescendo.

Deixo-vos com um vídeo que nos leva a pensar até que ponto somos realmente íntegros e correctos na construção de uma relação com outro ser humano.





A Alexandra tem pensado muito nisto ultimamente.


Um beijinho a todos que me lêem!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

"Estas fotos levaram o Facebook a banir fotógrafo"





O fotógrafo profissional Michael Stokes foi banido do Facebook após publicação de algumas fotos do seu mais recente livro. Para os administradores do facebook as fotografias publicadas violavam os requisitos ou as regras bases da rede social e, por isso, as mesmas foram censuradas e o autor banido.

Para Stokes fotografar é uma paixão e a mensagem que pretende veicular em cada trabalho é de que o homem e a mulher não são meros objectos de uma sociedade que valoriza quase que obscuramente o culto do corpo. O que nos leva a reflectir que o nosso corpo é meramente um meio transporte nesta vida em que o que realmente conta é a nossa essência. 
A modelo do lado esquerdo, por exemplo, chama-se Mary Dague uma veterana de guerra que devido a uma explosão no Iraque sofreu ferimentos graves levando à amputação dos braços.

Estas situações deixam-me estupefacta, sobretudo, quando vivemos num mundo que grita aos quatro ventos liberdade e igualdade para todos. Qual é o problema destas fotos? Admira-me então como é que o facebook e outras redes sociais admitem crianças como utilizadores. E admira-me ainda mais que não detectem os perfis falsos utilizados pelos pedófilos. E isto é apenas a ponta do Icebergue. 

Está mais do que na altura de reflectir sobre aquilo que consideramos certo ou errado, porque branco mais branco não há e o que é certo é que existem muitas outras cores por explorar. Como já referi mais do que uma vez, preocupem-se e critiquem coisas que valem a pena e deixem quem trabalha e quem luta em paz.




Tenham um bom fim-de-semana e sejam felizes


Alexandra


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Reflexão sobre a actualidade









Tomei a liberdade de seleccionar os títulos que fazem manchete na comunicação social do nosso país. Temos de tudo um pouco e esse todo um pouco reflecte o estado em que se encontra Portugal, lamentavelmente. 
De realçar que a cada dia que passa mais mulheres são vitimas de homicídio por parte dos companheiros ou (ex) companheiros. 
Ainda não percebi bem ao certo quais são as motivações que levam um ser humano a assassinar outro ser humano. Será desespero? A não aceitação de que o relacionamento terminou? Não sei. Apenas sei que nada justifica este tipo de actos.

No que toca à política nacional, assunto melindroso para mim, creio que os Portugueses tinham muito a ganhar se fosse constituído um governo em que todos fizessem parte. Seleccionar os melhores membros de cada partido para constituir governo porque, na verdade, todos à sua maneira dão um contributo para o bem ou para o mal. Acredito que se tal acontecesse episódios como o de ontem na Rtp1 seriam escusados e evitados. A sociedade Portuguesa necessita de oxigénio. De novas caras e novas ideias e sobretudo, acções concretas. Segundo o meu ponto de vista quanto mais conhecimento tivéssemos da nossa história passada outras opções surgiriam, um futuro melhor seria construído. Parecendo que não os erros vão-se repetindo, ano após ano, século após século.

Portugal dominou os mares e teve na sua mão um importante mercado internacional de onde provinha riqueza e inúmeras matérias primas. Mas faltava-lhe o essencial, industria transformadora. Pagávamos a peso de ouro a transformação desses mesmos produtos ao estrangeiro. De uma forma ou de outra o panorama melhorou. As nossas produções subiram e muito se deve a quem ainda aposta em Portugal. 

Escrevi um pouco mais acima que a política nacional é um tema melindroso para abordar porque o meu discurso não se enquadra naquilo que deambula por aí como sendo o correcto. Quem me conhece sabe e bem que a Alexandra sempre remou contra a maré e irá ser sempre assim. Faz parte de mim, não tenho culpa. Que me chamem revoltada, que digam que tenho a mania de que sei tudo e de que só aquilo que sei é que é bom... tretas! Simplesmente não digo que sim para estar bem na fotografia. E não digo que é azul ou verde quando isso não corresponde à minha forma de ser. Na vida não podemos agradar a gregos ou a troianos e abomino quando se acham no direito de criticar seja quem for alegando que é de forma construtiva (já lá iremos). Sou desligada qb da maior parte das coisas que se vão passando nos noticiários televisivos. Sou desligada qb desta sociedade em geral. Mas vivo e muito bem em sociedade. 
Sou uma mulher de acção, de convicções fortes, de colocar a mão na massa sem qualquer tipo de pudor ou medo de lascar uma unha. 

A verdade é esta: poucos me conhecem ou sabem quem eu sou e ainda bem!

Falemos agora de - criticar a malta e alegar que é de forma construtiva - :

Tema: Joana Amaral Dias

Não percebi qual foi o problema da rapariga se ter despido para uma revista. Tal como não entendo qual é o problema que existe em relação à Cristina Ferreira. Levantaram-se vozes na praça publica de que o comportamento da Joana Amaral corresponde a uma prostituição política e que usar o nome das mulheres para se despir em busca de votos é um acto condenável (palavras da Marta Rebelo que pensa ter arrasado a outra). 

Há muitas por aí que se despem a troco de nada, esta pelo menos admitiu que se despiu também pela política, mas acima de tudo como forma de agradecimento pela maternidade e porque achou que assim o devia ser. Quem somos nós para julgar seja quem for? Quem somos nós para organizar motins e irmos à página pessoal da pessoa chamar nomes e outras coisas que não lembram nem ao diabo? Faz-me lembrar algumas histórias "ah e tal somos um país livre mas tu não podes fazer isto ou aquilo porque fica mal, porque não é correcto" Então em que ficamos? 

Será que as mulheres não ganham vergonha na cara e param de ser umas cabras umas para as outras?! 

Provavelmente se a Joana Amaral numa outra fase da vida se se tivesse despido para uma playboy andariam contentes... não esperem... a Rita Pereira também posou na Playboy e foi criticada porque não se despiu. Apetece-me pôr um: 

As pessoas são livres de fazer aquilo que querem e mesmo que esse querer seja exposto e que não se concorde com esse exposto ninguém tem o direito de julgar ou ofender porque depois têm de contar com o outro lado da moeda.
A vida é uma faca de dois gumes em que não vale a pena grunhir muito. É preciso viver, saber viver e deixar viver!

Alexandra




segunda-feira, 14 de setembro de 2015

'O Santiago morreu num país de cegos'








O Santiago morreu aos trinta anos num país de cegos onde o importante é discutir política, religião e outras merdas afins como se isso tivesse algum resultado. Aproveito para mandar todos esses comentadores e escritores de trazer por casa à merda.

Peço desculpa, mas estou saturada de hipócritas, de carneirada. O Santiago não faleceu de acidente ou de doença, o Santiago suicidou-se por não encontrar uma luz ao fundo do túnel na resolução do seu problema.
Falo de um jovem de 30 anos, designer gráfico de profissão, que como muitos outros jovens deste país nasceu com aquilo a que damos o nome de transtorno de identidade de género ou como os ignorantes, como as aberrações gostam de apelidar "transexual". Pois que enfiem o transexual rabo acima para ver se denotam algo de transcendental. 

O Santiago era meu amigo. O Santiago era um rapaz normal que tentava levar uma vida normal. Tentava, sim tentava!! Tentava porque as cirurgias de que necessitava eram adiadas dia após dia. Tentava porque não conseguia encontrar trabalho. Tentava porque o desespero era grande e o constante adiar de uma vida em pleno ia matando aos poucos o Santiago.
Tentou pôr termo à vida inúmeras vezes, porque o corpo saturado de injecções hormonais dava sinal de que era necessário avançar com o plano cirúrgico. Andou mais de seis anos num impasse. Vários diagnósticos realizados que diziam sempre o mesmo, uma mastectomia ao que parece com resultados pouco satisfários e o impasse que encontrou em Coimbra no que toca às cirurgias de redesignação sexual gerou uma bola de neve demasiado grande para o Santiago que apenas contava com o apoio da mãe e de alguns amigos.
Soube ontem que o Santiago havia falecido há três semanas. Suicidou-se! Esta foi a única maneira que o Santiago encontrou para solucionar o dilema em que se encontrava... a única quando existem tantos outros caminhos a percorrer.

Trouxe este tema uma vez mais ao meu espaço para que a morte do meu amigo Santiago e de tantos outros como ele não seja em vão. Talvez com esta realidade se deixem de fazer floreados nos meios de comunicação social e, talvez, desta forma as pessoas na sua generalidade acordem para esta realidade que sempre existiu. 
Essa merda que fazem, não encontro outra palavra, de apelidarem as pessoas de homens e mulheres trans deveria ser considerado crime com punição severa. São estes rótulos, estas barreiras que precisam ser esbatidas e somente com um diálogo sério e franco sem sensacionalismo se conseguirá tal feito. Perdem-se vidas todos os dias. Todos os dias, sem exagero, morre uma criança, um jovem, um adulto à conta desta patologia clínica. 

Morrem pela incompreensão, pelo medo de não aceitação das famílias. Morrem porque acham que mesmo depois de tudo concluído não serão felizes. Morrem porque vêem na morte a alternativa eterna de serem quem realmente são sem amarras. 

Vamos continuar cegos? Vamos continuar a deixar que tratem estes homens e mulheres como espécies de circo? Capachos de gente sem um mínimo de cultura, de ignorantes diplomados nas mais importantes universidades do país?
Neste país de cegos, já alguém parou para pensar na mãe que perdeu o único filho que tinha? É duro não é?!

Que estejas em Paz é o que de melhor te posso desejar, Santiago.


Alexandra